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Relatos


10º TBIK - Os Guerreiros de BH

por Pacheco Barbosa

Sábado dia 14 de março de 2011, fui assistir pela primeira vez a um torneio de kobudo já havia asistido a muitos treinos no período de 2001 a 2004 em Belo Horizonte, mas campeonato é diferente.
Cheguei por volta das 9:30 e saí ás 18:30 do local do torneio. Foram horas de alegria, boa convivência que não se arrefeceram com o passar das horas. Saí cansada físicamente, mas com energia renovada e muito bem interiormente. A impressão que tive que estes sentimentos eram também dos atletas e não atletas. Mas havia em mim um ouro sentimento que estava comigo desde as primeiras horas daquele dia, o do orgulho. Orgulho de ver a unidade BH como uma Fénix que ressurge das cinzas e readiquiri a sua luz. O sorriso estampado no rosto dos guerreiros das Alterosas dizia tudo. Fiquei profundamente emocionado e com as esperanças renovadas nos valores, isto é, nas virtudes dos samurais, que se espalham, pelo exemplo, a todos que convivem com estes guerreiros. Basta ouvir o que os funcionários do Clube Recreativo Mineiro comentam sobre os membros do Niten/BH, que utilizamas dependências daquele clube.
Agradeço pela oportunidade de conviver por algumas horas, com este grupo de pessoas tão especiais que formam o Instituto Niten, no Brasil.

“SenKi. Seja nos dias de guerra,seja nos momentos de paz"

SenKi

por Leonardo Sartori

"Este ano resolvi fazer novamente um shugyo, conversei com o senpai Adeval e, tendo resolvido tudo, peguei meu bukuro e meu bogu e embarquei para São Paulo.

Shugyo – treinamento intensivo, com caráter de internato, com o objetivo de aprimoramento técnico e espiritual. Deixo claro aqui que espiritual nada tem a ver com religião. Talvez seja mais bem expresso como “estado de espírito”, em japonês /sen ki/, espírito guerreiro. E foi exatamente isto que fui buscar em São Paulo.

Descobri que estava mole, muito mole, e já no primeiro dia eu passei mal e vomitei durante o treino, à noite na unidade Ana Rosa. Que vergonha!
Já o segundo dia foi bem duro, acordei às 5:00 hs e literalmente treinei o dia inteiro, alternando kenjutsu, iai e jô. No treino da noite, na unidade Itaim eu estava desidratado e lento. Mais parecia um zumbi.
A quarta feira foi mais “tranqüila” em relação ao número de treinos, mas o treino da noite foi intenso, lutei durante um bom tempo com o senpai, e com os demais colegas. Ao final do treino o senpai foi puxar os “light execises” e novamente passei mal e vomitei. Cheguei na ADM arrasado, só queria sumir do mundo, ir embora pra minha casa e minha família. Mas por elas eu deveria ser forte, e seguir até o fim. E foi exatamente assim que aconteceu. No dia seguinte teve um treino no Hokkaido com o Bispo, e ele puxou vários “light exercises”, um atrás do outro direto. Quando eu pensava em desistir, pensava em minha filhinha Ana Clara, e o que ela pensaria de mim quando crescesse.
E então surgia uma força sobrenatural, algo que me mantinha e assim eu fiz todas as seqüências, uma atrás da outra, sem descansar. E não passei mal desta vez.
No treino de sábado, na unidade Faria Lima, lutei bem melhor, e à tarde desci com o senpai para Santos, onde treinamos mais. Ao final, recebi um elogio do senpai, que disse que comecei o shugyo com a energia baixa, mas terminei com ela alta.

Tinha conseguido o que fui buscar em SP.
E me lembrei da dedicatória do Sensei em meu shinhagakure:
SenKi. Seja nos dias de guerra,seja nos momentos de paz!

Levo pra casa comigo as seguintes palavras:

Sempai Adeval ;"Retroceder nunca, render-se jamais".

Sempai Wenzel ;"Falar menos, correr mais".

Bispo ;"Sartori, lembre-se quem você é e o que é realmente importante"

E claro, as palavras do Sensei; "Persistência, e nada além da verdade".

Domo arigato Gozaimashita
Sensei e Sempais"

Relato do aluno Fonseca sobre Shugyo realizado em Junho de 2009

Shugyo de Fonseca

por Alessandro Fonseca

Meu ingresso no Niten se deu por razões que hoje entendo
serem equivocadas: buscava simplesmente um esporte com um
“algo mais”, sem o tédio de uma academia. Hoje,
após concluído meu shugyo, confirmei a convicção que esse
diferencial é muito mais importante do que a simples
atividade física.

