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Café com o Sensei

Pensamentos e comentários do Sensei Jorge Kishikawa


Últimas postagens:

06-ago-2013

Mokuto...

Neste mês em que comemoramos os 20 anos de fundação do Instituto Niten, não posso deixar de falar de minha satisfação.
Hoje, dia 06 de agosto há 68 anos, às 8 e 15 de manhã, quando os adultos iam ao trabalho e as crianças à escola, saltava o Little Boy, o mais terrível monstro de todos os tempos para aniquilar nada menos que 250.000 seres humanos em Hiroshima.
Fogo, incêndio, cadáveres, sofrimento, dor e morte era o cenário cujas vítimas perambulavam como mortos vivos pelo inferno e, as poucas que sobreviveram, sofrem até hoje os efeitos químicos de Little Boy.
Domingo, dia dos Pais. Dia para se celebrar para aqueles que ainda tem o seu, dia para cultuar para os que já se foram. Mas não nos esqueçamos, ou melhor, lembremos, procuremos entender, sentir aquela tristeza daqueles milhares que, em meio ao inferno, se tornaram órfãos pelo destino.
Mas, porque satisfação?
Na última sexta, falei aos jovens do Niten que desde os primórdios de sua fundação, o Niten tem levado o ato de solidariedade a todos os que precisavam. Isto porque temos o nosso 4º lema, o qual recitamos em todas aulas, está calcado a obrigação (não só o sentimento) de fazer manifestar dentro de nossos corações o "jihi". O primeiro ato solidário, foi o de encher um caminhão inteiro de mantimentos para a casa de leprosos em Belo Horizonte. Depois veio a doação de 25.000 litros de leite às crianças desnutridas em Fortaleza, e assim por diante, sendo que o último foi na casa Hope, das crianças carentes com câncer.
Nestes 20 anos, ter passado aos meus 14.000 alunos e os mais de 100.000 simpatizantes, os horrores da guerra e o sentimento de "jihi", a compaixão que devemos ter com todos os seres.
Pode ser pouco, mas estou contente.
Pode ser pouco, mas é o que pudemos fazer até agora e por isto a minha satisfação.
Tenho certeza que o Caminho é por aí e continuaremos levando o "jihi"a todos os povos e às próximas gerações.
Agora, às vítimas vamos fazer um minuto de silêncio.
Mokuto..........



Esse Garoto em Nagasaki, trouxe seu irmão morto à pira de cremação e aguarda em posição de sentido sua vez de dar o adeus final.

02-ago-2013

20Anos Voar!


Neste dia 18, domingo, o Niten comemora 20 anos.
Entre os vários eventos que vão ocorrer, desde sexta-feira, está o tão esperado "O Shiai das Feras". O combate dos 16 mais fortes em Kenjutsu nos últimos anos.
Sim. O "tão esperado" tem a sua razão de ser.
Há dois grandes motivos para tal:

O primeiro: porque nunca, nestes 20 anos de Niten, foi feito um torneio onde se confrontaram apenas os mais fortes no combate da arte samurai (a divisão nos torneios sempre foi por categorias).

O segundo: porque nunca antes na história, que eu saiba, pôde-se constatar, de forma quase realista, da eficácia de cada arma, kamae (posição de luta) e técnica no combate da arte samurai, isso tudo com praticantes assíduos de Kenjutsu.
 
No Kenjutsu combate, o aprendizado começa com o primeiro passo, nasce na sua posição básica: o tchudan (ponta da espada voltada ao rosto do oponente). No decorrer do processo, passa-se para outras mais complexas, como um falcão a sair de seu ninho. Ganha-se outros rios, mares e montanhas: duas espadas, espada menor e outras que fazem parte das técnicas que eram executadas na antiguidade. O falcão sai de sua zona de conforto.
Por fim , o falcão após voar tão alto, atinge outros céus, estrelas e constelações. É quando, apos uma jornada intensa, completa o seu estágio do aprendizado pela Forma (o Ukô) e parte para a Não Forma (o Muko).  É o estágio em que ele luta como quiser. Do jeito que quiser. Sem posição, sem kamae: Livre.
Livre como o Vazio (Mu), o qual tanto buscou o nosso mestre e tantos outros como Musashi Sensei.
Da Forma para a Não Forma, da Zona de Conforto para a Liberdade, os 16 samurais vão nos mostrar, neste que será um grande dia, até onde conseguem voar!!!

