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Mural Niten Rio


Audiovisual ´Os Sete Samurais`

por NitenRio - RJ/Rio de Janeiro - 23-mai-2016




comentários  

Saraiva - Rio de JaneiroShitsurei Shimasu!

O filme me trouxe lembranças dos nossos votos. Em cada samurai foi possível identificar algumas das virtudes. Me chamou atenção o personagem que não sendo samurai de nascença, foi aceito pelo grupo após provar seu valor como ser humano e guerreiro. Fiz um paralelo com minha entrada no Niten e com Sensei ensinando a arte para ocidentais ou para qualquer um que tenha interesse. O Caminho depende da força de vontade individual, a batalha na vida deve ser encarada com um sorriso de felicidade que é construído diariamente.

O filme é a guerra contada em forma de poesia, quase não percebemos que estamos no meio da batalha tamanha sua naturalidade.

Sayounara Arigatou Gozaimashita!

Ricardo Saraiva

Vale - Rio de JaneiroShitsurei shimassu
Está foi a terceira vez que vi o filme, e ver com os companheiros de treino do Niten me fez prestar atenção em muitos detalhes que antes não havia percebido.

Se Tsukahara Bokuden é homenageado como Kanbei, Musashi Sensei é Homenageado como Kyuzo, nas referências de usar Wakigamae em um duelo, ser atingido na sobrancelha neste duelo (a histórias que dizem que Sasaki Kojirou o atingiu na testa ou sobrancelha), seu jeito calado e introspectivo, ter entrado no campo inimigo sozinho para pegar o mosquete inimigo ( referência a batalha contra os Yoshioka). Kanbei e Kyuzo são os meus preferidos desde a primeira vez que vi.

O teste da porta me remete muito ao Niten, com a previsão do perigo e a atenção dos treinos, o xadrez do combate.

Curiosidades;
Os inimigos são representados por Date Masamune com seu tapa olho e símbolo da lua crescente no Kabuto.
A espada de Kikuchiyo parece muito uma No-Dachi.

Frases do filme que me marcaram foram;
-Um peixe perdido sempre parece grande.
-Devemos começar pelo ponto mais fraco.
-O perigo ataca quando tudo parece seguro.

E no final, quando Kanbei diz que ele perdeu novamente uma batalha e olha para os túmulos , tenho a impressão desde a primeira vez que vi o filme que os que ganharam foram os mortos, que morreram com honra em combate e continuarão a serem lembrados enquanto Kanbei e os sobreviventes dever continuar a vida.

Arigatou Gozaimashita pela oportunidade de ver o filme dessa maneira diferente e ver como cada cena parece uma pintura.

Antunes - Rio de JaneiroO pragmatismo, a serenidade, a capacidade dos Samurais de distanciar-se do tumulto e analisar a situação sob um ângulo mais tranquilo em um momento de crise é muito marcante. Até mesmo a guerra parece simples e fluida ao vê-los planejando-a e executando-a.

Kikuchiyo é um personagem interessante, que mesmo rude e aparentemente desajustado para um samurai, conta com sua bravura e compaixão para com os lavradores (por se ver neles) para se tornar um valoroso guerreiro.

Esteticamente o filme é lindíssimo. Não estou habituado a ver filmes em preto e branco e para mim a ausência de cores traz uma percepção de contrastes e de movimento muito diferente. A impressão é que é mais imersivo, denso.

Achei de muito bom gosto a trilha sonora também. Há uma determinada melodia que é tocada em momentos muito específicos, sempre envolvendo alguma situação ou atitude dos samurais (quando o grupo completo se reúne pela primeira vez; quando a guerra está para começar; quando Kyuzo retorna para descansar após a incursão em que consegue um dos rifles; quando um samurai morre; na melancólica cena final). É sempre a mesma melodia, tocada com arranjos e instrumentos diferentes de acordo com a situação, mas sempre permeando a cena com austeridade e sensibilidade. A ausência de música nas cenas de batalha é igualmente importante, tornando tudo mais cru, orgânico.

