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Café com o Sensei

Pensamentos e comentários do Sensei Jorge Kishikawa


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08-set-2015

Reflexões de Fim de Semana 4 - Kendo x Kenjutsu

Em 2009, durante as comemorações do Dia do Samurai, universitários japoneses praticantes de kendo vieram ao Niten para, segundo orientação de seu professor, conhecer as antigas técnicas do Kenjutsu.
Vídeos técnicos foram enviados para que pudessem se ambientar com o que encontrariam aqui no Dia do Samurai.
A confraternização, entre as várias demonstrações do Niten, incluiu também combates para o aprendizado dos japoneses.
O vídeo dos combates em São Paulo foi exibido neste Gashuku e as impressões de cada um dos alunos foram as que se seguem:








"A confraternização (Dia do Samurai 2009) tornou-se uma situação de combate. Porém, se fosse um combate real, ao final não teríamos nenhum participante do time de Kendo vivo para contar sobre os acontecimentos. Ficou claro que a técnica supera a força. Ficou clara a eficiência do Kenjutsu. E infelizmente, o árbitro utilizou um evento de confraternização para um desafio. Uma pena, pois os alunos de Kendo perderam a chance de aprender. Uma pena, pois com o registro em vídeo, ficam claras as falhas dos instrutores de Kendo em ignorar regras que previamente foram apresentadas." - Guimarães (Unidade São José dos Campos)

"También pudimos asistir al vídeo de kendo x kenjutsu, donde pudimos apreciar como los practicantes de kenjutsu, con sus variedades de kamaes (posturas) y estrategias fueron ampliamente superiores a los practicantes de kendo, apegados a un único kamae rígido y tácticas fuera de toda lógica de combate real. Somos afortunados al poder entrenar una variada cantidad de armas (una y dos espadas, espada corta, naginata) lo que nos aporta una gran variedad de estrategias a elegir dependiendo la ocasión." - Huarte (Unidade Buenos Aires)

"Entendo que seja difícil para um árbitro deixar de lado décadas de entendimento sobre o que é um ippon (ponto) pela ótica exclusiva do Kendo, mas me pareceu que houve uma incapacidade ou ausência de vontade em manter a mente aberta a novas possibilidades. A resistência em marcar diversos golpes, como aqueles com a Kodachi (espada menor) ou de técnicas de Soete (mão sobre a lamina), chegou a ser absurda. Se o cenário fosse transmitido para lutas reais, o desfecho de vários embates obviamente teria sido favorável aos alunos do Niten.
Por outro lado, achei bastante interessante ver a velocidade com que alguns alunos do Kendo desferiam seus golpes. Houve pelo menos dois mens que eu gostaria de ver de novo.
No fim, a sensação que ficou foi de tristeza pela postura dos membros da delegação de Kendo. Preferiram competir, de forma inflexível, e usar apenas as regras que lhes favoreciam, ao invés de aproveitar uma grande oportunidade de crescimento."
- Matsuda (Unidade Caxias do Sul)


"O filme do encontro entre Kendô e Kenjutsu não foi menos relevante para minha formação. Além de um sentimento de vergonha pelo caráter mostrado pelo mestre japonês, pude ver quando a competição destrói centenas de anos de tradição pelo simples gosto pela vitória. Pude entender por que o Sensei repete tantas vezes que o objetivo não pode ser apenas ganhar medalhas. Agora posso dizer com o espírito em paz: concordo totalmente com o Sensei. Não menos importante, com base nesse filme, entendo que o mestre Baba esqueceu-se porque aqueles jovens subiram a montanha. Afinal, não se precisa subir a montanha para ganhar medalhas. É mais fácil passar em uma loja de esporte e comprar quantas você quiser. " - Germano (Unidade Sorocaba)


"Pela noite, pudemos assistir o vídeo do kendo X kenjutsu e foi um tanto quanto revoltante a atuação dos árbitros japoneses, chegando a beirar a arrogância ou até mesmo a incompetência, o que não seria lógico, levando-se em consideração a origem cultural e os longos anos de experiência que eles possuem no kendo. Golpes perfeitos de brasileiros que não pontuavam, críticas à torcida dos alunos do Niten, anulação de técnicas com as duas espadas, entre outras observações me fizeram pensar se valeu a pena a vinda dessa comitiva de atletas japoneses ao Brasil...
A única coisa que me deixou mais aliviado foi saber que, ao chegarem no Japão, três quartos dos alunos daquela universidade desistiram do kendo, o que mostra que pelo menos eles perceberam o quanto as técnicas do kenjutsu eram eficazes e que acabaram ganhando injustamente, por simples "ego ferido" de seu mestre."
- Matta (Unidade Ponta Grossa).







