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os
pensamentos e o dia-a-dia
do Sensei Jorge Kishikawa.
Aproveite o bate-papo! |
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Errei, mas não sou ladrão
Me perguntaram o que eu achava sobre a declaração do
rabino Henry Sobel oito meses depois da prisão por furto de gravatas em
Miami.
"Errei, mas não sou ladrão", dizia ele.
Não vou discutir os pormenores do que levou-o a agir assim, mas lamento
o fato de ter feito esta declaração infeliz.
Apesar de não conhecê-lo pessoalmente, nâo o vejo como uma má pessoa ou
que tenha de ser comparado a um batedor de carteiras.
Mas um líder, seja religioso ou não, deve se conter em não proferir
palavras que serão recitadas no futuro por pessoas que agirão de má fé.
Já ouço dizer de bandidos e estelionatários que mesmo ao serem pegos em
flagrante, não são ladrões! Imagine, você, se isto tiver o aval da
igreja como a coisa vai ficar.
Um líder que pensa no coletivo deve se conter...
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Sapos
"Sensei, escrevo hoje por um motivo pouco usual. Durante
o almoço, vi a luta de karatê entre um brasileiro e um lutador
dominicano, e fiquei assustado. Os dois pareciam sapos, pulando e
tentando afagar as mãos uns dos outros, quase que buscando apalpar o
maai.
Nada de postura firme, de pés com peso igualmente equilibrado, parecia
quase que uma danceteria.
Não sei se o Sensei viu. Espero que não. Fiquei muito triste de ver uma
arte marcial secular transformada em pulos e tentativas desesperadas de
afago. Nada de postura, de kiai, de estratégia. Tanto assim que nenhum
dos dois lutadores fez pontos, apenas faltas por excesso de violência,
e a luta foi definida assim, por quem fez mais faltas."
Como não estive lá, não posso dizer nada.
Mas arrisco a dizer algumas palavras:
Uma possibilidade é a de que os lutadores fossem principiantes;
ou que o karate esteja passando por uma transformação, por um processo
de mudança;
ou até que, o que meu caro aluno viu, pareceu-lhe verde, mas, na
realidade, era amarelo.
De qualquer maneira, definir a luta por quem faz mais
faltas está mais perto de ser futebol.
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*kata= seqüência pré-determinada a ser executada nos
treinamentos, no caso feito em dupla
*jo= bastão utilizado pelos samurais no
treinamento de jojutsu (ou jodo) |
É o espírito
- Yaa!
- Too!
- Eei!
- Too!
E os katas* fluíam normalmente. Com precisão, impacto e velocidade.
Já havia 1 hora e tudo ia bem, quando ouviu-se vozes do outro lado da
porta. Não se podia ver quem era.
De repente, o jo*, o bastão mágico, que até então se movia sem nenhum
deslize, escorre-lhe das mãos e :
- Plaft! - cai no chão.
- É o espirito - falei, apontando o indicador direito no meu coração.
Ele riu. Não entendeu.
- Olhe lá! - apontei para a porta.
Estava A sua ex-namorada e bem mal humorada. Acerto de contas,
provavelmente. E foi aí que ele se deu conta da presença.
- Ah! Entendi - riu de si mesmo. # (
Kuden - 13 junho )
Um bom fim de semana!
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Da carne e de los desejos
Voltamos do 1o Encontro Sul
Americano Niten de Kobudo, realizado na terra do tango, Buenos Aires.
E desta vez, pela primeira vez, tive la oportunidad de conhecer o povo
e seus costumes.
Estação de Retiro, com sua arquitectura londrina (ou parisiense para
alguns), donde após a abolição da escravidão, os ex-escravos se
retiravam;
Recolleta, un bairro muy famoso por su modernidad e donde los padres se
recolhiam;
Puerto Madero, el puerto que tiene una vista deslumbrante ao por do
sol, onde el metro quadrado custa US$ 6000!;
El Caminito, donde se encontran las mas variedad de casas coloridas;
las tintas eran sobra do que pintavam los navios e estaleiros;
La Boca, donde pudemos conocer una feira com variedad de artigos de
toda la Argentina e suas culturas: desde el Chaco atá la Patagonia.
