
“Perto de completar dois anos no Caminho, muitas foram as vezes que senti vontade de mandar um e-mail para o Niten. “Quando a aula acabou, me lembro que estava muito feliz e percebi que aquilo seria essencial para mim, ainda mais em ano de vestibular. Saí de lá com o espírito um pouco mais forte.” Sempre me lembro de quando fui sentar para assistir e um dos "azuizinhos" veio em minha direção e me chamou para fazer uma aula. No início fiquei um pouco assustado com todos aqueles kiais, com a postura de todos no dojo, com a seriedade. Senti um espírito muito forte, uma força muito grande. Já havia feito outras artes marciais, mas não senti essa força em nenhuma delas. Era uma sensação estranha, dava medo, mas ao mesmo tempo me sentia atraído por tudo aquilo. Fiz o treino e gostei muito, até ganhei um torneio virtual para principiantes. Quando a aula acabou, me lembro que estava muito feliz e percebi que aquilo seria essencial para mim, ainda mais em ano de vestibular. Saí de lá com o espírito um pouco mais forte. Não sei se isso acontece com todos, mas parece que ao querer fazer uma aula, mesmo sendo experimental, surge uma barreira na sua frente. Bem, se não fosse pelo empurrão daquele "azulzinho" que veio me chamar pra fazer o treino, acho que hoje eu não estaria no Niten. Israel Carbone De Carvalho Unidade Urca “Lá estava ela mostrando que não devíamos precisar dela” Acompanhe aqui a publicação da série de 31 mensagens enviadas em um período de 3 anos por um aluno do NitenRio para o coordenador da unidade Wenzel Bohm.
por Alves, terceiro de pé da direita para esquerda no gashuko intensivo de Petrópolis
A Disciplina aplicada aos alunos do Niten
por Fernando José Fonseca Alves
Quase sempre o motivo era uma vitória pessoal, uma superação ou simplesmente para falar de minha satisfação por fazer parte desse grupo.
No entanto, diante dos relatos que lia no E-gan, acabava achando que meus comentários teriam pouco a acrescentar aos belos, e às vezes emocionantes, depoimentos que ali estavam.
Porém, após o evento de lançamento do livro SHINHAGAKURE, no Rio de Janeiro, senti que deveria externar o que estou sentindo.
Sou oficial da Força Aérea Brasileira e estou acostumado a organizar e participar de muitos eventos. Sei das dificuldades e responsabilidades que os envolvem, da quantidade de recursos mobilizados e do número de coisas que podem dar errado. Tudo isso, mesmo quando os responsáveis são profissionais experientes e tarimbados.
Os coordenadores do Rio, todos jovens de menos de vinte anos, conseguiram realizar o evento com sucesso. Como verdadeiros samurais que são, receberam a missão e a cumpriram. Foi uma demonstração de que o Niten forja espíritos fortes, prontos para qualquer combate, seja com uma espada nas mãos , seja na realização de um vento como este.
Após a noite de autógrafos o Sensei convidou Coordenadores, Monitores e alguns alunos para comermos uma pizza. Ver naquela mesa os jovens Coordenadores e Monitores diante do Sensei me fez recordar meu tempo de cadete, em que compartilhar uma refeição com nosso comandante era honra para poucos. Senti-me jovem como eles, com vontade de aprender, sem medo de errar, sabendo que quando se dá o melhor de si não é necessário temer o resultado de qualquer batalha.
Fiquei orgulhoso de ver tanta responsabilidade e comprometimento com um ideal em pessoas tão jovens. Este é o motivo de escrever este e-mail. Dizer da minha alegria de constatar que o Instituto Niten é uma verdadeira escola de formação de caráter e espírito, onde se forjam jovens que, empunhando a espada que dá a vida, em abundância, certamente terão muito a contribuir para fazer de nosso país uma nação melhor para todos.”
