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Relatos dos Alunos


Relato do aluno Geraldes que continua seguindo firme no caminho do Bushidô, só que agora na França

Seguindo Firme

por André A. Geraldes

Konnichiwa, senpai. Como vão as coisas?

Escrevo para dar notícias aqui de Lyon. Há dias que penso em escrever, mas nunca sei o que dizer.
Está sendo uma experiência realmente engrandecedora. Estou tendo a oportunidade de conhecer um monte de gente, conhecer a cultura deles, que é um pouco diferente da nossa, e ao mesmo tempo tenho que tomar conta da minha própria vida. Seguir firme nos estudos e ao mesmo tempo deixar a casa em ordem, fazer compras e pagar as contas está sendo um desafio novo para mim.
Mas não importa o que aconteça, vou seguir firme, sempre com muito kiai.
Falando nisso, que saudade do Niten.
Que saudade de vestir o bogu, de fazer Niten ichi ryu. De chegar no dojo saudando "Konbanwa, yoroshiku onegaishimasu", de responder "hai".
Saudade das palavras do senpai e dos companheiros de treino. De vez em quando eu assisto alguns vídeos no café com o sensei e fico lembrando aqui.
Como atividade física estou jogando tênis e, como bom brasileiro, é claro, um futebol de vez em quando. Os ensinamentos do Niten estão me sendo bastante úteis aqui, principalmente o rei.
Gostaria que avisasse a todos que mesmo longe e sem treinar eu continuo no caminho, e que um dia eu volto e espero encontrar todos no Niten.
Estou trabalhando para alcançar meus objetivos sempre lembrando de onde vim e onde quero chegar.
Espero que aí todos estejam bem e que a unidade esteja forte como sempre.
Um grande abraço a todos.
Sayonara arigato gozaimashita.

O Bushido e o espírito inabalavel

Como Conseguir um Espirito Forte

por Pedro

Tomar a atitude correta muitas vezes exige uma força de vontade realmente forte e outras vezes uma força de vontade inabalável. E como conseguir esse tipo de força?
Essa é uma pergunta que me faço já há algum tempo.


Quando entrei no Instituto Niten meu objetivo era apenas ampliar o conhecimento que possuo sobre as forças que emanam do meu corpo e atuam sobre ele e o ambiente ao meu redor. No entanto, agora passados quatro meses posso dizer que no mínimo estou revendo os meus conceitos sobre o verdadeiro sentido de se tornar um guerreiro.
Trilho o caminho das artes marciais japonesas há algum tempo e já estou familiarizado com alguns princípios comuns às diversas ramificações desse caminho, incluindo os princípios do bushidô. Mas o que torna o bushidô realmente fascinante não é o que ele possui em comum com outras doutrinas, mas sim suas peculiaridades. (...) Esses ensinamentos, do corpo e da mente, visam formar o espírito do combatente. (...) A grande diferença que percebi entre o bushidô e a filosofia de diversas artes marciais reside justamente ai, na formação do espírito. Nada é mais importante para um samurai do que possuir um espírito forte, inabalável, pronto para morrer a qualquer momento em prol do seu senhor. Possuir um espírito assim é mais importante do que a própria técnica no bushidô.
(...) Tomar a atitude correta muitas vezes exige uma força de vontade realmente forte e outras vezes uma força de vontade inabalável. E como conseguir esse tipo de força?
Essa é uma pergunta que me faço já há algum tempo. Quando entrei no Instituto Niten, não acreditava (devido a experiências anteriores) que os instrutores poderiam passar algum valor realmente sólido que poderia ser agregado à minha pessoa. Entretanto, depois do primeiro treino já percebi o diferencial do Instituto em relação a outros dojos de artes marciais. Seriedade é algo que acho fundamental em qualquer relação humana, e é ainda mais importante em uma relação mestre-aprendiz. Acho realmente gratificante que todos no Instituto levam a sério o bushidô e isso me motiva a seguir adiante no Caminho, dia após dia.