No mesmo molde que aconteceu com o Gashuku que lhe
antecedeu, meu shugyo - e é necessário individualizar,
pois cada shugyo é uma experiência única - merece receber
o predicativo “de Katas”. Nas palavras do Sensei, isso
não quer dizer que ele tenha sido sem combate e, muito
menos, que ele tenha sido fácil. A falha na luta leva a derrota ou
a morte, mas a falha nos Katas do Bushido é muito mais grave,
pois leva a perda da honra. Considerando que o
kenjutsu e a luta de bogu é meu ponto mais forte, o
natural é que eu fosse apertado pelas minhas fraquezas,
seja no Iaijutsu, no Jojutsu, nos Katas do Niten Ichi Ryu
ou nos Katas do Bushido. Isso contribuiu para uma
experiências mais rica e requereu uma atenção redobrada
para as lições transmitidas com sutileza. Fui ao shugyo pronto
para morrer e, ao contrário, vivi intensamente.

A decisão de realizar um shugyo já havia sido tomada há
algum tempo, motivada pelo desejo de me colocar à prova,
de sair da zona de conforto e por querer me imergir nos
Katas do Bushido. Durante o shugyo não é necessário que
você transporte as lições do Niten para sua vida
quotidiana: o Niten se torna seu dia-a-dia. O Caminho
tornou ainda mais imperativo que eu embarcasse para São
Paulo, como forma de me purificar dos vícios e
maneirismos adquiridos no treinamento até aquele momento.
As privações dessa rotina limparam corpo e espírito das
máculas e deixaram-me pronto para iniciar um novo ciclo, da
forma correta.

Muito me foi ensinado acerca dos katas e das sequências,
dos detalhes e dos pequenos segredos que fazem a
diferença entre o bom e o excelente. Esse conhecimento me
foi entregue de coração aberto e imbuído de um sentimento
verdadeiro de compaixão, daqueles que desejam o
fortalecimento dos companheiros de espada. Entretanto, as
mais importantes lições foram roubadas. Elas foram
transmitidas sem palavras, através de uma ação, de uma
postura, de uma atitude, que não tinham o objetivo de
ensinar, mas de fazer o correto. Foram absorvidas por se
traduzirem em exemplos.

Ponto marcante dessa jornada foi o sofrimento. Esse é um
fator inevitável na guerra. A exaustão física, o sono,
a preguiça, a saudade de casa, são todos
fatores que minam sua determinação em cumprir com o
dever. Cercado, o espírito não vê alternativa a
endurecer. É nesse momento, longe dos confortos e dos
mimos, que se vê o real valor das coisas. Isolado no
shugyo, percebe-se que o quão fúteis são os bens a que
nos agarramos obstinadamente e estamos prontos a
realmente apreciar um ato de amizade. Depois de uma
semana - só uma semana! - em shugyo, a camaradagem dos
colegas de Santos me pareceu um cotejo digno de reis e me
tocou profundamente, o que poderia ser de outra forma se
eu ainda trajasse a indiferença rotineira. Busquei libertar-me
das armadilhas do ego e descobrir a profundidade da minha
ignorância e insensibilidade.

A convivência com o Sensei, os Senpais e os colegas da
ADM foram essenciais para que eu começasse a entender a
verdade . Ninguém fraqueja no trabalho hercúleo de
manter o Niten funcionando e crescendo. A todos eu deixo
meus mais sinceros agradecimentos. Arigato goizamashita.
Especialmente, deixo meu carinho ao Sensei, que abriu
suas portas e demonstrou que nunca esteve isolado no alto de
uma montanha, ao Senpai Adeval, que soube sorrir na hora
e sorrir e apertar na hora de apertar, a Dalva e ao
Artur, que sussurram algumas das dicas mais salvadoras."

Relato sobre o Gashuku em Junho de 2009

Princípios

por Mateus Tolentino

Kon-nichi-wá, senpai.