Nos tempos de hoje, tenho a impressão de que ninguém mais se presta a contar uma estória sem pressa, se atendo aos detalhes que ajudam a construir as idéias e sentimentos em quem assiste. Apesar de ser um filme longo, a estória é contada com uma fluidez muito envolvente, na medida certa.

Araujo - NiteróiO personagem Kanbei, apesar de ter se disfarçado apenas para salvar o refém, possui qualidades e conduta similares a de um monge. Sua generosidade e compaixão são traços bem destacados no filme.

Os samurais mais habilidosos do filme percebem o perigo de uma maneira diferente. De forma calma, analisam o perigo e o antecipam. Essa atitude pode chegar a evitar conflitos desnecessários, o que é mostrado como algo desejado pelos samurais mais experientes.

Algo que me impressionou no filme foi a capacidade dos samurais de aderirem de corpo e alma à missão, sendo que trataram a vila como se fosse seu verdadeiro lar. Buscaram com vontade os outros Samurais necessários para completar a missão e, a maioria, não se incomodou com a forma de pagamento oferecida a eles, colocando em primeiro lugar a honra que iriam conquistar naquele feito.

A vivência com os Samurais transformou os camponeses de maneira evidente. A atitude derrotista foi trocada pelo espírito guerreiro, o Senki.

Malta - Rio de JaneiroO filme de Kurosawa mostra o lado orgulhoso e prepotente do Homem que é contrastado pelo honroso e esforçado dos Sete Samurais.
Que não pela recompensa e sim pela moralidade e gosto por desafio aceitam defender a vila do bando de assaltantes que a saqueavam periodicamente. Parte do caminho Samurai é pela compaixão, a não-desistência e servitude ao mestre. Pontos esses que são bem explorados no filme.
Seria difícil decidir qual dos Sete é o meu favorito pela individualidade de cada e o quanto são únicos.
A procura pelos melhores Samurais me foi muito interessante pelos requerimentos e características desejadas para os integrantes do grupo e a maneira que estes foram se unindo.
A resiliência poderia ser o ponto mais relacionável com o treino, tendo em vista a resistência tida pelos Samurai à um grupo mais de quatro vezes maior que eles. Não desmoralizando com perdas e desafios, sempre seguindo em frente, dando o melhor de si, sem ego, mas com espírito.
Mais uma vez o Instituto Niten mostra com esta obra cinematográfica que, acima de tudo, é uma instituição cultural!

Moreira - Nova FriburgoKonbanwa
Shitsurei Shimassu
Segue relatório sobre o filme ` Os Sete Samurais`
A obra de Akira Kurosawa é simplesmente fantástica e me chamou atenção a presença marcante do quarto voto, presente em outros filme dele como `Depois da Chuva`, que seria a compaixão.
Alguns trechos me chamaram atenção.
1)`O perigo ataca quando tudo parece seguro`. Lembrando dessa necessidade constante de estarmos sempre atentos,com o zanshim sempre constante.
2)`Toda boa fortaleza tem uma falha para atrair o inimigo para dentro`.
Lembrei muito da demostração do SENSEI no Gashuku do Rio. Deixando ` falhas` e atraindo o inimigo a investir em um ataque para contra atacar de forma rápida e precisa.
Foi fantástica a oportunidade de compartilhar com o Senpai e os meus companheiros de espada essa experiências.
Domo Arigatou Gozaimashita
Moreira

Matheus - Rio de JaneiroKonbanwa e Shitsurei Shimasu.

Achei interessante a cena em que os samurais descobrem que os lavradores tinham armas e armaduras de samurais que eles mataram enquanto tentavam fugir.

Gerando em primeiro momento uma fúria, por ser desonroso, então o personagem Kikuchiyo articula que eles
fazem isto por causa do samurai. Então imediatamente o
sentimento muda e se torna empatia pelo lavrador e tristeza por serem responsáveis em parte pelo sofrimento deles.