Azuizinhos
por Israel Carbone
Peguei o ônibus de Petrópolis para o Rio e fui assistir a uma aula na unidade de Botafogo. Levei meu amigo Raphael junto comigo, afinal nós dois sempre lemos e pesquisamos muito sobre Bushido. Um detalhe importante era que o Raphael estudava na mesma sala de um dos sempais (sempai Marcos Menezes). Quando chegamos ao local, estava havendo um workshop sobre o filme “O Último Samurai”. Chegada a hora do treino, falamos com Marcos e nos sentamos para assistí-lo. Conheci o Niten pesquisando sobre Bushido na Internet. Na época nada pude fazer a respeito, pois eu tinha por volta de 13 anos de idade e as unidades eram muito longe de casa. Meus pais não deixaram eu praticar por causa da distância e da violência na cidade, fatores que pesaram muito na decisão deles. Sendo assim, "esperei" ficar mais velho. Aos 18 anos, estava em nossa casa de férias em Araras, Petrópolis, quando decidi que deveria voltar a tocar no mesmo assunto de anos atrás.
Israel Carbone
Visita da Monja Coen ao NitenRio
A dificuldade é ilusão
por
A expectativa era grande e, como sempre, errada. A reverência pelo conhecimento produziu em mim a ilusão: esperava ver uma mestra sagrada e misteriosa, guardiã de segredos além da compreensão mortal. Coen Sensei, entretanto, veio destruir a ilusão; aliás, muitas ilusões.
Numa simplicidade que me tocou pessoalmente mais do que qualquer outra coisa naquele dia, ela conseguiu mostrar, apesar da imensa dificuldade da tarefa, que somos incapazes de ver que não precisamos aprender nada novo. Acho que este é o verdadeiro objetivo de todo mestre: nos mostrar, dentro de nós mesmos, o conhecimento.
Somos todos feitos das mesmas moléculas que as estrelas, e lutamos as mesmas batalhas todos os dias contra ar e água, fogo, terra e vácuo. Somos todos o mesmo. E foi nas palavras simples e no sorriso fácil da monja Coen que eu vi, pela primeira vez um pouco mais nítido. Lá estava ela me mostrando que não devíamos precisar dela. Todas as coisas ao nosso redor são maravilhosas. Há tanto de maravilhoso em nós mesmos, que podemos aprender o infinito em qualquer coisa. Mas é preciso ter uma sabedoria muito especial para mostrar isso. Só os maiores mestres conseguem transmitir (...) a verdade que está em cada um de nós. E o único jeito de aprender é lutando consigo mesmo. Só tenho a agradecer ao Kishikawa Sensei e ao Instituto Niten. É um lugar onde o aprendizado nunca acaba. É um lugar onde aprendemos a aprender cada vez mais.
Arigatô Gozaimashita
Luís
A Viagem de Bruno
por Bruno S.
Nesse período conturbado, Bruno busca encontrar seu lugar no mundo e cheio de incertezas, decide dar um novo rumo à sua vida, sai do Rio de Janeiro passando por São Paulo, e finalmente se muda para o Japão, em uma jornada da qual ele não sabe o que esperar, nem se voltará.
Através dos e-mails conta suas experiências, busca conselhos, e expõe suas dúvidas ao senpai, relatando seus altos e baixos.Em meio a todas as etapas deste caminho, Santos acaba sempre retornando à espada e aos ensinamentos que teve no Niten na época em que frequentava os treinos no Rio de Janeiro, e a espada se torna um ponto de referência que o ajudará em sua travessia.
*A "Viagem de Bruno" foi compilada e é publicada com consentimento do autor
Mais fria que as demais
de 23 jul 2005 publicado em 11 dez 2008
Koninchiwa Senpai
Novamente não irei assistir ao treino esta semana. Desta vez quem se resfriou foi minha mãe. Deve ser esta estação que me parece mais fria que as demais. Quanto ao treino, como minha situação financeira não se estabeleceu plenamente, eu ficaria muito grato se, por hora, me deixasse assistir aos treinos. Enquanto não compro kimono e hakamá novos, me tem sido de grande valia assistir aos treinos. Muitas coisas que antes eu não via, agora me são claras.
