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Café com o Sensei

Pensamentos e comentários do Sensei Jorge Kishikawa




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    31-out-2008

    Obstinação demais!

    E então, meu caro(a). Refletiu? (30out - Vídeo de Obstinado)

    Então é o seguinte. Este vídeo me fez lembrar de um certo mestre, lá no Japão, que passou por décadas e décadas e felizmente conseguiu todos os seus objetivos: a graduação máxima. O tal do "máximo dan". O final do caminho.
    Dizia ele que, se dependesse de todas as taxas de inscrição a que fora reprovado, teria comprado uma casa para si e para a família.
    - Uma casa! - me "caiu a ficha".
    Casas e mais casas...
    É obstinação demais para mim. Correr atrás de uma graduação. Eu, que percorri este e outros caminhos, entendo o que acontece. No começo, todo mundo passa. Mas depois, lá no final, como que num processo de afunilamento, só 1 em 100 é aprovado. Os outros 99 vão voltar chorando para casa.

    É... Eu já lhe disse ontem que cada um faz o que quer nos últimos anos de sua vida.

    Quanto a mim, não vou fazer isto comigo. Ainda mais nos meus últimos anos da minha vida.
    Vou é curtir a minha família, os meus filhos, os meus netos (lá mais para a frente, espero) e, é claro, continuar com os meus treinos para a minha saúde. A minha mente. O meu espírito. Nada de pressa, ambição, nem ansiedade. Só a paz do espírito com o Verdadeiro Caminho...

    Ah! E também, acertar só o que eu tiver certeza do que vou receber.
    A família agradece!

    30-out-2008

    Vídeo de Obstinado



    Me perguntaram o que eu achava de um vídeo mostrando a insistência de um senhor prestando exame de kendo no Japão para o o 8° grau.
    Parece que o referido personagem sempre era reprovado e prestava seu exame pela "enésima" vez.

    Você, provavelmente, ficaria admirado por esta obstinação em conseguir (a todo custo!), a tal graduação.
    Permita-me dizer, se é que já não falei (27fev2007 - O não despertar), um pouco do que penso:
    Bem, é claro que cada um terá o direito de escolher o que fazer nos seus últimos anos de vida, mas deixe eu te falar duas coisas para você pensar, antes de ficar admirado com o vídeo.

    A primeira diz respeito ao índice de aprovação dos exames como o 7° ou o 8° dan. Lá no Japão, são os policiais e profissionais de educação física os que têm maior índice de aprovação. Bem como são os vencedores nos torneios. A razão? É simples: são profissionais. A maior parte deles já tinha um bom histórico desde os tempos em que eram crianças quando venciam torneios intercolegiais ou universitários, e daí eram chamados pelos "olheiros" para a polícia. Já tinham jeito para o esporte. E "bote" jeito nisso. Tem que se ter muuito jeito, senão não ganha. Não passa.
    O vídeo já é uma prova disso. O aprovado, em questão, Ishida, é um policial de Osaka, e já foi campeão japonês. Já o reprovado, o senhor obstinado... ah! prefiro nem comentar.

    Por hoje, vamos dar um tempo. Um tempo para você refletir. Refletir se você leva jeito mesmo para enfrentar os inúmeros exames ao longo do seu esporte...

    29-out-2008

    Estratégia a todo momento

    Acabei de receber este email de meu aluno:

    "Ohayo gozaimasu, sensei,

    Confesso que pensei muito antes de escrever este e-mail, acabo de ser jogado contra um canteiro perto da antiga rodoviária. Após o acidente, fui cercado por um monte de trombadinhas, que acabaram levando meu bogu e minha guitarra. Menos de um mês atrás, meu estúdio foi invadido enquanto eu tocava, e me levaram boa parte do equipamento, parte disso ainda não pude recuperar.
    Queria saber o que os mestres, o caminho, o Sensei, enfim, tudo isso à que estamos ligados indica fazer quando não há mais esperança.
    Peço desculpas por incomodar com este assunto,
    mas... não sei, não tenho muito a que recorrer.

    domo arigato gozaimashita pela atenção.
    Sayonara "


    Ao que respondi:
    Também já fui assaltado. Estava com o Yoshi quando este ainda tinha 2 anos.
    Era num domingo à tarde. Tranqüilo com aquele por do sol digno daquele cartão postal... lá na Av. Paulista em frente ao Shopping Paulista. Estava com ele no colo e fui surpreendido pelo bandido que sacou de uma peixeira de 30 cm e encostou nas costas do Yoshi. Imediatamente barrei com a minha mão.
    Nos tempos de outrora botei para correr, lá na Liberdade, dois marginais que tentavam abrir a porta da minha antiga Blazer.
    Mas desta vez, não reagi. Ele imediatamente arrancou o meu celular preso à cintura e saiu com a maior tranqüilidade. Todos viram e ninguém fez nada.
    Isto é Brasil.
    Naquele momento, senti indignação.
    Depois, refleti.
    O erro foi meu. Como um estrategista deixaria o celular (quase de última geração), e ainda com uma criança ao colo, em sua cintura? Em plena Av. Paulista?
    Sim, estava distraído. Estava feliz. Mas estava distraido.
    Na guerra, uma distração pode ser fatal.
    Foi o que aconteceu com você.
    Felizmente nem eu, nem Yoshi saímos feridos.
    Felizmente você não saiu ferido.
    Os deuses nos deram um aviso:

    "Não reaja e não dê bandeira."