 

   Mu - O estado do vazio

26-jul-2013

Hidensho 38 - O Imaterial


"Estive pensando sobre o meu treino desta última quarta-feira e os 10 golpes consecutivos recebidos do Sensei e sinto que toda esta meditação foi inconclusiva.
Consigo lembrar-me dos cortes que em eras passadas separariam os braços das mãos. Em uma movimentação que não era rápida ou fintada, apenas reagia ao ambiente para entregar o golpe necessário. Como se a luta simplesmente me conduzisse aos movimentos necessários para que os cortes fossem executados.

Recordo-me então de uma cena na história de Musashi Sensei, que, ainda jovem, ao buscar um confronto com Yagyu Sekishusai, encontrou uma única flor cortada por ele, e, ao visualizar o ponto onde o caule foi golpeado, sentiu quão estava distante da qualidade do corte que o mestre executara. Será que eu já estava cortado antes mesmo da luta começar?" - Marques Daniel (Unidade Sumaré)

 

Em eras passadas eram necessários os braços separados, o crânio partido ou a vida perdida para colocar à prova a Estratégia. Para ter a certeza se você tinha ou não o talento e até onde ele chegara. Felizmente, hoje com o equipamento de proteção (bogu) e as espadas de bambu (shinai) é possível sabermos (e nos convencermos) da eficácia do que os antigos denominavam de KENJUTSU e a partir disto, comprovar o nosso verdadeiro talento, habilidade e conhecimento na Estratégia.

Musashi Sensei (1584-1645), fundador de nosso estilo Hyoho Niten Ichi Ryu Kenjutsu, e que já era muito talentoso àquela altura, tinha olhos para entender em um simples caule cortado que o seu oponente era habilidoso o suficiente para o seu "treino". Seguindo esta linha de pensamento e transpondo-o aos dias de hoje, somente aquele que evoluiu bem no treinamento saberá (e se convencerá) do verdadeiro poder que está por trás da execução de 10 golpes consecutivos  sobre o seu oponente. No caso deste depoimento, no golpe sobre o hidari kote (antebraço esquerdo) realizado a partir do Joge Nito (posição de duas acima e abaixo) sobre o oponente com Itto (uma espada). O treino foi cronometrado e tudo ocorreu num piscar de olhos: 2 minutos. 

Obviamente que isto não ocorreria se não houvesse, como comentei, o material bogu e o shinai dos dias de hoje.

E do imaterial, espiritual, conhecimento secreto ainda não desvendado, que leva o nome do Café de hoje e de tantos outros: Hidensho.

 

É possível que a reflexão de Marques não tenha sido inconclusiva.
 

"Conhecimento não Desvendado"

24-jul-2013

Samurais vs frio

1º Voto do Hagakure: Nunca ser superado no Caminho do Samurai.

O frio chegou e levei um golpe que eu não esperava.

Os 20 anos se passaram e pelo jeito os alunos também.
Preciso rever os meus conceitos depois deste email:

Konbawa, Sensei.
Shitsurei shimassu,
Hoje, em um dos dias mais frios do ano, fui treinar na Unidade Sumaré como tenho por costume, quando não estou em viagens a trabalho.
Qual foi a minha surpresa quando percebi que todos os 11 samurais presentes foram para treinar Iaijutsu! Um exemplo do entendimento do primeiro voto do Hagakure, realmente.
É verdade que não tenho muito tempo de Niten, mas lembro-me de que certa vez treinamos em 3 apenas, espremidos no cantinho do dojo, pois havia muitos alunos de Kenjutsu.
Senti-me feliz de ver que os praticantes de Iai estão com o espírito forte e cheios de KIAI para treinar. Isso elevou ainda mais minha sede pelo treinamento.
Não poderia terminar sem deixar de lembrar da passagem do Shin Hagakure "Sibéria Brasileira, a Última Chance": pode ser que São Paulo não tenha chego aos -3ºC nesta terça-feira, mas esses 11 samurais mostraram que não temem tal adversário."
Cavalcante - Unidade Vila Mariana - Templo Nikkyoji

Como bem foi citado por um aluno no Café passado: "O que nós fazemos é incrivel!"
E, por ser incrível, nem o frio tirou a disposição dos alunos na noite mais fria dos últimos 13 anos.
Continuem me golpeando.
Estou torcendo por todos vocês!




"Sibéria não é mais problema no Niten?"