Mais relatos no Mural dos Alunos

04-set-2015

Golpear é Facil

Um golpe "fácil", não deve ser realmente fácil.
O Mestre precisa manter o rigor em cada um dos movimentos,
para evitar o risco dos alunos acreditarem que golpear pode ser "fácil".


01-set-2015

Reflexões de Fim de Semana 2 - Buscar a resposta

Há quem possa estar equivocado e perguntar:
- O Niten não é uma academia onde se ensina o verdadeiro Budo?
 Não é onde se ensinam as artes mais tradicionais, como o Kenjutsu e outros?
 Então por quê dedicam tanto tempo falando sobre guerra e outros temas que nada tem a ver com o Budo?
A resposta pode não agradar aos que apenas buscam medalhas e graduações em artes marciais, mas darei uma explicação, para que fique mais claro a todos:
- Aqui ensina-se o Budo, o Kenjutsu e também assuntos relacionados ao espírito do povo japonês. Sua História, Cultura e Filosofia.
Aquele que busca as origens e o modo de pensar de um povo, jamais conseguirá isto apenas se exercitando.
O Niten não é apenas exercício, é um Instituto Cultural. É onde juntos, vamos buscar as respostas de nossa existência.












"Para mim esse Gashuku foi o melhor, pois, vi o filme/documentário com os comentários do Sensei.
Desde que entrei do Niten estou descobrindo a tradição que existia em minha família e eu não via.
Com isso me arrisco a afirmar que entrar no Niten foi a melhor escolha de minha vida
."- Kiryu (Unidade Campinas)



Kiryu (Unidade Campinas)


"Um dos principais motivos para a minha ida também foi para assistir aos audiovisuais. Sendo de descendência japonesa, desde mais nova eu carregava um sentimento de incerteza sobre a Segunda Guerra, sobre como me sentir ao me posicionar a favor ou contra o Japão por ter entrado na batalha. E percebi que era imprescindível ir até São Paulo para tentar sanar essa dúvida e tentar buscar uma resposta."- Tiemi (Unidade Curitiba)



Tiemi (Unidade Curitiba)


Mais Relatos no Blog dos Alunos

31-ago-2015

Reflexões de Fim de Semana 1 - Toque de Mestre

A infinidade de posturas de combate (kamaes) no Kenjutsu faz com que o praticante se esforce em absorver as noções básicas, suas aplicações e, se pretende almejar a maestria, o segredo de todas elas.
Sem dúvida, um caminho longo para se chegar até a faixa preta Shodan, e não adianta tentar tomar atalhos, pois a espada ¨não mente¨.
Descobrir os detalhes e as nuances que estão em cada kamae herdados pelos ancestrais samurais é importante para se chegar ao objetivo: o conhecimento e a invencibilidade.



"No Gashuku ter uma correção direta do Sensei é um privilégio e não ir é perder uma grande chance de ouvir Gokui (segredos) e histórias que não se ouve duas vezes" - Fábio (Unidade Sorocaba)





"Por fim, as técnicas nos treinos e nas 3 vezes em que vestimos Bogu (armadura de proteção): a cada Gashuku uma nova descoberta, que sempre esteve ao nosso alcance desde o primeiro dia de Niten - desta vez, para mim foi "mágico" descobrir que o Hasso Migui (postura da Árvore) realmente existe no combate!!! É certo que sofri uma infinidade incontável de "Mens" (golpe sobre cabeça) por causa da minha insistência, mas ter descoberto apenas um; um único "Men" isolado que sempre esteve lá, desde o meu primeiro dia no Niten, no segundo Kata de Musashi Sensei, talvez tenha sido um verdadeiro início.... Pela primeira vez e foi nesse Gashuku que me senti de volta a minha primeira aula... Na verdade descobri que sempre estive nela, nunca sai dela..... E pude concluir - hoje eu "comecei" verdadeiramente... Antes eu não sabia absolutamente nada, mas hoje parece que "eu vi alguma coisa". Foram 2 anos de preparação para "começar".
Na revisão dos kamaes em cada graduação veio a energia que me invadiu como um "tsunami": ainda falta tudo isso e mais muita coisa que eu ainda nem vi, mas a PRIMEIRA AULA de verdade parece que chegou na metade no domingo.... A força agora é para concluir essa primeira aula, cuja ficha ainda está caindo......"
- Pontes (Unidade Itaim)