Por isso sou grato a todos no Instituto que já me ensinaram alguma coisa (Sensei Kishikawa, Senpai Ricardo, Patrick, João, Rafael, Paz, Leandro, Bhering e tantos outros) e respeito profundamente todos os demais, meus irmãos de armas.

Ainda não possuo uma resposta clara para a pergunta acima, mas acredito de coração que o bushido e o Instituto Niten podem me ajudar a encontrar o que procuro.

Arigato Gozaimassu!

Pedro

O máximo de cuidado com as palavra

Falar Menos

por

“(...)Lembro-me de dizer que estava procurando disciplina e filosofia oriental. Hoje percebo como aquelas foram palavras ingênuas...”

Eu lembro que logo no meu começo com o Instituto Niten, duas coisas me fizeram refletir sobre a vida. A primeira foi a maneira como fui recebido por todos, com bastante simpatia, educação e alegria. Digo que é muito gratificante encontrar pessoas sinceras em um mundo onde os “lobos maus” vestem pele de cordeiro.
A segunda, quando estava sendo apresentado para os colegas e me pediram para falar um pouco sobre o que eu buscava no Instituto. Lembro-me de dizer que estava procurando disciplina e filosofia oriental. Hoje percebo como aquelas foram palavras ingênuas. Na verdade, o que o Sensei, Senpais, Kaikei, monitores e colegas nos transmitem é muito mais do que isso.
Uma outra coisa, não menos relevante, é uma passagem do Hagakure que me ajudou a corrigir um pequeno deslize que tive ao falar demais. O autor, Mestre Yamamoto Tsunetomo disse que após ter virado um vassalo evitava falar o desnecessário. E que se existia algo que não poderia ser bem-feito sem palavras, ele se esforçaria para fazê-lo falando o mínimo possível.
Então, acho que falar menos e treinar mais me ajudou a manter a língua onde ela sempre deveria estar.

Domo arigato gozaimashita por tudo.

Furtado

Visão sobre liderança

Gashuku - Visão sobre liderança

por Tiago R. Gadelha

“Ser líder não é apenas empurrar um bando de ordens impossíveis para um grupo e depois ridicularizar aqueles que não conseguem efetuá-las (...)”
Hoje, 23/05/08, os alunos da unidade Taguatinga trocaram experiências, relataram o convívio aos que não foram, aplicaram no treino os ensinamentos do Sensei... Mas há algo que não foi comentado e que não pode passar em branco: A importância de saber ser líder!!! O Sensei, dentro de sua sabedoria no caminho, escolheu verdadeiros líderes para comandar o Gashuku e achei importante relatar.

Sempre fui muito contestador das lideranças e da hierarquia que nossa cultura adota.(...) No Gashuku, através de um militar, capitão, rigoroso, fiquei feliz em ver que eu estava errado.

Ser líder não é apenas empurrar um bando de ordens impossíveis para um grupo e depois ridicularizar aqueles que não conseguem efetuá-las (...). Ser líder é saber integrar as diferenças! Já no birudô pude ver a presença do líder, senpai Ricardo Lopes, tomando todas as precauções para que a integração entre os samurais do Niten fosse feita por completo, não permitindo que nos sentássemos perto daqueles que já conhecíamos. Isso propiciou uma aproximação entre todos e, ali, com essa medida, nosso líder fez valer o significado da expressão "Gashuku" (convivência mútua em harmonia).

Durante a corrida, eu tinha medo de não conseguir, de desanimar, de não acompanhar o ritmo. Afinal de contas, um Kohai com dois meses de treino, vindo de uma vida sedentária, tinha motivos bastantes para se preocupar. Mas a figura do verdadeiro líder entrou em cena: "Quem sai junto, chega junto!";"Se eu cansar, Senki!, se eu morrer Kiai!!!". E com expressões como essas, fui acompanhando a todos que ali estavam, não importando o tempo de treino nem a graduação. (...)