23-jul-2013

Um arco-íris no final do dia

O dia em que os nossos jovens vislumbraram um arco-íris no final do dia: anteontem, domingo, no Anime Friends.
Não preciso falar sobre mangás, pois sei que eles sabem muito mais do que eu.
O Hayabusa (grupo dos jovens do Niten) esteve lá e, pelo que ouvi, fizeram sucesso. Entre apresentações e workshops, levaram a filosofia samurai às novas gerações. Bravos!
Além de se divertirem bastante, pelo que entendi, chegaram a conclusões interessantes que repasso aqui no Café (não esqueça de ver o arco-íris no final):
 
 
"Aprendi que o importante não está em grandes atos ou em grandes medidas, que o importante está no pequeno detalhe, seja ele um Arigatou gozaimashitá (Muito obrigado) ao senpai (veterano) ou um "Gambate!" (Força!) a um colega de treino assim mantemos o que é de grande importância: os valores, virtudes, e em especial os laços de amizade que criamos e fortalecemos naquele dia.
 
Aprendi também que não precisamos "nos mostrar grandiosos" ou tentar fazer atos incríveis no palco, afinal como o senpai Fugita disse [shitsurei-shimassu(licensa) por citá-lo]: "O que nós fazemos já é incrível"!
 
Então por isso apenas temos que fazer o que sempre fazemos sem criar ou inventar nada, dando sempre o nosso máximo e fazendo aquilo com emoção.
 
A importância de manter os ensinamentos no dia a dia também foi uma lição que pude absorver quando um ex-praticante de Kendo da cidade de Franca veio até nós e elogiou o Niten, o trabalho que estávamos fazendo, falando que devíamos continuar com o bom trabalho pois os valores que aprendíamos ali era o que nos impedia de ir para o "mal caminho" e que iria nos tornar boas pessoas.
 
Foram vários os momentos que gostei mas o que mais gostei foi quando antes de irmos ao palco estávamos treinando duro para estarmos afiados nos katas (sequências) e irmos nos apresentar e fomos agraciados com um belo arco-íris ao qual todos pudemos observar e em seguida treinar sobre a luz do sol e de um belo arco-íris.
 
Arigato gozaimashitá Sensei."- Rezende (Unidade Tatuapé)
 
Divertir. Brincar. Aprender.
Três palavras que fazem do Niten um local único no aprendizado do Caminho Samurai, e quem me conhece sabe como gosto de me divertir e brincar.
Há uma lenda que diz que os duendes escondem um tesouro no final do arco-íris. 
Os nossos jovens foram agraciados pelos Deuses com este arco-íris, que onde, com certeza, existe um grande tesouro. Um tesouro que lhes dará asas para voarem livres como eternos Hayabusas*!
 
 
Hayabusa = Falcão Peregrino em Japonês, o animal mais veloz (até 389/kmh)

"Um tesouro no final do dia"

18-jul-2013

20Anos Fotos 5



Dia de treino com jojutsu na Unidade de Itaim. Apesar do perigo, alguns dias, a demanda era tanta que precisávamos subir ao palco para que todos pudessem treinar. Sucesso total. 

 
 


Pelo agasalho que estou vestindo, concluo que seja nos primeiros anos do NIten.
Explico: o agasalho era o uniforme da seleção brasileira de kendo quando fui para Toronto em 1991. Depois de um treino suado no inverno, os Momentos de Ouro era tudo do que precisavam os alunos para fechar uma noite bem dormida. Neste dia, havia um visitante praticante de kendo. Note que o piso parecia gelo. E era... 

 




Aula no Congresso Brasileiro de Artes Marciais na FEFISA (1995) 

 



Ritual sagrado depois da aula de sábado de manhã: água de coco no sacolão da frente. Fizesse frio ou calor, depois da aula tinha que ter a tão esperada água de coco. Os alunos naquela época estavam acostumados a me ver com uma blazer ou "roupa de médico". Isto porque eu andava com um bip (tipo um aparelho para chamar os médicos, quando ainda não havia o celular), e caso fosse "bipado", precisava ir ao hospital no meio de uma aula. Não estavam acostumados a me ver de "samue" como hoje. 
Nesta foto está Tereza, pediatra. Foi a primeira aluna do Niten.


 

17-jul-2013

20Anos Fotos 4



Osvaldo foi certamente o primeiro aluno de Iai. Nesta época, as aulas ocorriam às terças a noite, após um dia inteiro em hospitais e ambulatórios. O celular na foto até que é pequeno, comparado aos da época.
Algumas vezes, as aulas transcorriam com a roupa branca, como neste foto.
Lembro-me de ter que correr às pressas após esta aula, para dar assistência a um paciente com complicações no pós-operatório.