" A correção dos Kamaes no começo do Gashuku foi algo excelente para minha evolução, principalmente no kamae Hidari Naname Chudan (postura da Correnteza do Oeste)." - Erick (Unidade Santos)






"Para a minha atual etapa no caminho, achei muito proveitoso poder acompanhar a revisão de Kamaes passada pelo Sensei. Corrigi muito erros e acredito que dei mais um pequeno passo no caminho." - Germano (Unidade Sorocaba)







¨Há algum tempo eu estava preocupado com o meu nível de luta e com o tempo que eu estava demorando para progredir no caminho, mais especificamente o tempo que estava demorando para alcançar o 5º kyu de kenjustu, isto me deixava muito preocupado e por vezes até nervoso, pois eu via colegas que começaram ao mesmo tempo ou até mesmo depois de mim no Niten passando de nível e me perguntava o que faltava para eu conseguir também, mas agora olhando o que o Sensei corrigiu nos meus kamais (posições) eu acho que tenho uma ideia melhor de onde eu preciso melhorar.
O fato de eu não ter passado nesse Gashuku me mostrou uma coisa muito mais importante, acredito eu: Percebi que não entrei no Niten para ser um Senpai, eu entrei por que é algo que eu sempre quis fazer, por que eu gostei muito da filosofia do instituto, continuei treinando porque aprendi muito com o bushido, esse meu nervosismo e preocupação estavam me desviando do meu caminho.
Nesse sentido estava falhando no primeiro voto e o pior é que eu demorei muito para perceber isso, mas com tudo o que aconteceu nesse Gashuku, acredito que tenha entendido, então de agora em diante eu vou treinar para me aperfeiçoar no caminho e sei que vou passar de kyu quando chegar a hora certa.

Então acho que o que eu quero dizer com todo este relato é arigato gozaimashita por me fazer perceber isso sozinho, acredito que agora irei aproveitar mais os treinos e os ensinamentos.
Vou me dedicar mais ao meu caminho para não ser superado novamente ¨-
Bergamini (Unidade Vila Mariana)







"A manhã do dia 22 começou fria em São Paulo, mas não tinha frio que segurasse os kiais que irradiavam do templo. Sensei começou com uma verdadeira revisão sobre todos os kamaes, juntou todos os samurais do templo no meio da quadra, um por um foi corrigindo suas posturas, seus vícios, verdadeiro toque de mestre que temos poucas oportunidades de presenciar." - Simas (Unidade Brasília)























































24-ago-2015

Para Vencer a Guerra...

Costumo falar há 24 anos, que estamos vivendo tempos em que para ser o número 1 entre 100, não basta o diploma.
Para ser sincero, acredito nisso desde que consegui meu primeiro emprego em um ambulatório.
Estava disposto a conseguir aquele emprego, por várias razões: era próximo à minha residência, o salário era bom para quem estava começando, e o ambiente era bom.
Ao final da entrevista, consegui a vaga pois o entrevistador convenceu-se de que mais valia ficar com um "samurai" do que com "mais um médico".
Desde então, tenho me dedicado a orientar meus alunos de que para vencer a guerra não é preciso impor o diploma.
É preciso ser um Samurai Moderno...



20-ago-2015

Previsível e o Imprevisível

Diante do constante questionamento sobre as diferenças entre Kendo e Kenjutsu, respondo aqui de uma forma prática.
A diferença é que a especialidade do Kendo é ser competente em lutar contra uma posição tática previsível,
enquanto que no Kenjutsu, ser competente é lutar contra uma posição tática imprevisível.




Meu arsenal de armas no treino de Kenjutsu

17-ago-2015

HIDENSHO 52 - Duvidei e errei

"Tendo participado do treino de kusarigama (foice e corrente) do Sensei, às vezes ainda me perguntava se essa arma, ainda que fascinante e poderosa, levaria seu usuário ao caminho da invencibilidade.
Da distância com que começamos nossas lutas, como uma arma com um alcance tão longo poderia vencer de uma espada?

