TREINAR
KENJUTSU
EM CASA
Todos os treinos presenciais do Instituto Niten estão suspensos em virtude do Covid-19.
Mas para distribuir a chama da Espada criamos a página "KENJUTSU EM CASA PARA TODOS".
Nela todos podem encontrar material para treinar em casa e trechos dos Momentos de Ouro do Sensei Jorge Kishikawa.
Vamos manter a energia do Corpo, Mente e Espírito em movimento!
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Café com o Sensei

Pensamentos e comentários do Sensei Jorge Kishikawa




Últimas postagens:

11-abr-2014

12º Torneio Brasileiro 3 - Rubicão

"Fui para o torneio com o pensamento de não ser vencida do Caminho.
O Instituto Niten tem proporcionado experiências gratificantes e atuado na vida cotidiana de uma forma constante e cada vez mais profunda. Tenho tido oportunidade de ir a SP e o fiz mais vezes nestes 16 meses de Niten do que em minha vida toda. O aeroporto já não está tão distante de mim. Um Ipon nos conceitos sobre minhas possibilidades.

Ao iniciar o Torneio o Sensei perguntou quem estava ansioso e isso acalmou meus receios." 
- Mara (Unidade Porto Alegre)


Mara (Segunda da direita para a esquerda)


Vargas 0 Kyu competindo na sua categoria


Mozart: Vargas, campeão no 0 Kyu competindo na categoria acima (7º Kyu)


"Sensei me deu mais um men ao final do Torneio ao comentar da OAB. Com tantas coisas acontecendo, com o torneio pegando fogo, Sensei arranja um jeito (não sei como) de cuidar dos alunos.
Eu agradeço ao Sensei, pois sem os votos do Hagakure transmitidos pelo Sensei este passo não seria possível. Graças a eles hoje tenho um emprego.
Domo arigatou gozaimachitta por sempre cuidar de mim Sensei."
- Chiarella (Unidade Ribeirão Preto)



Sensei autografando 1ª edição do Shinhagakure


"Nas categorias máximas de Iai, Jo, Jitte e Kusarigama, o Sensei, além de arbitrar, nos transmitiu diversos detalhes preponderantes na avaliação dos katas. Impressionante como os katas se tornam mais ricos a cada detalhe revelado!
Um acontecimento marcante foi finalmente presenciar em ação o Jo de Combate, ver o Hikiotoshi e o Kuritsuke sendo efetivos contra uma espada. É como viajar 400 anos no passado!"
- Pinheiro (Unidade Rio de Janeiro)



Jitte -  Ivan  ´o Incrível` (um dos Mozarts do dia) e Cortes do Rio de Janeiro


Siqueira de Santos - Iaijutsu



Competição de Jojutsu 



Sensei demonstrando os detalhes no Iaijutsu



Orientações no Jojutsu

"Lembrei então das palavras do Sensei as quais me foram passadas pelo Sempai Alessandro coordenador da unidade de Porto Alegre, o Iaijutsu não é para ser bonito e estético, treinamos a arte da guerra, então nossos Katas são de guerra e devem transparecer a realidade do combate, dar medo ao oponente e aos expectadores. Naquele dia o metsuke (olhar) e a execução veloz do kata inspiraram nada menos do que medo, os Sempais pareciam mesmo visualizar seu oponente, defender e atacar como se em frente estivesse. Acompanhei a competição toda sem piscar, ouvindo atento as explicações do Sensei. Levo agora comigo essa determinação de tornar também os meus katas como um duelo de vida e morte." - Rossi (Unidade Porto Alegre) 



Vaz em combate no Iaijutsu -  semifinal


Holschuh, na final de Iaijutsu



Hideo, puxando pelo Kiai

"Inspirado pelos ´Mozart` do dia fui para cima, como vida ou morte, mesmo com um friozinho na barriga, consegui lutar de igual para igual com os meus oponentes e aproveitando cada brecha para o Ippon.
Como sempre faltou um pouquinho para continuar, mas são lições que levo para casa e refletir como estou durante os treinos.
Arigatougozaimashitá Sensei, por propor a travessia do Rubicão."
- Tengan (Unidade Santos)



Tengan atravessa o Rubicão

10-abr-2014

12º Torneio Brasileiro 2 - 3 contra 1

"O torneio tinha começado para mim um mês antes. Quando em um treino na Vila Mariana, Sensei nos disse que para irmos bem no torneio não bastava apenas treinar. Tínhamos também que cuidar da alimentação, do nosso sono e do condicionamento físico. Busquei isso durante o mês todo. Porém no meio do caminho, percebi que já não estava fazendo tudo isso apenas para o torneio. Essa preparação foi a motivação que precisava pra entender que é possível sim conseguir mudar nossos hábitos para termos uma vida melhor."
Regis (Unidade São José dos Campos)