Saber ser líder, também é saber descobrir lideranças, mesmo que os próprios descobertos não tenham noção disso. Eis que nosso líder, sem hesitar, me escolhe para uma das tarefas mais honrosas do Gashuku, no meu modo de ver: a execução e regência do Hino Nacional. (...) Eu jamais imaginaria que a mim coubesse tal tarefa, mas o senpai parecia tranqüilo, como se soubesse que daria certo. Eu queria sumir nessa hora. Mas samurais são fortalecidos pela perseverança, e encarei o desafio com felicidade. Bom, acabou dando certo, pois recebemos nota 7 e não teve o temido "sapinho" por erro da letra.

O líder em que me inspirei para este relato ora era Senpai: técnico, focado, concentrado; ora era capitão: correndo, comandando e pensando à frente, para que tudo corresse como o planejado; e ora era amigo, sentado lado a lado com todos, falando de diversas coisas, como filmes e histórias em quadrinhos.

Domo arigato gozaimashitá Senpai Ricardo, por me ensinar o valor da verdadeira liderança, o respeito que um líder deve ter e me mostrar capacidades em mim que nem eu sabia que existiam. Essas lições seguirão comigo por todo meu caminho, em qualquer atividade que eu vá exercer, seja no DOJO, seja na minha profissão ou na minha vida familiar.

Tiago R. Gadelha
Brasília

7º Torneio por Equipes de Kobudo

por Luiz Otávio

Hai Mina san,

Hoje é quinta-feira, dia 16 de outubro. Fazem 4 dias que o 7º TBEK (Torneio Brasileiro por Equipes de Kobudo) terminou. Fica o "gostinho" de quero mais. Uma saudade gostosa do evento.

Já é o 5 torneio que participo (entre TBIKs e TBEKs), e todos eles foram idênticos e diferentes. Idênticos nas lições, adrenalina, diversão, companheirismo, entre tantos outros momentos de ouro nos torneios. O que é diferente é cada cidade e um pouco da organização, que tem um certo tempero da unidade organizadora, e as apresentações do Sensei, sempre com novidades.

Interessante como, em todos os torneios, o ambiente, repleto de pessoas completamente estranhas, se torna familiar e aconchegante. Acredito que tudo se deve a um elementos em comum: o Método Kir. São exatamente os valores do método Kir (Educação Japonesa, Bushido, Militarismo, Medicina e Cultura Brasileira) que nos transforma em uma grande família, não importa raça, cor, educação, classe social, sexo ou qualquer outra coisa.

Claro que fui ao Torneio com o intuito de vencer cada embate que participei, pois todo guerreiro deve ter a gana de vencer seu oponente, mas esse nunca foi o objetivo principal. O objetivo é o convivio com o Sensei, com os Sempais e com todos os alunos do Niten. Acredito que quem ainda não tenha ido a um torneio está perdendo uma grande chance de engrandecer seu conhecimento no caminho da espada.

Espero poder comparecer aos próximos torneios, me reencontrar com todos, e conhecer novos colegas do Niten.

Domo Arigato Gozaimashita Sensei Jorge Kishikawa
Domo Arigato Sempai Wenzel
Domo Arigato Sempai Ricardo Lopes
Domo Arigato Gozaimashita a todos os companheiros de Espada

Sayonara

Otávio

O Tambor e a Espada

por Akira Nishisaka

O tambor e a Espada

É incomparável os benefícios que o treinamento e os eventos culturais nos proporcionam no crescimento de nosso potencial de realizar e encarar qualquer tarefa. Com a evolução no treinamento tudo fica mais fácil e realizamos simplesmente “ o que tem que ser feito”.

Sempre tive interesse sobre a cultura japonesa e mesmo sendo descendente não tive muito acesso, devido vários fatores. E foi com grande satisfação que participei de mais um Evento Cultural do Niten na Unidade Brasília. Desta vez foi sobre WADAIKO – forma japonesa de tocar tambores, os TAIKOS.

Vou mencionar apenas 3 impressões sobre o Workshop de Wadaiko.

Uma é sobre as muitas semelhanças do wadaiko com o treinamento, seja no kenjutsu, jojutsu e iaijutsu. A postura semelhante ao kibadachi, a energia das batidas com a energia do KIAI, a precisão dos movimentos das baquetas com a precisão da espada, a harmonia dos sons como a harmonia de um SHIAI.

