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Relatos dos Alunos


Herança de Guerreiros

por Yannis Sakamoto

"No dia 15 de junho, viajei junto de meu pai para a Grécia, com a intenção de conhecer a parte da minha família que está lá, o país, a cultura, o povo, e de forma geral, investigar uma parte de minhas origens.
A Grécia é um país de história fascinante, seja pelos seus mitos e lendas, seja pelo que passou.
Suas guerras, batalha por batalha, formaram um país. Sendo que, todo o mundo ocidental deve à antiguidade grega todos os princípios que ainda estão presentes no mundo de hoje: filosofia (Platão e Aristóteles), literatura (tragédias, teatro, fábulas). A idéia de cidade (Polis), conhecimento/ciência (logia), política/democracia, este último, bem diferente do que conhecemos hoje porque “cidadão” para os antigos, obedecia a uma posição na hierarquia. Estes são apenas alguns dos aspectos que levam os gregos ainda hoje a sentir orgulho de sua história.
Falando em história, me lembro de monumentos, peças de arte, objetos que eram usados no dia-a-dia, como vasos usados para armazenar água, dos quais só sobraram pedaços do século 23 a.C. Ao vê-lo, percebo como o mundo não começa ao nascermos, muitos vieram,viveram e batalharam antes de nós.
Em se tratando de guerra, a Grécia tem um histórico repleto de batalhas e guerreiros. Quando fui a Sparti (Esparta), vi a estátua do Rei Leônidas, que foi popularizado no filme “Os 300 de Esparta”. Em sua base, avistei uma inscrição que roubou minha atenção, e que dizia algo como: “Oh soldados do Rei Leônidas (se referindo aos trezentos soldados), voltem e lutem por sua majestade...”.
Esta estátua me chamou a atenção por mostrar o compromisso de honra e lealdade do guerreiro, mesmo após sua morte, que me lembrou o Bushido. O que me leva a um duplo sentimento: por um lado, o orgulho e honra por minha dupla herança de guerreiros tão rara nos dias de hoje e, por outro lado, uma grande responsabilidade.
Hoje, estou sendo iniciado no caminho do guerreiro pelo Instituto Niten, onde também investigo minhas origens, e descubro pouco a pouco a herança japonesa. Sei que é muito cedo para buscar relações precisas entre duas culturas tão distintas, porém, igualmente antigas e ricas em sabedoria e história. Arrisco então alguns comentários:
- No que diz respeito ao temperamento, uma enorme distância, os gregos “perdem o amigo mas não perdem a piada”, podendo discutir até a exaustão, sendo que vence uma briga, quem gritar mais alto. Num minuto parece que vão se matar e de repente, teliose (em grego, acabar), saem amigavelmente para tomar um café. Os japoneses por outro lado seguem mais um cerimonial, bem contrário, como diz meu avô: “Não perca a oportunidade de ficar quieto”.
- Via de regra à primeira vista a organização grega é o caos. Porém eles convivem bem com esta forma de “organização”, um grande exemplo são os portos, nenhuma sinalização e no final, todos acabam conseguindo embarcar. Sei que no Japão a organização é rígida até porque como viveriam tantas pessoas em um espaço tão pequeno? Além de tudo, a desorganização é entendida como desrespeito.
- Ainda sobre temperamento: os gregos têm um coração maior que o peito, são generosos, mas são difíceis de lidar. Uma das marcas deixadas por séculos de dominação turca e romana , entre tantas, é o sentimento interior de liberdade. Difícil de explicar. Sugiro o filme Zorba o Grego, inspirado no romance de mesmo nome de Nikos Kazantzakis, que dá uma pequena idéia da melancolia e da alegria tão presentes no coração grego. Isto sem falar na expressão deste temperamento que encontramos nas danças gregas. Para os japoneses, penso que o maior sentimento cultivado é o da honra, em relação à sua família, aos seus ancestrais, e é claro, aos seus mestres. Hai Sensei!
No pensamento japonês ainda encontramos a idéia de hierarquia, que tanto faz falta no mundo ocidental.
- O ideal do guerreiro e a estética: Para o guerreiro grego antigo o ideal de Beleza, é a busca da perfeição, do físico, do intelecto e do controle das emoções. Para o Samurai, acredito que a Beleza e a Perfeição também são valores fundamentais. Como exemplo, os Katas do Bushido são considerados Forma, como um ideal de perfeição a ser buscado."

Sentindo o Kiai

por Paulo Fachinelli

“Descobri que dentro de todos nós há uma energia infinita capaz de superar qualquer obstáculo.”


No treino da última segunda-feira estivemos mais uma vez medindo nossas forças, mas desta vez de forma diferente. Não importava a técnica ou a precisão dos golpes, mas somente nossa energia, nosso Kiai. Eram lutas que, literalmente, seriam ganhas no grito.

Procurei me concentrar muito antes do combate, pois tenho plena consciência de que meu Kiai sempre foi um de meus pontos fracos. Aliás, o Sensei em todos os treinos sempre me disse para gritar mais, soltar mais a voz. O Sensei também nos ensina que o Kiai representa 70% de um golpe. Sendo assim, meus golpes devem ser péssimos, já que minha técnica também não é ainda grande coisa.

Se era preciso melhorar meus golpes, nada melhor do que começar pelo Kiai. Por isso, queria dar o máximo de mim, já que esta seria uma grande chance para melhorar uma das minhas maiores deficiências.