"Como aconselhado pelo Sensei, cheguei cedo no torneio para "sentir o ambiente", após o narabe inicial e dados todos os avisos, começou o torneio. Sempre é um prazer poder assistir as outras modalidades, o KIR Jovem, que foi a de abertura, após uma apresentação dos pais com eles, é minha favorita, ver o que nossos pequenos guerreiros podem fazer sempre é fascinante, tanto que, pela primeira vez eu vi alguém do KIR Jovem lutando de Naginata, foi muito legal, com direito ainda no final com o discurso do Sensei sobre o KIR Jovem e de duas musicas cantadas pelas crianças, muito bom mesmo."
Augusto (Unidade Ana Rosa)














"Neste torneio senti a presença do espírito familiar muito forte. A apresentação dos pais com os filhos logo no início foi muito bonita. Pude presenciar cenas emocionantes como o Pontes entregando a medalha ao seu próprio filho e depois, um abraço bem forte. A alegria do Senpai Takeshi e Rosana, sua esposa, ao presenciar a vitória do seu filho Kevin. A felicidade e olhos cheios d'água da mãe da Senpai Ana Lucia ao abraçar a filha vitoriosa. Serão momentos especiais na história de cada família, proporcionadas pelo Sensei."
Toshi (Unidade Vila Mariana)







"Muitos combates memoráveis, os "Mozarts", a nova forma de pontuação para a premiação, o "três contra um", inédito! E inédito também como o 1 eliminou os 3!
Rápido e com elegância. Omedetou Sempai Gilberto!"

Impieri (Unidade Rio de Janeiro) 


3x1



Os 3 Mozarts

08-abr-2014

12º Torneio Brasileiro 1 - Resultados

Yoyonen (7 a 10 anos)
1º Kevin (SP)
2º Nathan (SP)
3º Takemitsu (SP)
3º Tiago (SP)

Infanto Juvenil (11 a 14 anos)
1º Yoshimitsu (SP)
2º Neves (SP)
3º Julia (SP) 

Jitte
1º Danilo (Campinas) / Holschuh (Americana)
2º Cortes (RJ) / Ivan (Juiz de Fora)
3º Massao (SP) / Marques (SP)
3º Silva (SP) / Gilberto (SP)

Kusarigama
1º Massao (SP) / Marques (SP)
2º Holschuh (Americana) / Danilo (Campinas)
3º Alessandro (Porto Alegre) / Cortes (RJ)

Iaijutsu 0Kyu
1º Toshi (SP)
2º Numa (Uberlândia)
3º Delfino (SP)
3º Navarro (Uberlândia)
Honra ao Mérito Erich (Porto Alegre)

Iaijutsu 7ºKyu
1º Jeferson (Sorocaba)
2º Tatiane (Sorocaba)
3º Ivan (Juiz de Fora)
3º Adriano (Curitiba)
Honra ao Mérito - Bergamini (Porto Alegre)

Iaijutsu 6ºKyu
1º Regis (São José dos Campos)
2º Hideo (SP)
3º Massao (SP)
3º Heitor (Guarulhos)
Honra ao Mérito - Khun (Brasília)

Iajutsu 5ºKyu acima
1º Holschuh (Americana)
2º Rocco (Curitiba)
3º Vaz (RJ)
3º Pacheco (SP)

Jojutsu 0 e 7ºKyu
1º Brenda (SP) / Hideo (SP)
2º Marcia (SP) / Pacheco (SP)
3º Todesco (Sorocaba) / Alexandre (Sorocaba)
3º Muzell (Porto Alegre) / Impieri (RJ)

Jojutsu 6ºKYu
1º Massao (SP) / Toshi (SP)
2º Brenda (SP) / Hideo (SP)
3º Silva (SP) / Tengan (SP)
3º Vaz (RJ) / Pinheiro (RJ)

Jojutsu 5º Kyu acima
1º Holschuh (Americana) / Danilo (Campinas)
2º Toshi (SP) / Massao (SP)
3º Alessandro (Porto Alegre) / Marques (SP)
3º Ivan (Juiz de Fora) / Cortes (RJ)

