
“Lá estava ela mostrando que não devíamos precisar dela”
A expectativa era grande e, como sempre, errada. A reverência pelo conhecimento produziu em mim a ilusão: esperava ver uma mestra sagrada e misteriosa, guardiã de segredos além da compreensão mortal. Coen Sensei, entretanto, veio destruir a ilusão; aliás, muitas ilusões.
Numa simplicidade que me tocou pessoalmente mais do que qualquer outra coisa naquele dia, ela conseguiu mostrar, apesar da imensa dificuldade da tarefa, que somos incapazes de ver que não precisamos aprender nada novo. Acho que este é o verdadeiro objetivo de todo mestre: nos mostrar, dentro de nós mesmos, o conhecimento.
Somos todos feitos das mesmas moléculas que as estrelas, e lutamos as mesmas batalhas todos os dias contra ar e água, fogo, terra e vácuo. Somos todos o mesmo. E foi nas palavras simples e no sorriso fácil da monja Coen que eu vi, pela primeira vez um pouco mais nítido. Lá estava ela me mostrando que não devíamos precisar dela. Todas as coisas ao nosso redor são maravilhosas. Há tanto de maravilhoso em nós mesmos, que podemos aprender o infinito em qualquer coisa. Mas é preciso ter uma sabedoria muito especial para mostrar isso. Só os maiores mestres conseguem transmitir (...) a verdade que está em cada um de nós. E o único jeito de aprender é lutando consigo mesmo. Só tenho a agradecer ao Kishikawa Sensei e ao Instituto Niten. É um lugar onde o aprendizado nunca acaba. É um lugar onde aprendemos a aprender cada vez mais.
Arigatô Gozaimashita
Luís
Instituto Niten Rio de Janeiro