Nesta cena pude ver o 4° voto do Hagakure, pois o sentimento muda de um estremo ao outro tão rápido e com tanta naturalidade, por tocar no lado humano deles, como se eles sentissem além dos próprios sentimentos os sentimentos dos lavradores.

Sayounara Arigatou Gozaimashita.

Uenojo - NiteróiShitsurei Shimasu

Encontrei as anotações que tinha feito quando assisti ao filme pela primeira vez. Fiquei surpresa, pois, ao contrário do que pensava, não foi muito tempo antes de começar a treinar. Foi exatamente na semana anterior ao meu ingresso no Niten!! Certamente com o filme estava me encorajando ou procurando me identificar com o `universo samurai` para começar a treinar (pois já pensava em praticar `Kendo` há alguns anos, desde 2008 ou 2009, quando estava caminhando pela Praia de Botafogo e parei para assistir a uns Shiais...).

Tudo o que chamou minha atenção na época ainda acho marcante: a amizade profunda que resulta da união; a estratégia de deixar uma abertura na aldeia para atrair e ter chances de atacar o inimigo, em maior número; a admiração do Katsushiro por Kyuzo; a ausência de honra em avançar sozinho e o valor do trabalho de equipe.

Desta vez, outras coisas me chamaram a atenção: a autoridade dos anciãos (tanto do velho do moinho, quanto da velha, que assassina o prisioneiro de guerra); Kikuchiyo corrigindo a postura dos camponeses; o `treino de Kiai` para despertar o espírito guerreiro nos camponeses; a sagacidade e a atenção dos samurais (a capacidade de perceber as circunstâncias, os perigos, sem palavras); como a morte é sentida pelos samurais; o valor do arroz, do saquê e das mulheres (preciosidades a serem protegidas, mas também moedas de troca); a decisão de Gorobei de participar da guerra não só pela nobreza da causa, mas por admiração ao Kanbei (entregar-se a uma causa por admiração a uma pessoa); a expressão de Kanbei no final da batalha, ao afirmar `Sobrevivemos mais uma vez` (como a experiência de `sobreviver` repercute no espírito?).


Arigatou Gozaimashita

Shitsurei Shimasu

Hideo - Rio de JaneiroShitsurei Shimasu

Assistir ao filme `os Setes Samurais` ao lado dos colegas do Niten, foi uma experiência muito boa.

Gostei bastante do filme, o qual pude apreciar muita mais, tendo treinado no dia , antes de ver ao filme.

Foi a primeira vez que assisti ao filme, foram dois personagens que mais gostei, o Kyūzō, por ser sério, calado e reservado. Ele me lembra um pouco meu comportamento antes do Niten, e gostei também do Kikuchiyo, que é o personagem que se revolta com os dogmas, e padrões que a sociedade impõem.

A cena onde o lavrador Mazo, pai de Shino, brigam porque ela se entregou ao Katsushiro Okamoto, discípulo de Kanbei, me lembra muito o comportamento dos Japoneses, ate o meu quando criança, que eu fechava a cara, mas não dizia uma palavra do problema.

Foi um ótimo filme, uma maravilhosa reunião, mas ainda tenho que assistir mais vezes e treinar muito mais tempo para compreender os detalhes.

Arigatou Gozaimashita Sensei e Senpai Wenzel.
Sayounara
Hideo

Cunha - Rio de JaneiroUm filme que nos mostra as dores da batalha e mostra que o conflito deve ser escolhido somente quando não há alternativa melhor.

Pinheiro - Rio de JaneiroShitsurei Shimasu, esta foi a segunda vez que assisti ao filme (a primeira foi há 5 anos) e, desta vez, vi muitos detalhes que não captei na primeira vez que assisti.
A começar pelo aspecto cinematográfico, percebi que o Akira Kurosawa sempre se preocupava em manter os personagens principais centralizados em cena e com um belo cenário ao fundo. Com isso, cada cena pausada seria facilmente um quadro.