A segunda é sobre o comentário do senhor Márcio Minani, responsável pelo grupo Hikari Daiko que nos privilegiou com o workshop. Ele destacou a “DISCIPLINA, RESPEITO e POSTURA” dos alunos do Niten como grandes diferenciais. E enfatizou a rapidez e a seriedade diante do aprendizado das técnicas do wadaiko.

A terceira é sobre a conduta dos meus companheiros da Unidade Brasília durante o workshop e a apresentação do Hikari Daiko no Clube do Exército. Posso simplesmente mencionar:

Um só KIAI
Uma só BATIDA
Um só CORAÇÃO!!!

Arigato gozaimashita, sensei Jorge Kishikawa que esta em Musha Shugyo para nos proporcionar o melhor da espada que dá vida em abundância.
Arigato gozaimashita, aos companheiros da Unidade Brasília que me dão a honra de trilharmos juntos o “caminho da espada”
Arigato gozaimashita, ao grupo Hikari Daiko pela oportunidade de conhecer um pouco sobre wadaiko.

Akira Nishisaka – Coordenador do Instituto Niten em São Paulo

Treinamento com o mestre

Sensei em Brasília

por Ernani Kuhn

Tivemos a grande satisfação de receber o Sensei Jorge Kishikawa e o Senpai Numa em Brasília no dia 04 de junho. É difícil transmitir em palavras tudo o que se passa em uma oportunidade rara como essa! Já era possível perceber a expectativa dos colegas momentos antes do início da aula: todos concentrados e ansiosos por darem o melhor de si! Durante o treino dos Katas do Niten Ichi Ryu pude perceber o Ki, a precisão e a velocidade dos movimentos do Sensei. Percebi também uma forte transmissão de energia para os alunos. A cada movimento repetido a sensação era de que a nossa própria intensidade e o resultado eram maiores, com mais Kimê. Tive a grande sorte de, em dado momento, treinar os Katas com o próprio Sensei! Vou levar comigo aqueles momentos durante os treinos!

As demonstrações foram muito interessantes, eu nunca havia tido contato com as armas apresentadas e sua utilização. Foi bastante instrutivo e mostrou a grande variedade de técnicas a serem treinadas e aperfeiçoadas. E tudo realizado com naturalidade. Especificamente quanto às demonstrações de Iai do Sensei, com as explicações sobre a prática e as suas aplicações, ficou claro como é importante o seu domínio, que em épocas passadas poderia significar a diferença entre a vida e a morte. Desembainhar rápido era fundamental! As lutas de Kenjutsu foram impressionantes. A sensação de aguardar pela honra de cruzar espadas com o próprio Mestre é inusitada, algo do tipo “isso não está acontecendo”. Durante o combate, perdi a noção do tempo. Dentre tantos ataques rápidos e precisos, indefensáveis, surpreendia a tranqüilidade e a naturalidade com que eles iam surgindo, sempre como um “fator surpresa” em cada momento. Pude perceber também que o Sensei não se cansava... era o domínio da técnica, da respiração... Eu já estava buscando as últimas reservas, o discernimento já estava
desaparecendo, só restava a vontade de continuar.. e ele continuava absolutamente inabalável. Mais do que isso, os “tsuki” iam entrando um após o outro, empurrando-me para longe... Foi então que percebi, nessa situação limite, o espírito a ser trabalhado e desenvolvido: não importam as estocadas, o importante é ir para frente assim mesmo!

Domo arigato gozaimashita Sensei Jorge Kishikawa por honrar-nos com a sua visita.
Domo arigato gozaimashita Senpai Numa pela oportunidade de conhecê-lo.
Domo arigato gozaimashita Senpai Daniel pela perseverança e dedicação aos alunos de Brasília e Goiânia.
Domo arigato gozaimashita Senpai Ricardo e colegas da unidade pela organização.


Ernani Kuhn
Unidade Brasília


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