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Cronologia da Katana

A história das espadas japonesas


Marco Araújo Poli

A importância em se conhecer a cronologia da espada japonesa (nihon-to) está no fato de que a evolução da forma e processo de fabricação levaram a criação de espadas com características semelhantes. Apesar de diferenças individuais de cada artesão, o conhecimento da cronologia das nihon-to permite apreciar os detalhes das diversas espadas.


  • Jokoto: Início do Período Heian (794 – 1099 DC) Espadas muito antigas, antes da evolução e forma características das espadas japonesas. Geralmente lâminas retas, às vezes de dois gumes. Só são vistas em templos ou em museus e sítios arqueológicos. Poucos espécimes.


    Tsuba do Acervo do Sensei Jorge Kishikawa
  • Koto: Final do Período Heian (1100) até o Período Momoyama (1600). São as espadas consideradas antigas. Neste período já podemos observaar a evolução da metalurgia e manufatura das espadas japonesas até sua forma atual familiar. As bases da forja, têmpera e polimento já estão desenvolvidos. As mais antigas são todas Tachi (espadas longas muito curvas carregadas com o gume voltado para baixo e com a ponta mais fina que a base). Por volta de 1573 é que aparece a Katana, cuja forma e nome populariza a espada japonesa, utilizada enfiada dentro do obi com o gume voltado para cima. Lentam,ente a Katana substitui a Tachi como espada japonesa.

  • Shinto: Período Edo (1600) até o reinado do imperador Tenmei (1781). Consideradas novas espadas. As espadas deste período são quase exclusivamente katanas e wakisashis. Como nesta época apenas samurais podiam portar espadas e o Japão passava por um período de paz, espadas forjadas neste período eram destinadas para a elite. Do mesmo modo que sua fabricação chegou ao ápice da técnica, seu mercado diminuiu.
  • Shin Shinto: Do período Edo, por volta de 1781 até o Período Meiji (1867). As novas espadas novas deste período pouco diferem do aspecto das Shinto, porém o seu custo era cada vez mais elevado e seu mercado cada vez menor, antevendo as dificuldades pelas quais os artesãos passariam no período posterior.


    Tsuba do periodo Meiji - Acervo do Sensei Jorge Kishikawa
  • Gendaito: Período Meiji (1867) até a Segunda Guerra (cerca de 1940). Com o decreto de Hatorei que proibia o uso em público de espadas pelos samurais chega o fim das Shin Shinto. A fabricaçõa de espadas sofre um duro golpe e poucos espadeiros mantém-se no ramo. O mercado de espadas fica cada vez mais restrito.

  • Showato: Na Segunda Guerra surge a necessidade da produção em massa de espadas para suprir as forças armadas. Espadas produzidas neste período são de baixa qualidade e não são nem classificadas como katana

  • Shinsakuto: Após a segunda guerra, tanto a morte de vários espadeiros como a proibição imposta ao Japão em fabricar armas quase destruiu a arte da fabricação de espadas. Apenas em 1953 é que se recomeçou a forjar nihon-to. Para diferenciá-las da categoria de armas e classificá-las como manifestação artística única, foi cunhado o termo shinsakuto. A diferenciação é tênue e o termo gendaito também é usado para denominar as espadas modernas. A principal diferença é que as espadas atuais reapresentam formas e padrões de escolas mais antigas. Consideradas objetos artísticos únicos, apresentam as mesmas características e capacidades marciais das antigas nihon-tos.




Tanto do Acervo do Sensei




Katana do Acervo do Sensei Jorge Kishikawa (Observe detalhe de uma faca como acessório da katana)




Tipos de espada


Cada espada é caracterizada por sua forma, método de fabricação (forja), tamanho, têmpera e polimento. Alguns tipos de espadas são característicos de períodos históricos.


  • Ken: Espadas retas de dois gumes. Ou são Jokoto ou são espadas rituais.

  • Tachi: Lâminas de 65 a 75 cm de comprimento, caracteristicamente com curvatura acentuada e ponta mais fina do que a base. Quando maiores que 90 cm de comprimento são chamadas de O-Dachi. Quando menores do que 65 cm, mas com a mesma forma, são chamadas de Ko-Dachi. Comuns no Período Heian até Muromachi (koto), são portadas penduradas do obi com o gume para baixo.

  • Katana: Substituiu a Tachi à partir do período Muromachi (Koto, Shinto em diante). Lâminas de 60 cm de comprimento ou um pouco maiores, porém de forma mais robusta e compacta, com curvatura menos acentuada e ponta maior do que as Tachi. Portadas enfiadas dentro do obi com o gume voltado para cima, o nome virou sinônimo de espada japonesa. Uma forma especial de Katana, a Uchigatana, era uma Katana menor do que 60 cm de comprimento, com uma curvatura maior e confeccionada para ser usada com uma mão.

  • Wakisashi. São lâminas entre 30 até 60 cm de comprimento, geralmente 40 cm de comprimento, coma mesma forma e montagem da Katana.. Acompanham a espada maior e seu conjunto é denominado Daisho. Tornou-se sinônimo da classe samurai pois apenas eles poderiam portar as duas espadas no período Edo.

  • Tantô: Lâminas menores do que 30 cm de comprimento, geralmente com 27 cm de comprimento, são denominadas tantô. Sua montagem é semelhante à de espadas maiores.




Curiosidades:


-Como o que caracteriza a espada japonesa é principalmente o processo de fabricação, junto aos tipos tradicionais de espadas, os especialistas examinam também outras lâminas de armas diferentes, como punhais, lanças (yari) e halabardas (naginata e nagamaki). Todas elas podem ser classificadas como “ katana”.


-As showato ou gunto (espadas da segunda guerra) são classificadas como militaria. Boa parte foi destruída pelo próprio governo japonês por não a considerarem katanas. Existem poucas espadas porém que foram forjadas individualmente para oficiais. Elas apresentam as mesmas características de espadas tradicionais, mesmo que tenham o valor diminuído por especialistas. Estas espadas têmpera e até assinatura e não apresentam o caractere SHOW gravado no nakago (parte da lâmina que entra no cabo da espada)


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