Me chamaram atenção alguns detalhes sobre o nosso caminho. Quando o Gorobei é convidado a se juntar ao grupo, ele responde um Hai imediato. Em outra cena, logo depois, o Gorobei convocou o Heihachi enquanto ele estava cortando lenha devido ao kiai que ele soltava a cada machadada.

Os personagens são todos bem profundos e todas suas personalidades são bem definidas no decorrer do filme.
Dois personagens foram os que mais me agradaram:
- Kyuzo, sério e muito habilidoso, mas que nunca se vangloriou de seus grandes feitos, talvez por saber que está fazendo sua parte em prol de uma causa maior, exercendo o quarto voto do Hagakure.
- Kikuchiyo, o mais carismático (tanto o personagem, quanto o ator) que apesar de toda a sua descontração, foi realmente samurai nos momentos cruciais.

Sayounara Arigatou Gozaimashita!

Andrea - Rio de JaneiroShitsurei Shimasu

Eu gostei muito do filme `Os Sete Samurais`, por sua história, pela arte, pelos personagens. Uma grande obra de Akira Kurosawa.

Impressionante ver os kamaes utilizados, até quando um dos Aamurais estava cortando lenha.

Uma frase que me marcou foi: `Toda fortaleza tem uma fraqueza para atrair o oponente`. Pensar em quantos `castelos` acabam destruídos por conta das fraquezas...

Arigatou Gozaimashita por seu tempo e a companhia de todos os irmãos de espadas presentes.

Sayounara Arigatou Gozaimashita,

Andréa

Barbosa - Nova Iguaçu-RJKon-nitchi-wa mina-san!! O filme mostrou uma perspectiva diferente do que geralmente vemos em relação aos Samurais. Mostrou que a maioria tinha orgulhos, ambições e preconceitos. Mostrou também a diferença entre um Samurai e um guerreiro qualquer, a atenção ao perigo, a honra, a gratidão, a amizade e a percepção da realidade.

Gostei de duas frases que me ajudarão a melhorar o meu dia-a-dia, que são:

- Para que se preocupar com a barba se a sua cabeça está prestes a ser cortada?

Sei que essa não foi dita por um samurai mas me tocou.
Mostra que temos que nos preocupar com as prioridades (coisa que tenho q melhorar)

- Homens egoístas destroem a si mesmo.

Essas frases eu vou levar pra mim, pois devemos sempre deixar o egoismo de lado, ficarmos vigilantes com nossos erros.

Arigatou Gozaimashita!!!!

Barreiros - Rio de Janeiro`Os Sete Samurais`, de Kurosawa, é uma obra que transcende o tempo. Em sua data de lançamento, no ano de 1954, o Japão havia recentemente retomado sua autonomia, após quase sete anos de controle norte-americano. Imaginemos, então, que essa história de lealdade, superação, compaixão e, principalmente, de dedicação ao próximo, foi contada de forma moderna, para uma sociedade ainda pasma e humilhada pelos horrores da guerra atômica, na qual a mentalidade do `shikata ga nai` (a triste resignação diante da desgraça) vinha tornando-se norma. Conhecemos a trajetória do Japão moderno depois disso, e sabemos como passaram pelo pós-guerra, como imergiram num milagre econômico sem precedentes, e como enfrentaram novamente o horror, de forma estoica, em Fukushima.

Shichinin no Samurai pareceu ao público norte-americano dos anos 50 e 60 uma espécie de western numa cultura estranha, uma aventura rocambolesca cheia de exotismo, a ponto de inspirar a gravação do faroeste The Magnificent Seven. Claro, cada um enxerga aquilo que está preparado ou disposto a ver. Então, àqueles que trilham o Caminho do Bushido hoje, o que Kurosawa diz?

