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Café com o Sensei

Pensamentos e comentários do Sensei Jorge Kishikawa


Últimas postagens:

11-mar-2015

Kaminoda Sensei ☆1928 † 2015

Faleceu ontem às 01:45 da madrugada o maior mestre da arte do bastão, Tsunemori Kaminoda.
Sou muito grato por ter sido aceito como um de seus discípulos mais próximos e de ter aprendido as várias artes do samurai: Shindo Muso Ryu Jodo, Ishin Ryu Kusarigama Jutsu, Ikkaku Ryu Jitte Jutsu, Hojojutsu, Kasumi Shinto Ryu Kenjutsu, Uchida Ryu Tanjo Jutsu e lições importantes sobre os katas do Bushido.
Neste último, mestre Kaminoda era um tanto excêntrico (radical ao meu ver), e que somente anos mais tarde vim a compreender o por quê.
Mestre Kaminoda esteve por duas vezes no Brasil e nos presenteou com a sua personalidade e caráter, nos deixando muitas lembranças que marcaram o Niten para a eternidade.
Que a sua alma descanse em paz...





Local de fundação do Ishin Ryu Kusarigama jutsu - Um dos primeiros estilos de espada fundados no Japão












Passando informações sobre os estilos no quarto de hotel 



Uma pausa para um chá



Almoço com Sensei e Mika Sensei






Gashuku da Nihon Jodo Kai na Província de Chiba





Kaminoda Sensei em Brasília



Treino no Rio de Janeiro





Primeira visita ao Brasil em 2002












Treinamento no Forte da Urca - Rio de Janeiro



Serra dos orgãos - Teresópolis RJ


Kaminoda Sensei em 2002 no Brasil

04-mar-2015

Os 3 Escudos


O carnaval já acabou e março já está aqui.
Para o samurai moderno, mais que tarde para ir à guerra.
Relembrar os movimentos dos antigos (Katas), recitar os "mantras" do mestre (Momentos de Ouro) e partir para a luta (Treinamento): Os Três Escudos do Niten.
Assim eram os samurais do Hagakure, assim são os samurais do Niten.
Em uma guerra onde a sua pele (seu emprego, seu negócio ou o vestibular) está por um fio, você tem que acreditar em algo que seja forte, arraigado na tradição. Energia.
Por outro lado, só acreditar que vai vencer não basta. Aí já é arrogância. É talvez, pior do que não acreditar
Longe de ser arrogante, o samurai, em tempos difíceis, recorria aos antigos, ao conselho dos sábios e aos fundamentos . Um escudo perfeito para não serem alvejados e tombarem mortos.
Compreendido isto, vamos à luta.
O Gashuku (treinamento intensivo) foi neste fim de semana (para fortalecer o seu escudo).
E já, neste exato momento, tem uma flecha voando em sua direção.
 












02-mar-2015

肝心 - Kanjin - Essencial

 Novo Vídeo do Niten: Kalawatis é coordenador no Rio de Janeiro e passou uma semana em Shugyo (retiro de treinamento) na sede do Niten em São Paulo.


Edição e captação: Renato Kendi Yoriyasu

23-fev-2015

Cinzas

Digo a meus alunos que, uma vez brasileiro, pular no Carnaval é necessário.
Pelo menos uma vez na vida. Não mais que isto.
Lembro me de quando tinha uns 5 anos e fui "introduzido" ao ritual. Minha madrinha de batismo era corinthiana e me levou junto com os seus filhos para nos divertirmos. Lá no Corinthians. Lembro me até hoje das canções. Dos confetes. Das serpentinas...
Se nos divertimos? Eles sim, eu nem tanto. Fiquei até um pouco assustado. Mas valeu à pena a experiência.
Desde então, excetuando um ou outro, os meus carnavais têm sido momentos de reflexão, e a partir de um certo período de amadurecimento em minha vida, tenho relacionado com a nossa existência.
Comparo o mundo ao carnaval. Pessoas dançam, pulam e brincam cada um à sua maneira, mas sempre ao ritmo de uma marchinha. E não é assim a vida? Somos todos perfeitos foliões pulando ao ritmo de alguma marchinha que não a nossa. Nascemos, estudamos, trabalhamos e morremos. Só.
Decidi pois, mais do que ter uma vida em vão, "pular" ao ritmo da minha própria marchinha: a espada.
Neste carnaval, "pulei" todos os dias acompanhados de meus alunos e certamente valeu à pena:


"Foi um dos melhores Carnavais que já tive. A sensação de exaustão se mistura com a de conquista por ter chegado ao final e de poder estar um tempo a mais próximo ao Sensei ."  (Miyamoto Marcia - Unidade Vila Mariana)

A nossa existência, se não despertarmos para um algo maior (algo como o aprimoramento e busca do equilíbrio), será como a dos foliões de carnaval: não sobrará nada.
Apenas cinzas.