Sayonará
S.
Velhos Hábitos
de 17 fev 2006 publicado em 15 dez 2008
Hai Senpai
Vou me mudar para São Paulo, acredito que em dois meses e meio. (...) Minha vida tem sido um turbilhão caótico nos últimos três anos, mas mesmo assim, (...) nunca consegui abandonar o hábito de “treinar” com meu velho bokuto e chamar a você de “senpai”. De um certo modo, tudo em minha vida está girando em círculos e voltando para o mesmo início, a mesma fonte. E para mim, sempre houve um caminho.
Visitarei o dojo da Urca em breve, se eu ainda for bem-vindo.
Sayonará,
S.
Pensamento
De 27 abr 2006 Publicado em 19 dez 2008
Há dias me ocorre um pensamento engraçado, desde que nos vimos no dojo.
Desde a época que nos conhecemos, eu sempre desejei ser tão sereno quanto você. Mas agora vejo que a qualidade que sempre admirei é sua capacidade de viver aquilo que acredita, sem hesitação. Sua capacidade de ser sincero com os outros e principalmente consigo mesmo.
Sayounará,
B.
PS: Estou com muita vontade de voltar a treinar, e acho que desta vez vou encerrar minha aposentadoria.
Carne e osso
De 08 mai 2006 Publicado em 22 dez 2008
Hai Wenzel
Faz algum tempo que meus ídolos se mostraram pessoas de carne e osso,
e que me vi no meio de um mar revolto chamado “vida real”.
Hoje eu invejo profundamente qualquer barata tonta.
Sayounará
B.
PS: Arigatou Gosaimashitá pela atenção e paciência.
Despedida
De 08 nov 2006 Publicado em 26 dez 2008
Olá Senpai
Bom, já faz tempo que não mando e-mail e nem dou as caras no Dojo. Estou trabalhando numa dessas lojas de internet,“lan house” como dizem, e não tenho tido tempo para quase nada ultimamente.
Daqui a aproximadamente três meses vou fazer uma viagem bem longa, e não sei se volto.
Já faz 4 anos desde o dia em que eu entrei no dojo usando um moleton velho e questionando tudo o que me era ensinado.
Assim, acho que você seria uma das pessoas de quem eu deveria me despedir.
As boas recordações que vou levar comigo são bem poucas, mas a maioria delas está relacionada aos treinos,a primeira vez que eu usei kimono, hakama e bogu.
Sou grato pela paciência que teve comigo e por ter me “encaixado” naquele torneio, mesmo eu tendo chegado atrasado.
Ainda espero poder enfrentá-lo de igual para igual algum dia.
Obrigado por tudo , B. S.
Todo o meu Kiai
De 18 nov 2006 Publicado em 29 dez 2008
Oi velho amigo
Não deu para aparecer no treino dessa semana, fiquei o dia todo na loja.
E hoje foi o dia em que meu anúncio passando o ponto saiu no jornal.
Dois computadores deram problema, me aborreci com um possível comprador da loja.
Isso mais parece uma gaiola de loucas. (...) Se eu tiver sorte e passar o ponto pelo menos um mês antes de ir embora vou ficar muito feliz em treinar no Niten.
Andei pesquisando sobre o Sensei que havia falado. Acho que o nome é Baba Kenji. Eu sempre fui meio impertinente e indisciplinado nos treinos, e minha habilidade com a espada é quase inexistente, mas eu ficaria feliz se me indicasse algum Sensei, se não for possível o Sensei Baba, para eu continuar treinando. Eu soube de um cara que foi para o Japão e não conseguiu achar academia de karate para treinar. (...)Estou fazendo exercícios mentais para me animar. (...) Às vezes quando fecho meus olhos e esvazio minha mente, sinto um tipo de “fluxo” dentro de mim, como se tivesse algo tentando se libertar. Em todo o caso, uma vez ao menos vou soltar todo o meu kiai no dojo antes de ir para o Japão. Acho que assim vou me livrar de uma parte do peso que carrego nas costas.