    Estratégia a todo momento
    Sensei
    Lobo Solitário

    29-out-2008

    Velocidade, sim!



    Se brutalidade, citada no Café de ontem, não tem a ver com a espada, o que tem a ver?
    - A velocidade. - eu te digo.
    Não tem jeito.
    E não adianta se acomodar.

    Digo isso, porque há muitos praticantes que, ao se aproximarem da velhice, se apóiam no estético, dizendo frases como:
    - O importante é a postura. O importante é o espírito.
    Sem dúvida que sim. Mas a partir daí, dizer que não precisam da velocidade é como que fugir do propósito inicial: que, uma vez desembainhada, a espada está la para vencer.
    Com o tempo, as pessoas ficam caducas...

    28-out-2008

    Brutalidade

    Tudo bem, não precisa derrubar (ou arremessar) o adversário no combate, se ele é idoso, se é uma mulher, ou uma criança.
    O ideal é que você já tenha superado tecnicamente a ponto de não precisar fazer esta estratégia, caso entre em combate com um desses adversários. Isto nos tempos atuais, porque antigamente, caso
    vacilasse, pagaria com a vida, como o caso do samurai Arima Kihei, vencido por Musashi sensei, quando este tinha os seus 13 anos.

    Lembro-me nos tempos de kendo, quando o público feminino ainda inexistia. As poucas mulheres saíam machucadas de todos os treinos. Num
    torneio então, nem se fala. Alguns lutadores, que eram inclusive brutamontes do judô, quando ficavam em desvantagem, partiam com tudo para cima deixando-as com hematomas e contusões.

    Os juízes devem identificar imediatamente este tipo de atitude e anunciar;
    - Falta por excesso de força! - e pôr fim à brutalidade.
    Que nada tem a ver com a espada.

    27-out-2008

    Instinto na Arbitragem

    Aquele dia o sol estava de rachar...


    E justo nos meus olhos. Tive que fazer a arbitragem com a mão na testa.
    Fiquei imaginando como era difícil para os juízes nos tempos samurais.
    Se duelavam a céu aberto com o bokuto (espada de madeira) ou shinai (espada de bambu), a menos que um dos dois saísse ferido, teriam eles passado por momentos difíceis, suponho.
    Nos combates de kenjutsu e kobudô, os juízes precisam ter olhos de águia e instinto de tigre.

    Vale a shoto (espada menor), vale o círculo (en) (17out - Não é coreografia. É combate.), vale o sune (canela), imobilizar com a mão livre e muitas técnicas que acontecem em centésimos de segundos que um olho normal não conseguiria acompanhar.
    Desta vez também não foi diferente. Tive que usar além da visão, e da mão, o instinto.
    Já sabendo o que estava para acontecer...

    24-out-2008

    Tombaram com a shoto

    Se você estiver lutando contra um oponente que utiliza a espada curta (shotô), procure ficar bem esperto.
    Porque apesar dele utilizar uma arma pequena numa das mãos, ele tem na outra uma que é invisível.
    Neste Torneio do Rio (14out - Guerreiros e Cavalheiros), alguns samurais tombaram quando cruzaram com a espada curta.
    Um excelente treino para melhorar e conhecer a espada menor é o treinamento com o jitte.
    Para não ser pego.

    Jitte

    21-out-2008

    Flexionar com tudo

    Não é só com espadas que se flexiona os joelhos.

    Outras armas como o Bo (bastão longo) também requerem o preparo físico e coordenação das pernas.

    No vídeo que te mostro hoje, você poderá conferir.




    Sensei e Senpai Wenzel demonstram Katori Shinto Ryu Bojutsu no Dia do Samurai 2007

    20-out-2008

    Flexione os joelhos

    Escrevi, no Café de sexta (17out - Não é coreografia. É combate.) que:
    "Musashi Sensei condenava os estilos que se preocupavam demais com a postura ereta, flexionar os joelhos ou se apegar a detalhes de como fazer uma postura (kamae) 'correta'".
    Não fui claro.

    O que eu quis dizer é que flexionar os joelhos faz parte de um combate com a espada. Estilos renomados como o Niten Ichi Ryu, Suiyo Ryu ou o Katori Shinto Ryu tem nos seus vários katas a flexão dos joelhos.
    Aquele que sabe utilizar esta técnica amplia o seu leque de opções para o ataque ao adversário, como no vídeo em que o Brum acerta o "utigote". 




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