13-fev-2015

Melhoria no fim da vida

Imagino que se você não é aluno nosso, pode ter ficado até pasmo quando escrevi que no Niten Ichi Ryu existem técnicas de bastão: o Boaibo Shiho Nanahon e o Tachiaibo Seiho Junihon.
No mínimo, estranho para quem não conhece a história até o fim do nosso mestre Miyamoto Musashi. O que se conhece é o ¨Musashi¨ de Yoshikawa Eiji ou de Koyama Katsukio de tempos de outrora. Nos dias atuais, temos Inoue Masahiko com o ¨Vagabond¨.
Musashi. Fonte de inspiração a todo aquele que sabe que a vida é uma guerra e que não resta nada a fazer a não ser lutar. Kotoshogiku, um lutador de sumô japonês é um exemplo do que estou falando. O seu discurso na cerimônia de sua graduação a Ozeki (um título que se equipara a algo como mestre no sumô), relatou que se inspirou nas palavras de nosso mestre Musashi sensei para chegar à sua conquista.
Exemplos de lutadores que se inspiram em Musashi sensei não faltam, tamanha a fama da eficácia do nosso mestre. E aproveitadores também não. Uma das diferenças entre o verdadeiro seguidor e o falso é que existem alguns que se intitulam de soke, mestre ou qualquer nome que seja para provar a sua legitimidade, mas que nunca pegaram em um bastão...
E então, como apareceu o bastão?
Musashi sensei , mesmo nos seus últimos anos de vida, não teve seu momento de paz (como todo guerreiro, acredito).
Foi desafiado por um homem habilidoso no bastão, Shioda Hamanosuke, para "demonstrar o seu conhecimento", ao que venceu com relativa facilidade. Shioda, ao reconhecer a superioridade de Musashi sensei, solicitou para ser seu discípulo.
Por outro lado, Musashi sensei, não se sabe  o porque (apesar de que eu faço ideia), achou interessante incorporar as técnicas do bastão no já renomado estilo, o Niten Ichi Ryu.
Desde então, os verdadeiros seguidores tem praticado com o bastão até os dias de hoje.
Espero que com isto, alunos e não alunos compreendam que este é o destino para quem busca chegar ao topo da montanha: que haverá desafios e melhorias a serem feitas até o último dia de sua vida.




Sensei e coordenador Wenzel Böhm sob os olhares do mestre Gosho Motoharu: Boaibo Seiho Nanahon

11-fev-2015

Niten Ichi Ryu, a bênção

Impressionou-me o fato da srª Izawa (CS - Japonesa Impressionada - 20jan/2015) ter se referido ao grupo Niten como "Niten Ichi Ryu no minasan", o que é mais do que correto.
Mais comumente conhecido como Nito Ryu (escola das duas espadas) no Japão e no exterior, o Niten Ichi Ryu, do nosso fundador Miyamoto Musashi é a denominação menos conhecida. O Heiho Niten Ichi Ryu contém não somente as técnicas de 2 espadas (Nito Tachi Seiho Gohon), mas também
- a da espada longa (Itto Tachi Seiho Junihon),
- espada curta (Kodachi Seiho Nanahon)
e, pasme,
- o Boaibo Seiho Nanahon (bastão x bastão)
- e Tachiaibo Junihon (bastão x espada).

São ao todo 44 katas nos quais estão contidos tanto os segredos das técnicas para se vencer 60 duelos(!), como também os ideais e a filosofia de vida que moldaram o nosso fundador, Miyamoto Musashi.
Praticá-los um a um é fazer mais que uma viagem ao túnel do tempo.
É você conhecer Miyamoto Musashi.
E, como eu já escrevi no Shin Hagakure: esta é uma grande bênção, pois o mundo carece de mestres.