Chorizo argentino, vinho argentino. Hummm.... fue demas.
Domingo, yo, que nunca tive interese en tango, cierro con la chave de
oro num dos mas lindos entardeceres de minha vida, e que no pudo
contener de emoción:
Tiro o meu chapéu a la danza de la carne e de los
desejos, el tango, e a Argentina,
Ahora, minha terra querida! |
Aires, em katakana
(Airessu) |
Buenos Aires -
Treinamento de Jojutsu
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23 de novembro
- Comitiva de São Paulo para o 1° Encontro Sul-Americano de Kobudô
desembarca em Buenos Aires.
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Buenos, en katakana
(Buenossu) |
23 de
novembro, Buenos Aires - Sensei com representantes da colônia Japonesa
e alunos da Argentina e do Brasil. |
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Isca
"O seu desejo pode ser a isca para uma armadilha"
Que frase inspiradora para o café de hoje...
Vamos refletir?
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Agendar Brigas
Ao sentar-me no escritório hoje pela manhã, me deparo
com a seguinte notícia:
"Estudantes de escolas públicas e particulares arrumaram uma estranha
diversão: agendam brigas de rua pela internet e depois, orgulhosos
colocam os vídeos na rede."
Por outro lado, acontece que nos dias atuais o sistema de ensino obriga
estes mesmos estudantes a fazer, aos 17 anos,
opções para as suas vidas todas.
Estes estudantes, que não sabem o que querem, e muito menos o que o
mercado vai querer, ficam
perdendo tempo e, é claro, o dinheiro suado dos pais.
Daqui a pouco, num piscar de olhos (isto é, se não morrerem até lá),
amargarão porque não fizeram o que tinham que fazer antes dos 17.
Com licença...
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tsukaeru = servir |
O Servir
Após mais de 20 dias do Torneio Brasileiro em Ibiúna ( 15
out - Memórias do Torneio ) tive o prazer de abrir o meu
primeiro dentre os 31 emails do dia de hoje.
Foi enviado por uma aluna que esteve lá durante os 3 dias de
convivência e saiu vencedora do melhor troféu:
"Estou no Niten há aproximadamente um ano e meio e pra
mim a etiqueta japonesa e o bushido são os mais difíceis de assimilar e
são praticamente a essência do Niten. Eu acreditava, por exemplo, que o
ato de servir era algo simples, fácil de ser executado, mas quando
passei pela experiência de servir alguém, percebi que não era nada
simples. Quando se serve alguém é preciso esquecer de si mesmo,
esquecer o “eu”, o mais importante no momento é o outro, é preciso
estar atento a tudo, executar imediatamente o que foi pedido e com o
máximo de eficiência. E isso só é possível quando há humildade. Pessoas
arrogantes não sabem servir. Inicialmente, quando senti a dificuldade
em servir me empenhei em combater o ego, em ser mais útil, em antecipar
situações, perceber o que era necessário ser feito antes que alguém
pedisse. Acho que o fato de terem me citado no relatório é um indício
de que consegui trabalhar um pouquinho mais a humildade dentro de mim.
Fiquei feliz, estou no caminho certo."
O que acontece é que muitos colegas estão "brincando" de
ser samurais, quando na verdade continuam arrogantes e sem humildade.
Só falam o Hai alto. Só se mostram solícitos na aparência. Mas por
dentro, não têm o mínimo sentimento de se dar. De servir.
Estou contente em ver que a minha aluna conseguiu o melhor troféu - o
de retratar de uma forma clara e simples o que é: servir.
Estou feliz em saber que ela teve, nem que breve, um lampejo de
iluminação, onde palavras nunca alcançarão
Espero que não, mas, infelizmente, muitos nunca terão a percepção de
compreender...
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Sensei
Jorge Kishikawa
Menkyo
Kaiden
7°Dan Kyoshi
Fundador do Instituto Niten
Presidente da Confederação Brasileira de Kobudô
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www.niten.org.br |