Em primeiro lugar, que a compaixão é o valor máximo que determina a relação entre os samurais, e entre eles e os que não seguem o Caminho. Foi por compaixão que Kambei Shimada decidiu arriscar a vida para proteger os aldeões acossados pelo impiedoso bando de salteadores, e não pelo modesto pagamento em arroz prometido. A compaixão também fez Shimada aceitar definitivamente a presença de Kikuchiyo, o extremado e divertido filho de camponeses. Kikuchiyo se apresenta como sendo samurai de nobre estirpe, mas rapidamente Shimada percebe que lhe falta postura, esperada de alguém que trilha o Caminho, e que muito possivelmente, não passaria de um fanfarrão impostor. Mas Kikuchiyo segue incansavelmente o grupo de samurais reunido por Shimada, e essa adamantina perseverança não passa despercebida ao espírito atento do líder. Mostrando seu valor e compromisso com a missão, o filho de camponeses acaba sendo aceito por todos como companheiro de armas, mas só é realmente admitido quando Shimada compreende suas motivações: o guerreiro camponês acaba por admitir a verdade a respeito de sua origem humilde, e sobre seu desejo de vingança contra todo e qualquer salteador, tais como os que, no passado, lhe impuseram a orfandade. Desonrado pela mentira que impusera aos seus camaradas, e torturado pelas dores do passado, Kikuchiyo chora diante do olhar piedoso de Shimada, que, compadecido, o aceita definitivamente como companheiro de armas. Kambei Shimada compreende a vergonha e o sofrimento: `lutei em muitas batalhas`, diz ele, `mas todas perdidas`. São sua experiência de vida, e sua inabalável ética, que lhe permitem compreender o sofrimento alheio.

Em segundo lugar, um samurai faz o que é certo. Vemos que os camponeses, ao oferecerem somente três refeições de arroz como pagamento aos samurais, sugerem ser a aldeia muito pobre, desprovida de excedentes. No entanto, isso se prova enganoso, e é Kikuchiyo quem alerta aos seus camaradas. `Eles têm arroz escondido nos subterrâneos`, diz. Mais adiante, Shimada recebe um jarro de saquê, às vésperas da batalha final, e se surpreende por camponeses tão pobres terem sido capazes de guardar tanto da preciosa bebida. Enfim, a miséria dos camponeses não era tão terrível quanto sugerido por eles próprios, configurando-se como uma mentira. Essa seria uma oportunidade mais do que razoável para que Shimada e seus companheiros tornassem o trato nulo, considerando que os camponeses abusaram da boa fé dos samurais. Entretanto, a descoberta da mentira em nada abala a disposição do líder de seguir com a luta em defesa da aldeia. Um samurai faz o que é certo, e o certo era cumprir com a palavra empenhada; o ônus da mentira cabia aos camponeses, e somente a eles. A honra do samurai não é contingencial, não é condicionada ao cumprimento de cláusulas contratuais. Não é um acordo entre partes impessoais, uma negociação burguesa.

Em terceiro lugar, os samurais, em sua vivência coletiva, não se comportam com base em uma espécie de `totalitarismo dos costumes`. É bem verdade que não se espera do Bushido que seja `democrático` – num sentido do senso comum –, na medida em que as relações entre aqueles que seguem no Caminho são pautadas pelo respeito à hierarquia, fundada exclusivamente na antecedência e no exemplo dado por aqueles que iniciaram a trajetória antes de nós. Não obstante, isso não significa – apesar dos valores marciais – uma sociabilidade militarizada, impessoal, e marcada pela imposição de formas de viver o próprio Caminho, vindas de cima para baixo, autoritariamente. A convivência entre os irmãos de armas era marcada pela valorização mútua das personalidades individuais; Kambei Shimada com seu comportamento centrado, mas bondoso; Kyuzo com sua sisudez inconfundível; Gorobei Katayama e Shichiroji com sua presteza; Heihashi Hayashida com inabalável bom humor e carisma; Katsushiro Okamoto com sua empolgação e certa inocência de juventude, e, é claro, Kikuchiyo, com sua irreverência. Todas estas personalidades encontravam seu lugar, sem que se perdesse o foco comum.