Sayounará B.
Niten no Japão? 25/04/2007
De 25 abr 2007 Publicado em 09 jan 2009
Hai Wenzel–san
Faz tempo que não nos vemos, e não tenho recebido mais e-gan. Bom, espero que esteja tudo bem por aí. Se vier ao Japão, por favor me avise.
Sayounará (made)
S.
Atormentado
De 15 ago 2007 Publicado em 09 jan 2009
Estou no Japão faz uns três meses.
Gostaria de ter podido me despedir pessoalmente, mas fui embora do Brasil a toque de caixa.
Achei que iria adorar o Japão, mas me sinto mais atormentado do que nunca.
Tudo aqui é diferente, estranho.
Gostaria de ir até Reigando, mas sinceramente nem sei para que lado fica Kumamoto.
Acho que lá encontrarei paz de espírito.
Um abraço B.
Letreiros Luminosos
De 24 nov 2007 Publicado em 14 jan 2009
Otsukare sama Senpai
Daqui a uma semana vou para Tóquio. Arranjei um emprego em uma lavanderia.
Me parece um ambiente bem menos tenso e corrido que uma fábrica.
Desde que cheguei, já morei em duas cidades na mesma província, e na segunda consegui encontrar um lugar onde se ensina kendo.
Tinha uma placa num restaurante em frente ao apartamento em que eu morava.
A mensalidade é relativamente barata, mas tenho de comprar o bogu, que é bem caro aqui.
O frio tem aumentado a cada dia, e ainda é outono.
Ontem passei por 3 linhas de trem.
Na última, a ferrovia se elevava a uns 15 metros do nível da rua.
Vi prédios amontoados, letreiros luminosos.
Depois de alguns minutos, o trem cruzou dois rios. Pela primeira vez, o mesmo Japão que é mostrado na televisão. (...)
Sayounara S.
Falamos o mesmo idioma
De 28 nov 2007 Publicada Em 16 jan 2009
Koninchiwa Senpai
Hoje o frio deu uma diminuída. Mas minha esposa disse que em dezembro vai nevar por no mínimo dois dias. Me lembro do primeiro treino de kendo que assisti aqui no Japão. Eu esfregava as mãos e tremia, enquanto algumas crianças pequenas, de uns 8 anos, gritavam “men”!, com suas shinais, parecendo não se incomodarem com o frio.
Me senti envergonhado.
Conheci dois instrutores. Um senhor já idoso, chamado Kimura, e um outro de meia idade, chamado Tsuruoka.
Ainda não falo japonês, e eles tampouco entendem português ou inglês, mas de certo modo falamos o mesmo idioma. (...) Agora acho que entendo. Não é questão de palavras ou frases de efeito. É apenas o “Do”.
Treinamos juntos, lutamos uns contra os outros, e essa é uma boa conversa.
Num idioma que todos nós entendemos, de um jeito ou de outro.
Sayounara S.
Kimura Sensei, Tsuruoka Sensei
De 30 nov 2007 Publicado em 20 jan 2009
Konbanwa Senpai
O Sr. Tsuruoka não é Sensei, e sim instrutor. Já o Sr. Kimura não sei bem ao certo, mas grato por lembrar que devo ser cauteloso ao me dirigir a eles.
Minhas considerações a meu respeito. Caí da bicicleta e estou com o dedo torcido, mas vou trabalhar amanhã mesmo assim. O frio está cada vez maior e vem chuva também. Dizem que quando cai neve em Tóquio é lindo.
PS: Quando for a Kumamoto, peço que avise com antecedência. Precisarei pegar trem bala.
Sayounara S.
O Lugar onde tudo funciona
De 03 dez 2007 Publicada em 28 jan 2009
Hai Senpai
Está chovendo desde o início da manhã. O céu está nublado, mas o frio ainda não aumentou. Tudo tem sido novidade, e cada dia tem sido um aprendizado (ao menos estou tentando). As folhas das árvores têm três ou quatro cores agora. Algumas são vermelho vivo, outras amarelas, quase douradas, tem algumas marrons e as verdes são escassas.