30-jan-2015

Japonesa Impressionada

Remar contra a maré, como escrevi no Shin Hagakure, tem despertado curiosidade e em alguns casos, no ocidente, até incompreensão.
A reação, por outro lado, de quem tem o espírito nipônico é o que está escrito neste depoimento:


Sensei, segue mensagem da Sra. Iizawa Hiromi, que nos visitou no Dojo no inicio do mês. Ela é mãe de um intercambista japonês. No final do treino ela ficou muito feliz e impressionada com o Rei (disciplina) do grupo do Niten.
Ela fez uma cerimônia do chá e uma apresentação de teatro japonês.
Achei que o Sensei ficaria contente em ler a mensagem que ela nos deixou por escrito. Segue em japonês e na tradução do filho dela:

 

二天一流の皆様

こんにちは。

先日は、二天一流の道場に参加させていただき、ありがとうございました。
私は、初めて二天一流を見学しました。
そして、ブラジルで日本の武道を立派に継承していることに、大変感激しました。
皆さんは、日本人以上に礼儀正しく稽古していると思いました。
そして、私が茶道を披露した時にも、礼儀正しくお茶を飲んでくれました。
日本の伝統文化をよく理解してくれて、本当にうれしかったです。
日本に帰ったら、二天一流の皆さんのことを日本人に伝えます。
皆さんも是非いつか、日本に来てください。

本当にありがとうございました。


"Para os alunos do Instituto Niten:
Muito obrigada por permitirem que eu participasse de seu treinamento.
Esta foi a primeira vez em que presenciei o Niten Ichi Ryu e me impressionei como brasileiros herdaram o Budou japonês em sua forma correta.

Também me impressionei com a seriedade do seu treinamento, talvez até mais correto do que japoneses.
Quando servi chá, receberam com a postura bem cuidada e correta, fiquei muito feliz por vocês compreenderem bem a cultura japonesa.

Em meu retorno ao Japão, contarei a história de vocês para os japoneses.
Por favor, venham nos visitar algum dia, esperarei por vocês.
Muito obrigada a todos.
Iizawa Hiromi"






Respondendo à mensagem : Sim, estou muito contente.
Continuaremos a remar contra a maré, porque na direção que a multidão está caminhando, está complicado...

21-jan-2015

A vida por um fio

Verão. Praia. Mar.
Além de"pegar onda", uma pesca para complementar.
Foi num dia desses que em alto mar, peguei um barco e fui "iscar".
Vermelhos, badejos, chernes, garoupas, sororoca e para aqueles que entendem de pesca, até moreia. Todos eles têm sua peculiaridade e exigem então, estratégia apropriada.
Um no entanto, prendeu a minha atenção: o peixe-porco.
Popularmente chamado de ¨porquinho¨, é de uma espécie que "briga" depois de iscado: valente.
É cuidadoso ao "mordiscar" a presa e ao invés de atacar vorazmente fica meio que "mamando", e que por ter a sua boca pequenina, fica difícil de "iscar": cauteloso.
E, mais do que a sua mente possa imaginar, é um peixe que se você não puxar rápido depois de "iscado", ele corta o fio do anzol com os dentes, te deixando de mãos vazias: mais inteligente que você.
Pois bem, foi quando fisguei um desses que ao puxá-lo para o barco constatei um fato pitoresco: foi fisgado por uma fina e tênue membrana de seu lábio inferior com o anzol quase solto.
Foi por um fio.
Por um fio o peixe foi fisgado, por um fio muitos perdem a vida.
Se lembrarmos de quantas vezes passamos pela morte "por um fio", chegaremos à conclusão de que fomos abençoados e tivemos muita sorte.
Mas sentir que fomos abençoados ou que somos privilegiados por ter sorte é uma afronta à vida. É como deixar a sorte e a fortuna à mercê do vento e das marés, para acharmos que um dia atracaremos no paraiso.
É necessário algo mais: sabedoria.
Neste sentido, tenho a lhe confessar que sou duplamente sortudo: encontrei a espada.
Foi ela que me avisou de perigos, me afastou de tentações, me aconselhou sobre a melhor forma de "nadar" em mares perigosas.
2015. A guerra já começou.
O vento está forte e para aqueles que ainda não pegaram as suas espadas, o perigo já os ronda em mar profundo.
Não perca sua Vida por um fio.
Hajime!!!




"Pesca do dia: peixes-porco"

15-jan-2015

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