Em quarto lugar, o samurai não é um moralista. A disposição de defender e viver pelo Bushido não significa uma adesão totalitária, irracional, fanática e desumana aos seus princípios. Um samurai é completamente responsável por quaisquer de suas ações, o que significa que a alegação de que `estava cumprindo ordens` ou de que agiu `em nome dos princípios` não o exime de decidir a respeito delas circunstancialmente. Um samurai não se esconde atrás do Bushido para se isentar da responsabilidade ética e moral de seus atos. Um dilema é posto a Shimada e seus companheiros: um inimigo fora feito cativo, e decidia-se seu destino. A imoralidade de se executar um samurai inimigo naquela condição, de prisioneiro de guerra, foi posta à prova quando a avó de Kyemon, uma senhora cuja vida fora desgraçada pelos saqueadores, aparece portando um instrumento agrícola, desejando vingança. Kambei Shimada clama por misericórdia, mas diante da disposição da anciã de amansar seu espírito através da morte do inimigo, acaba por ceder. É a compaixão mais uma vez que move Shimada; não pelo adversário capturado, mas pela velha senhora. Estava ao alcance dos samurais impedir não só a anciã, mas qualquer dos camponeses de violar a integridade do prisioneiro, em nome de um princípio abstrato, `justificado` pelo código de honra. Entretanto, o samurai não é um autômato; é pleno de humanidade. E com isso quero dizer que ele compreende o sofrimento humano em seus aspectos mais complexos. Prevaleceu, naquele momento, a vingança desejada pelo espírito atormentado da anciã, e, quem sabe, em certo aspecto, a devoção aos mais velhos. Mas não precisaria ser desse modo, se as circunstâncias fossem outras.

Você pode destruir pessoas, ainda que não destrua as ideias. Kurosawa e a história do povo japonês concedem ao ocidental, hedonista, individualista e apressado, a possibilidade de meditar sobre o assunto.

Pierobon - Rio de Janeiro - Eu nunca havia assistido `Os Sete Samurais` por completo. Já havia visto duas vezes da metade até o final e havia me impressionado uma das frases finais do protagonista Kanbei Shimada ao observar os quatro samurais mortos: `Novamente nós fomos derrotados.` `Os agricultores venceram, nós não.` Dessa vez, que vi desde o início linkei essa última afirmativa com a parte em que Katsushiro pede a Kanbei para que se torne discípulo deste, no entanto Kanbei responde que ele não o aceitaria como tal, acrescentando que é um samurai de diversas derrotas. Este samurai afirmou que já havia sobrevivido a muitas batalhas, possivelmente tendo muitos êxitos militares, no entanto indicando que em todas elas perdeu muitos companheiros de guerra.
Sua estratégia defensiva, de deixar passar apenas um ou dois bandidos por vez, também demonstra como Kanbei visava não apenas aniquilar as tropas inimigas, mas preservar a vida de todos os agricultores e samurais que estavam na vila.
Me chamou atenção quando Kikuchiyo, ao querer mostrar aos samurais que também era habilidoso, deixa seu posto para capturar uma das carabinas dos bandidos. Kikuchiyo, por mais esperto que tenha sido e, apesar de seu sucesso, leva uma bronca de Kanbei, pois havia deixado seu posto e consequentemente, havia deixado a vila vulnerável à ataques. No meio desta bronca, inicia-se um ataque por parte dos bandidos e muitos lavradores morrem por conta das ações de Kikuchiyo. Esse trecho demonstra a importância de se seguir ordens sem questionar a seu senhor (ou líder) para que se atinja a estratégia objetivo com êxito. Não desmerecendo toda a vontade demonstrada por Kikuchiyo em lutar pelos lavradores, é um ponto para o qual um samurai de verdade precisa se atentar.

Rocha - Niterói - A parte que mais me chamou atenção foi quando o Shimada Kanbei saca a espada e corre atrás dos camponeses que só estavam preocupados com as próprias casas. Me impressionou o comando, a firmeza em ordená-los de volta à batalha. Logo depois o Kanbei comanda o narabe dos camponeses e relembra a todos que devem pensar no grupo.

Arigato Gozaimashita
Shitsurei Shimasu
Rocha



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