A neblina é pesada, espessa. Outro dia perdi o sono e fui dar uma volta. O asfalto estava todo molhado. Fui andando devagar até um templo perto de onde eu moro. É um templo pequeno, mas tem uma energia estranha. Não ousei passar além das duas estátuas de leão. O silêncio é uma coisa bela.
Há algum tempo tempo comprei uma revista sobre kendo e vi uma foto interessante. Uns 7 ou 8 garotos. Vestiam kimono e hakama brancos, tinham as cabeças raspadas e treinavam em um descampado. Pareciam querer se purificar. Os pés descalços e as expressões de serenidade.
Às vezes sinto saudades do Brasil. Aqui tudo é formal, sério. Mas tenho muito a aprender aqui. O lugar onde tudo funciona. Quem vive aqui tem de aprender a funcionar bem também.
Sayounara S.
Redenção ou Queda
De 07 dez 2007 Publicado em 30 jan 2009
Hai Wenzel
Amanhã é minha mudança. Vou para Tóquio. Mas ainda tenho muitas dúvidas a meu respeito, a respeito do mundo, de tudo ao meu redor.
Mas finalmente achei a fonte. Estou no lugar onde nasceu o kenjutsu e onde é possível ganhar a vida como desenhista. Estou muito longe de casa, vendo, ouvindo (...) e sentindo coisas novas todos os dias. Cada amanhecer é uma incerteza, um mergulho no escuro.
Faz um tempo que estou aqui, mas sinto que amanhã começa a minha jornada. Dessa vez, ou eu me levanto de vez ou será uma queda de uma vez por todas. Redenção ou queda. (...)
Em breve mandarei outra mensagem. Do alto ou completamente de baixo.
Sayounara,S.
Saudade dos seus conselhos
De 05 de fevereiro de 2008 Publicado em 06 de fevereiro de 2009
Hai Senpai Konbanwa
Acho que até eu chegar no topo de algum lugar, ou no fundo poço, vai demorar muito. Semana passada eu senti a neve caindo na minha cabeça, conheci Tokyo, encontrei um vendedor de espadas antigas bem idoso e visitei um grande templo. Me deu saudade dos seus conselhos.
Sayounara
S.
Florada da Cerejeira
De 02 de maio de 2008 - Publicado em 13 de Fevereiro de 2009
Hai Senpai
Encontrei o meu lugar. Hoje pela primeira vez escrevo com tranqüilidade, e não para falar sobre mim. Mas descobri que encontrei a fonte. Há um mês houve a florada da cerejeira, aqui chamada de “sakura”. As árvores ficaram cobertas de flores róseas. Com o vento, as pétalas caíam como flocos de neve e parecia um sonho.
Três meses antes, uma chuva durou toda a madrugada e ao amanhecer tudo estava coberto de neve. Pude ver minha respiração ao sair a rua. Os flocos caíam ora aos poucos, ora torrencialmente. Não se podia enxergar nada além de 50 metros.
Hoje faz calor e chove, sinto o cheiro do asfalto e dos exaustores das casas. Tudo aqui funciona perfeitamente, principalmente as pessoas que vivem aqui. Tenho visto coisas impressionantes. Aqui não é preciso sequer empunhar uma espada para sentir o espírito samurai. Tenho uma esposa a quem eu amo, e finalmente encontrei o lugar onde vou viver e morrer. Talvez amanhã, ou daqui a oitenta anos. Estou onde sempre quis estar, e tudo de certa forma perdeu a importância.
Estou no meu lugar, encontrei a fonte.
Sayounara
S.
