“Ele tem atitudes que deveriam ser normais para todos os garotos da idade dele, mas geralmente não é o que vemos na maioria dos jovens, que muitas vezes não têm respeito nem pelos próprios pais.” “Era como defender-se de um galho caindo do alto de uma árvore, ou descer de uma escada carregando uma bandeja.” “ 'Por que, meu filho, você vai para São Paulo passar uma semana sofrendo e apanhando?'. Foi a forma seca que ele colocou a pergunta. Neste shugyô tentei encontrar a resposta. Não para ele, mas para mim mesmo.”Visão dos pais de um samurai no Niten
Evolução
por
Já se passaram três anos e meio desde a entrada do Octávio no Niten. Parece que foi ontem que ele fez sua primeira aula-teste na Unidade Faria Lima.
Após alguns meses de treino, o Octávio encarou o primeiro desafio proposto pelo Sensei: participar das gravações do Sítio do Pica-Pau Amarelo, personificando o Pequeno Samurai Eiji. Foram 70 dias no Rio de Janeiro, e junto à bagagem trouxe amadurecimento, novos amigos e uma visão mais ampla da própria vida.
Acompanhar esta evolução técnica de nosso filho é gratificante, pois exigiu dele disciplina e assiduidade aos treinos. Para nós, o mais importante é o valor que queremos passar para ele reforçados dentro do Niten, além da auto-confiança e iniciativa que são estimuladas nos treinos. Ele tem atitudes que deveriam ser normais para todos os garotos da idade dele, mas geralmente não é o que vemos na maioria dos jovens, que muitas vezes não têm respeito nem pelos próprios pais.
Ficamos felizes em saber que diante de novos desafios, ele não se intimida e fica ainda mais motivado!
Gostaríamos de agradecer a todos os Sempais, que sempre dão atenção e transmitem ensinamentos para o Octávio. E um agradecimento muito especial ao Sensei Jorge Kishikawa, pelos ensinamentos, paciência e oportunidades que tem dado à nossa família, em especial para o Octávio.
Moacir e Regina Saito
Impressões da luta contra a Naginata
por Ricardo Leite
"É uma arma de Longo Alcance... o Maai está longe do corpo”. Este foi o primeiro pensamento que tive ao ver o Sensei empunhando a Naginata durante o treino. Já havia visto algumas demonstrações de armas de longo alcance antes, mas jamais havia tido a oportunidade de enfrentar nada parecido em combate. Tinha certeza de que aquele seria um momento especial.
Enquanto os dois primeiros colegas se preparavam para combate colocando os protetores na canela, fiquei observando a postura e os movimentos que o Sensei fazia com sua Naginata. Talvez ele estivesse apenas aquecendo-se, mas, aos meus olhos, estava apresentando a arma e suas possibilidades. Observei como o "Men" descia na diagonal, assim como o " Dô" e o golpe contra a canela; ele fazia estocadas com a lâmina e o cabo. Imaginei que a força daquela arma deveria estar em manter o adversário à distância. Porém, como será que ela trabalha quando o adversário consegue se manter próximo? A espada levará vantagem nesta situação ?
Os combates começaram. Fiquei observando atentamente os colegas lutando e a maneira como o Sensei se movia. Tinha ouvido falar há algum tempo atrás de que cortar a canela dos adversários com aquela arma era algo extremamente simples e, de fato, isto não é apenas um boato. Fiquei impressionado pelo modo como uma arma tão grande conseguia mover-se com tamanha delicadeza. Seus movimentos pareciam ser todos lentos e, ainda assim, os adversários tinham grande dificuldade em defender ou esquivar. Estive imaginando como eu enfrentaria a distância e o corte contra a canela.
Assumi o kamae, certo de que a estratégia da Naginata contra um adversário próximo seria tentar abrir distância. Tentei marcar a distância a ser percorrida para alcançar o Sensei e, assim que o combate iniciou, descobri porque é tão simples perder as pernas para esta arma. Graças ao "Efeito Túnel" onde, durante um combate, a visão se estreita como um túnel para compreender apenas o oponente, as áreas de ação da Naginata permaneciam além do meu campo de visão. Era como defender-se de um galho caindo do alto de uma árvore, ou descer de uma escada carregando uma bandeja.
Durante o combate, eu não poderia perder o foco da estratégia que havia escolhido. Tentei várias vezes avançar com velocidade e diminuir a distância de combate. Com muito custo consegui aproximar-me, sendo recebido com um Dô. Descobri que à curta distância, o Sensei empunhava o centro da Naginata, atacando como um bastão, bastando um simples passo meu ou dele para que eu caísse novamente no raio de ação da lâmina.
"É uma arma de Longo Alcance... o Maai está longe do corpo." Nunca estive tão feliz de estar tão errado, pois descobri que a força da Naginata não está apenas em seu alcance, mas também em sua capacidade de adaptação.
Ricardo Leite
Unidade Ana Rosa
Uma resposta firme para o treinamento do espírito
Por que Shugyo?
por
Antes que eu embarcasse para São Paulo para me submeter ao shugyô meu pai me fez uma pergunta que fica no ar em vários momentos desde que comecei a trilhar o Caminho junto ao Sensei e aos Sempais do Niten.
“Por que, meu filho, você vai para São Paulo passar uma semana sofrendo e apanhando?”. Foi a forma seca que ele colocou a pergunta. Neste shugyô tentei encontrar a resposta. Não para ele, mas para mim mesmo.
Nos primeiros dias do shugyô, minha busca pela resposta foi temperada por frio, dores articulares e saudades da família. Na quarta-feira, durante o treino no Hokkaido, entendi, pelo menos na minha ótica, o porquê de um shugyô.
Estávamos todos no fim do treino de Kenjutsu, quando o Sensei pediu para que todos se afastassem. Chamou o Sempai Sidharta e Sempai Fabrício, que executaram 7 longos minutos de kakarigeiko, men tsuki, men men men, men tai atari, etc... até a exaustão. Depois disso, o Sensei dissera, nos Momentos de Ouro, que coragem não é uma filosofia, é um fato.
Foi então que a ficha caiu. Por que um shugyô? Para provar que eu posso sobreviver e superar minhas limitações. Para confirmar que meu espírito guerreiro ainda se encontra vivo. Para ter certeza de que poderei superar adversidades em momentos importantes da minha vida. Para que quando a batalha se instale, ser um guerreiro honrado, não importando o medo, o frio, a dificuldade que seja. Assim, sei que vencerei.
Niten São Paulo