Durante a apresentação das teses, um fato inusitado: um aluno trouxe uma cascavel para ilustrar melhor a sua parte. Foi a tese vencedora do ano. 




Milton foi o primeiro aluno de Shindo Muso Ryu Jodo na América Latina.
Falava pouco. Chegava sempre adiantado (1 hora antes de início), fazia a limpeza do local muitas vezes sozinho e era o último a ir embora.
Do tipo raro que faz falta.




Local predileto nos finais de ano, o karaoke do Niten era sempre um sucesso.
Aqui tento ensinar uma das canções que marcaram uma época: "Subaru"





Um dia no Zoológico




Nos estudios de uma TV.
O pessoal do programa do Thunderbird havia marcado que chegássemos às 13h para a gravação, mas ficamos até às 18h esperando.
No fim um misto de revolta e frustração: o programa encerrou e não fizemos a gravação (só quem já passou por esta humilhação sabe o que estávamos sentindo).
Mas no fim, fechamos em clima de bom humor e alegria : com um bom "copo sujo".




Era assim nos primeiros dias: alunos de meia idade que já haviam passado por outras artes marciais e que buscavam o "algo mais" que não haviam encontrado. Nada de medalhas ou troféus
Pouco a pouco estes 5 se tornaram 20 e dos 20 chegaram aos 50.  E hoje...
Acredito que encontraram...




16-jul-2013

20Anos Fotos 3



Podemos dizer que estes foram os primeiros brasileiros praticantes do Iai na América Latina.





A abordagem do treinamento com a katana faz sentido no Niten, uma vez que o objetivo é resgatar a tradição guerreira dos samurais.





A busca da perfeição nos mínimos detalhes era feita no palco da antiga Unidade Itaim, o local de partida de todas as outras.





Ao contrário do que pensavam os japoneses na época, os brasileiros, no Niten, puderam demonstrar que tinham percepção suficiente para entender a cultura japonesa.





Kendoca do Peru visita o Niten nos primeiros dias. O interesse em aprender técnicas novas é grande já nos primeiros dias da Unidade Itaim.




 Logo a seguir, praticantes de outros grupos de kendo do Peru vieram para aprender as técnicas do Niten. Nesta noite, uma comitiva de três praticantes!





No SESC São José do Rio Preto. Após 8 horas de de van, fizemos demonstrações de kenjutsu, iaijutsu e jojutsu. O final foi compensador com muita diversão e alegria.




Ao meu lado, Iwassaki, esposa, sua filha e seu filho: Confraternização do Niten com grupo de kendo no interior paulista. Na época, o instrutor de lá, Iwassaki, japonês formado pela universidade de Kokushikan,  foi o técnico da seleção brasileira em Seul1988 e Toronto1991, na qual participei como capitão.
  Havia desde aquela época,  uma grande amizade e que perdura até os dias de hoje. Suamos, rimos e choramos juntos por várias vezes. Um grande amigo que me apoiou a seguir o meu próprio Caminho : O Niten.
Observe que o coordenador Joel também estava aqui.
  Não dá para acreditar...



 

12-jul-2013

20Anos Fotos 2







Lê-se no fundo " A conquista do espaço ". Neste dia dá se início a primeira de centenas de minhas jornadas às unidades do Niten.
A mais antiga unidade do Niten: Porto Alegre.
Os mais novos talvez não conheceram o aeroporto antigo que está nesta foto.





No treino, Percebi que os gaúchos tinham uma garra diferente do que já havia visto, o que explica toda a história do Sul.




Sempre digo que é importante ter uma família que te apoia em seus projetos.
O sucesso de Joel se deveu a dois fatores: a primeira foi a sua determinação em pegar 20 horas em um ônibus até SP, me encontrar e falar:
-Eu quero ser coordenador do Niten!
A foto já fala por si o segundo fator: Rafael e Handra, seus filhos foram também alunos do Niten.
Nesta foto, amanheci no seio desta bela família, a 5 graus celcius.





Ver a cultura gaúcha acompanhado de churrasco e dança típica fecham com chave de ouro qualquer jornada.
Decidi que a partir deste dia, iria conhecer todos os povos e suas culturas levando a eles a espada que dá a vida .




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