De Espadas em Punho
De 29 de Maio de 2008 Publicado em 20 de fevereiro de 2009
Senpai Wenzel
Pela primeira vez serei franco e direto. Nunca entendi direito, e ainda não entendo o que diz sobre filosofia samurai. Faz cinco ou seis anos que nos conhecemos e fiquei sentido por não ter respondido minhas últimas mensagens. Tenho visto tantas coisas novas e intrigantes aqui no Japão e gostaria de poder compartilhá-las.
... Não tenho mais intenção de importuná-lo, porém presumo que não será essa a última vez que lhe procurarei. Pode demorar anos, mas irei até o dojo. Aí poderemos lutar. O que deve ser dito, deve ser dito de espadas em punho.
Um forte abraço
B. S.
Desculpas
De 03 de junho de 2008 Publicado em 27 de fevereiro de 2009
Hai Senpai
Ainda aborrecido comigo? Acho que sim. Falei demais daquela vez. Desculpe novamente por ter sido grosseiro. Tenho muito a aprender, principalmente aprender a aceitar que me ensinem. Estou me esforçando.
Sayounará
S.
Caixa Postal
De 10 de Junho 2008 Publicado em 06 de março de 2009
Hai Senpai
Lembro que antes de vir para cá, você havia dito que havia uma caixa postal do Niten. Eu gostaria de poder enviar cartas a você e ao dojo. Não gosto de Internet.
Sayounara
S.
Ki forte
De 25 de junho de 2008 Publicado em 13 de março de 2009
Hai Senpai
Vi o evento* sim e tenho certeza de que todos que treinaram e ainda treinam com espírito forte se sentiram profundamente tocados. Com o ki forte.
Sayounara
Santos
* O evento citado é o Grito Samurai de 2008, realizado no Parque Villa-Lobos, em São Paulo
A cigarra
De 06 de Julho de 2008 Publicada em 20 de março de 2009
No silêncio profundo das montanhas, o canto da cigarra perfura até as rochas.
Sayounara
S.
Aprendizado
De 03 de agosto de 2008, publicado em 27 de março de 2009
Konban wa Senpai
Estou enviando fotos da katana. Tenho o uniforme. Fiz duas aulas de Iai na província de Chiba, mas fica a quase duas horas de trem de onde eu moro.
Existe um loja em Tóquio que vende tudo para a prática do Budo. Tem até jitte, sai, vários tipos de bogu, iai-to, kusarigama. É um lugar idílico. Estou tentando achar um lugar em Saitama para treinar.
Comprei ukyo-e, cerâmica e alguns itens interessantes. Tem sido um constante aprendizado.
Sayounara
B.

Ferrugem?
De 09 de agosto de 2008, publicada em 9 de abril de 2009
Hai Senpai Konban wa
Estou preocupado. Dependendo do ângulo, me parece que a ponta da lâmina está meio alaranjada, bem no lugar onde começaria o fio. Isso é normal? Ou indício de ferrugem? Se for ferrugem como eu faço?
Sayounara
B.
Guerra constante
De 19 de agosto de 2008, publicada em 17 de abril de 2009
Konban wa Senpai (...) Nesses anos quero acreditar que aprendi muita coisa e que me tornei uma pessoa mais consciente de mim mesmo e do mundo. Aqui no Japão, enfim descobri entre mim e a cultura local antagonismos impossíveis de serem superados.
Não sou um samurai, sou no máximo um espadachim aprendiz praticante de esgrima, admirador dos aspectos técnicos da esgrima japonesa. Não sou adepto da filosofia envolvida. Um samurai não é um homem que traja um kimono e empunha uma katana, e sim alguém capaz de viver em guerra constante, pronto para dar sua vida em nome da perfeição.
Um lixeiro japonês certamente se empenhará ao máximo na tarefa de recolher sacos de lixo. Ele é um samurai. Alguém além de mim, que mesmo com bogu e shinai, estará buscando apenas a parte técnica.
Não quero viver em guerra e não espero ser perfeito. Quero apenas levar minha vida sossegado, viver bem. Não quero morrer nem me esforçar além do necessário. Quero ser apenas um cara comum.
Sayounara
B.