Logo no primeiro combate, respirei fundo e procurei concentrar toda a minha energia na luta. Percebi que o colega com quem eu lutava procurava fazer o mesmo. Não havia técnica alguma e acho que não acertei sequer um golpe no meu adversário, mas isso não importava e a medida que procurava encobrir o Kiai do outro lutador, ele parecia tentar fazer o mesmo e a luta se resumia em nossos gritos, cada um procurando superar o outro. Confesso que fiquei impressionado quando a luta começou, pois não sabia que possuía uma energia tão grande dentro de mim. Ela estava ali, o tempo todo comigo, mas eu nunca havia dado conta disto. O combate foi curto, mas exaustivo, e ao final meu coração parecia querer saltar pela boca. Não me lembro exatamente quantas vezes lutei, só lembro que na última luta, mal conseguia enxergar meu oponente, respirava com dificuldade e sentia a sensação ter corrido 30 km sem parar. Meu corpo pedia para parar, mas meu espírito, movido pela energia representada pelo Kiai, sabia que eu ainda podia continuar. Então continuei e me superei, indo além daquilo que iria normalmente.

Tenho certeza de que esta experiência foi um grande aprendizado. Descobri que dentro de todos nós há uma energia infinita capaz de superar qualquer obstáculo. Na luta podemos exteriorizar esta energia através do Kiai, pois sem ele não há vitória, nem sequer combate. Quando conseguirmos aliar toda esta energia que vem de nosso espírito com uma boa técnica, certamente seremos guerreiros invencíveis.

Arigato... Sayonara

Paulo Fachinelli
Unidade Ana Rosa

Alunos Curtem um dia no Hopi Hari

Uhul! Hopi Hari!!!

por Concianci e Fugita

Em Abril de 2009 os Alunos do Niten São Paulo se encontraram para um passeio super divertido no parque de diversão Hopi-Hari
O Aluno Concianci e o monitor Fugita do Kir Jovem escreveram sobre este dia:


"Realmente foi maravilhoso poder passar alguns momentos de alegrias com o pessoal do Niten, ainda mais num parque.
Todos os dias temos que levantar cedo, pensar no serviço, nossas obraigações, contas, responsabilidades... e muitas vezes acabamos por nem prestar atenção que deixamos outras coisas de lado. Ter momentos para parar de pensar nos problemas é muito necessário, ajuda a limpar a alma.
Ter esses momentos ao lado de grandes amigos é melhor ainda. Nesse domingo passei um dia muito agradável, pude conhecer melhor algumas pessoas que treinam ao meu lado mas só sabia o nome, conhecê-los e deixar que eles também me conheçam.
Já participei de alguns eventos do Niten fora dos treinos, onde pudemos ser mais descontraídos, mas nada tão animado como domingo, lá todos foram criança, não havia diferença entre as idades. Me diverti muito.
Pode até parecer estranho um marmanjo dessa idade, com essa altura brincar tanto assim, mas eu procuro aproveitar sempre o máximo daquilo que faço.
O passeio ficou ainda melhor pois todos nós tinhamos algo diferente de pessoas comuns, somos um grupo onde nos comportamos de maneira diferente dos demais, seguimos os katas do bushido, desde o mais novo ao mais velho, todos se comportaram da mesma maneira, respeitando uns aos outros dentro do grupo e as pessoas ao nosso redor, não tivemos que ficar preocupados se alguém estaria incomodando o vizinho, simplesmente fomos lá para se divertir. E isso com certeza deixa as coisas muito melhores.
Já participei de reunião de amigos onde eles não se importavam se estavam fazendo muito barulho, ou incomodando as pessoas ao seu lado, simplesmente não ligavam, porque nunca tiveram quem os ensina-se, mas nós não.
Com certeza esse será um domingo para guardar na memória.
Espero que ocorram outros mais. Sempre que possível estarei lá, me divertindo e divertindo quem estiver comigo.

Sayonara."
Concianci.




Uhul! Hopi Hari!!!
Neste domingo a turma mais jovem do Niten foi ao país mais divertido do mundo! O Hopi Hari!
E como foi divertido! Nos encontramos logo cedo na frente da unidade Ana
Rosa domingo de manhã. E estavam lá não só os mais jovens, como os que
'são jovens para sempre' hehe - Além de se divertirem, eles asseguraram
que tudo iria ocorrer bem. E é claro, forneceram o transporte para o
local. E somos muito gratos por isso!!! - . Ao todo, éramos 19 pessoas (
quanta gente ! ), todos sedentos por um dia de diversão, para relaxar um
pouquinho e esquecer dos problemas.
E o dia... o dia foi ótimo, o sol apareceu nos momentos certos ( deixou
até umas marquinhas ) e a chuva chegou na hora certa também, fazendo
surgir um pôr-do-sol FANTÁSTICO no parque.
E os brinquedos! Ah, não dá pra se cansar de ir naquele parque. Você
sabe oque vai acontecer, mas a emoção é tão grande que dá vontade de ir
de novo! Como conseguimos alguns ingressos VIPS, não precisamos pegar
fila em alguns brinquedos ( domo arigato gozaimashita aos que ficaram na
fila do ingresso VIP ! ). Como, é claro, o melhor brinquedo de todos, o
símbolo do parque, o máximo da emoção! O Montezum ! A maior montanha
russa de madeira da América Latina! Que atinge incríveis 103 Km/h e
quedas de 42m ! Ufa!
Foi divertido também dividir o guarda-chuva com 8 pessoas na fila,
debaixo da chuva.
Ah! Como foi bom esse dia... E como aquele parque fica bonito ao
pôr-do-sol... Foi um bom dia para conhecer melhor os colegas e ouvir um
KIAI diferente de todos !
Espero que façamos mais passeios como este!

Fugita
Ana Rosa


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