Este foi meu primeiro gashuku, e certamente uma das experiências mais intensas desde a minha entrada na unidade. Uma série de eventos me fizeram confrontar ideias que eu tinha desde muito tempo, e, pelo motivo de estar aberto a todas elas, pude constatar (ou deixar de fazê-lo), na experimentação das coisas, os dogmas que davam sustentação a uma determinada perspectiva da vida. Assim, fui aprendendo e me aprimorando, desde aquela sexta-feira em que nos encontramos com o Dr. Paulo, até os momentos finais do nosso treino intensivo.
Vi como um treinamento meditativo pode trazer benefícios, eu que me formei numa visão protestante; a questão de se dar e realmente acreditar em um projeto etc, tudo isso foi de certa forma importante.
Agora, duas coisas me marcaram profundamente. Uma, a minha experiência como autoridade, da qual eu fui imbuída por delegação do senpai (por exemplo, como chefe de quarto); experiência nova e que fez estreitar os laços de amizade entre os companheiros do quarto. E segunda, foi ver algo puramente sublime acontecer por parte do senpai, algo que se define pela extrema bondade humana e força da vontade. O acontecimento foi tão especial justamente por ter sido em um momento inesperado, algo que em outras circunstâncias não iria surtir o mesmo efeito. Naquele momento, aí sim, pude experienciar uma condição nova, que, apesar e por conta de toda a minha sensibilidade, deu um sentido diferente para a minha vida no instituto, e, em última análise, para a minha vida por completo.
Posso ver que, agora, a minha vida, e a do próprio Instituto Niten, começam pouco a pouco a convergir para o mesmo lugar, a se misturar, se confundindo, até o tempo em que será impossível discernir uma coisa da outra.
Fico feliz em ver o resultado dos meus esforços e saber que sou considerado, e ter consciência do meu valor, que por muito tempo coloquei em xeque por conta mesmo das contingências.
Por último, gostaria de dizer que, a respeito de uma formação específica, essa talvez possa ser a contribuição de cada um de nós; se falamos línguas diferentes é justamente porque aprendemos e nos formamos diferentemente. No entanto, temos um Caminho único e compartilhado que seguimos, e tenho a certeza de que o Caminho comporta todas essas variantes, que são, no fim, nuances e matizes da personalidade. E não podemos nos esquecer que tudo isso está presente naqueles Sete Princípios do bushidô, principalmente o da Educação.
A nossa nação precisa de guerreiros de princípios, e o Niten parece prover o Brasil com um projeto e com homens de valor comprovado.

Domo arigatô gozamaishitá

Treinos de corpo e alma

por Matheus Drawin

Konichiwa Sensei e Senpais,

em junho de 2009, nos dias 19, 20 e 21 tivemos em Minas Gerais um pequeno Gashuku, paralelo ao maior Gashuku de katas em São José dos Campos. O evento foi um sucesso, coordenado pelo Senpai Adeval, nós do niten de minas nos esforçamos para que nossos companheiros no Gashuku em SP ouvissem e sentissem as vibrações de nosso kiai descendo as montanhas, afinal, apesar de em lugares diferentes, nosso espírito vibra como um.
No Gashuku tivemos muitos momentos de provação e duros treinos onde cada vez mais descobrimos o que é realmente ser samurai, e ser samurai é cumprir o seu dever com honra e de forma natural não o encarando como uma obrigação mas com o orgulho de se ajudar a construir um mundo de justiça e paz, na hora de responder HAI e executar com prontidão, sem mágoas no coração e de cabeça erguida, aprendi que sempre somos capazes de muito mais do que nos damos crédito, sempre conseguiremos fazer mais um corte e berrar com o kiai de sua alma, afinal, eu acredito que apesar de seu corpo falhar as vezes a voz do espírito jamais sucumbirá na garganta de um verdadeiro samurai. Dedicar-se a tudo o que se faz, desce limpar até treinar e exercitar a humildade, única arma da qual podemos enfrentar o único que nos impede de ser samurais, nosso próprio ego.
Nos três dias de Gashuku que se passaram nós não apenas treinamos nossos corpos, mas as nossas almas, através de meditações e treinamentos de diversos gêneros nos quais a cada passo, a cada suspiro, a cada corte chegamos a mais um degrau para conhecermos a nós mesmos.
Deixo a meus irmãos guerreiros mais uma mensagem e uma citação:

"Meu saco de ilusões, bem cheio tive-o.
Com ele ia subindo a ladeira da vida.
E, no entretanto, após cada ilusão perdida...
Que extraordinária sensação de alívio!"
Não se iludam, somente falharão se decidirem falhar, nosso maior inimigo somos nós mesmos, lutem com sinceridade, pois o que lhe atinge não é o seu adversário mas você mesmo. No caminho da espada, muitas vezes os outros nos conhecem melhor que nós mesmos, lhes deem uma luta sincera e sem perda de tempo e assim encontrarão mestres, samurais e irmãos...

Agradeço ao Sensei, ao Senpai Adeval e a todos os samurais do mundo, Arigato gozaimashita!


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