Fiquei surpreso em ver o Sensei pegá-las para me enfrentar, e ensinar, no treino de sábado.
A primeira coisa em que pensei foi em avançar logo nos primeiros movimentos da corrente e desferir um golpe veloz e, antes que eu percebesse, a foice do Sensei cortou meu braço. Senti mais um corte na nuca e meu corpo foi arremessado ao chão. Não estava certo, deveria enfrentá-lo de outra maneira.
A batalha recomeçava e a cada kamae que armava, esperando um golpe da corrente para contra-atacar, perdia um braço, uma cabeça, a espada. Estava errado, não podia ficar parado.
Tentei me aproximar de novo, dessa vez com mais cuidado, mas fui jogado ao chão como da primeira vez. Ainda estava errado.
Finalmente entendi: eu havia duvidado do mestre, e por isso estava errado.

Querendo ou não, questionei o tempo que o Sensei passou para aperfeiçoar o uso dessa arma, que juntos derrotaram cada um dos meus kamaes com tanta facilidade (e por mais incrível que pareça, nenhum desses golpes que me pararam chegou a machucar...).

A maioria dos que frequentam o Dojo do Ana Rosa já viram o Sensei praticar com seus Kusarigamas. Não parece simples e fácil balançar uma espada quando nunca se pegou em uma?

Por curiosidade, procurei pelo duelo entre Musashi Sensei e Shishido Baiken, mestre do Kusarigama. Segundo a lenda, Musashi Sensei, que foi imbatível, arremessou uma de suas espadas para vencê-lo. Mas tenho certeza que arremessar uma espada naquele dia não me faria vencer...


Sensei, Domo Arigatou Gozaimashita por esse dia! " 
- Akio (Unidade Vila Mariana/templo Nikkyoji) 



Kussarigama em ação

13-ago-2015

Descobrir a Verdade

É possível descobrir a Verdade através do treino com a Espada?
Apesar do treinamento com a Espada estar acessível para todos hoje em dia, descobrir a Verdade, não.
Como assim?
O treinamento com a Espada depende tão somente de didática.
A busca pela Verdade exige determinação: é Kenjutsu.





06-ago-2015

Há 70 Anos, 240 mil vidas

Há exatamente 70 anos, um fato inédito iria mudar o rumo da história: a bomba atômica "Little Boy" foi lançada de um B-29, sobre Hiroshima. Após 3 dias, a "Fat Man", em Nagasaki. Juntas conseguiram fazer mais de 240mil vítimas instantaneamente, causando a rendição japonesa na 2ªGuerra Mundial.
Este tipo de energia, que tanto pode ser usada para o bem como para o mal, pode ter um efeito devastador. Há 3 anos, o tsunami que devastou a usina nuclear de Fukushima nos mostrou que esta é uma força que o homem não pode controlar.
E agora, o Japão acaba de aprovar um polêmico rearmamento, acabando com 70 anos de paz desarmada. Fica a pergunta: guerrear ou não guerrear?
Neste dia fatídico, não defenderei o uso ou não da bomba, a construção ou não de usinas.
Apenas trago imagens que captei quando estive lá, para que seja parte de um material para reflexão a respeito de um tema que aflige a Humanidade desde tempos remotos: a Guerra.
A outra parte deste material estará no próximo treinamento intensivo (Gashuku), em que com certeza, seus sentimentos não sairão intactos.
O estudo desse material ajudará na reflexão, sem influência de grupos armamentistas ou não, se você é contra ou a favor da guerra.
Por ora, oremos, de coração, para que as 240.000 almas descansem em paz...




Irmão maior carrega o menor (morto)




Testes nucleares feitos em diversos países 



Cavalo com sequelas da bomba




Garrafas deformadas pela radiação





Idem




Telha deformada pela Radiação



Triciclo do menino de 5 anos, morto quando brincava - Capacete do pai




Em frente à uma das bombas que caíram em Tokyo






Atividade para reflexão que estará no próximo Gashuku...

04-ago-2015

A Tática Cala

A Tática sobrepuja a Força. É a maneira dos mais fracos calarem os mais fortes.





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