Como vão as coisas por ai?
De 15 de outubro de 2008 públicada em 08 de maio de 2009
Hai Senpai
Acho que não adianta tentar ser normal ou ortodoxo demais, correr o risco de deixar de ser realmente quem se é. Estou trabalhando numa firma estrangeira em Tóquio, e encontrei um dojo em Saitama, onde eu moro.
O treino é todo Sábado. Puxado. Tem gritaria e eu mal me entendo com os instrutores. Faz um mês que treino direto. Só Iai, estou juntando para comprar o Bogu.
Bom, a tsuba da minha espada está com cheiro de moeda, parece que está enferrujando. Tentei dizer isso para um colega de treino, mas aqui no Japão tudo está sempre “Daijobu”. Isso é normal? Tenho de passar algo na tsuba para não enferrujar?
Bom, é isso. E como vão as coisas por aí?
S.
Obrigado Novamente
De 16 de outubro de 2008, publicada em 15 de maio de 2009
Hai Senpai
O clima está começando a esfriar aqui. O frio penetra pela pele, e às vezes os dedos parecem colados na espada durante o treino. Estranho, mas quando o corpo fica cansado a cabeça funciona melhor me parece. Passei óleo na tsuba, bem de leve. Obrigado novamente por me orientar.
Quanto a colocar minhas mensagens no Hotsite do Niten, não precisava perguntar. Nas próximas mensagens vou colocar fotos de coisas interessantes daqui e tentar me focar mais no que está acontecendo ao meu redor. Estou sempre vendo as novidades no site do Niten, e aguardo ansiosamente o e-gan.
Sayounara
S.
Presente de Natal
De 25 de outubro de 2008, publicada em 22 de maio de 2009
Hai Senpai
Preciso de um endereço, se me der fico agradecido. Gostaria de manda um cartão de Natal para os colegas, principalmente para você. Tem também uma edição da Kendo Nippon e um ukyo-e.
Sayounara
S.
Poli minha alma
De 31 de outubro de 2008 publicada em 29 de maio de 2009
Hai Senpai
Hoje levantei cedo e poli minha espada. Poli minha alma. Não tão límpida quanto a lâmina da espada. Mesmo no combate mais acirrado, a lâmina permanece límpida, cristalina e serena. Acho que a questão é como manter o espírito como a lâmina da espada. Sempre puro e límpido, em qualquer situação. Dentro da medida do possível, é difícil, acho que essa é a questão.
Sayounara
S.
Ukyo-E
De 08 de dezembro de 2008, publivada em 05 de junho de 2009
Hai Wenzel
Em primeiro lugar fico feliz que tenha gostado do Ukyo-E,comprei num templo em Tóquio chamado Meij-Jingu. Ele foi parcialmente destruido durante a segunda guerra e reconstruido de modo a ser exatamente igual ao que era. A construção original tem cerca de 300 ou 400 anos.
Bom,agradeco por publicar minhas mensagens no site do Niten e achei muito bom o texto introdutório.Fico honrado.Agradeço ao elogio e espero fazer juz a o que disse sobre minha imagem.Acho que tenho um caminho a minha frente dez vezes mais longo do que tive atrás.
Agradeco por tudo.
Sayounara
Bruno
É uma honra
De 12 de Dezembro de 2008, publicada em 10 de junho de 2009
Hai Senpai
.....Por favor avise quando minhas mensagens estiverem no site,é uma honra para mim.
Se achar interessante posso mandar mensagens novas,contando como é a vida aqui.É diferente do que eu imaginava,e acho que muitos imaginam um Japão diferente do que é. Está tudo aqui, os templos, as espadas, os dojos, o trem-bala, os arranha-céus, as estudantes vestidas de marinheiro, mas ainda assim é diferente.Creio que a vida aqui é maior e mais rica do que quem a observa.
Novamente muito obrigado por tudo.
Sayounara
Bruno Santos

Presentes enviados por Bruno no Envelope Azul
Instituto Niten Rio de Janeiro