Kenjutsu Feminino 0 e 7ºKyu
1º Gabriela (Guarulhos)
2º Mara (Porto Alegre)
3º Cristiane (SP)
3º Fumie (Porto Alegre)

Kenjutsu Feminino 6ºKyu
1º Silvia (SP)
2º Mariana (Santos)
3º Gabriela (Guarulhos)
3º Marcia (SP)

Kenjutsu Feminino 5ºKyu acima
1º Ana Lucia (SP)
2º Núria (SP)
3º Silvia (SP)
3º Ana Tomita (SP)

Kenjutsu sem bogu
1º Franco (SP)
2º Hideo (SP)
3º Tatiane (Sorocaba)
3º Dalabria (Santo André)

Kenjutsu Senior (acima 45 anos)
1º Numa (Uberlândia)
2º Impieri (RJ)

Kenjutsu Masculino 0Kyu
1º Vargas (Ribeirão Preto)
2ºBregagnolo (Ribeirão Preto)
3º Heitor (Guarulhos)
3º Massini (Ribeirão Preto)

Kenjutsu Masculino 7ºKyu
1º Vargas (Ribeirão Preto)
2º Luis (Uberlândia)
3º Oliveira (Florianópolis)
3º Neves (SP)

Kenjutsu Masculino 6ºKyu
1º Eduardo Martins (SP)
2º Augusto (SP)
3º Yamamoto (Sorocaba)
3º Franzin (SP)

Kenjutsu Masculino 5ºKyu
1º Ivan (Juiz de Fora)
2º Duran (RJ)
3º Mantovani (Porto Alegre)
3º Fabio (Sorocaba)

Kenjutsu Masculino 4ºKyu
1º Ivan (Juiz de Fora)
2º Adriano (Curitiba)
3º Weber (Santo André)
3º Venturelli (SP)

Kenjutsu Masculino 3ºKyu acima
1º Gilberto (SP)
2º Silva (SP)
3º Adeval (SP)
3º Massao (SP)


07-abr-2014

Folhinha dos Pequenos Samurais

Estava acontecendo a disputa final das crianças no Kenjutsu combate, no Torneio Individual de Kobudo, neste fim de semana.
Enquanto todos torciam acirradamente, recebi uma boa notícia (e que notícia!). Qual não foi a minha surpresa ao ver o que um dos meus alunos me entregava: o jornal da Folha de São Paulo, o Folhinha, voltado para crianças.
Bons fluídos chamam outros bons fluídos. A energia emanada no Torneio foi tão forte que chamou o Niten para a matéria.
Acredito que isto não se deve ao acaso.
Na realidade, nunca, em todo o mundo e em nenhuma época houve crianças que aprendessem a "tradição dos guerreiros que viveram no Japão há muito tempo, entre os seculos 8 e 19", motivo que, ao meu ver, foi o por que da matária.
Em japonês dizemos "shourai ga tanoshimi". Traduzindo: "o futuro é a nossa alegria".









FOLHA DE S.PAULO
Crianças treinam kenjutsu, a arte dos guerreiros samurais
MARINA GALEANO COLABORAÇAO PARA A FOLHA
05/04,014 0 00h01

Em um canto do ginásio, Kevin Kamimura, 9, veste o bogu (armadura), a hakama (espécie de calça larga) e pega sua shinai (espada de bambu). Vai começar a aula de kenjutsu.

Baseada na arte dos samurais, a luta ensina não apenas técnicas de combate, mas também as tradições desses guerreiros, que viveram no Japão há muito tempo, entre os séculos 8 e 19.

Respeito, disciplina, alegria, confiança e coragem são valores transmitidos às crianças nas aulas, diz o Sensei Jorge Kishikawa, que trouxe a modalidade para o Brasil em 1993. "Os alunos aprendem a andar com as próprias pernas, desenvolvem o espírito de luta."

Ele explica que metade da aula é dedicada a jogos e brincadeiras, pois acredita que as crianças brinquem pouco hoje em dia. Quando esse aquecimento termina, é hora de colocar o equipamento e começar a treinar os movimentos da arte dos guerreiros samurais.

Em duplas, os praticantes posicionam suas espadas e tentam atingir o adversário na cabeça ("men"), no pulso ("bote") e na barriga ("do"). Antes de cada golpe, é preciso gritar uma dessas três palavras para indicar qual parte do corpo do oponente pretende-se acertar.

"Gosto de treinar com os "senpais", porque aí posso derrubá-los, lutar para valer", conta Kevin. "Senpai" é a forma que os praticantes usam para se referir àqueles que têm mais experiência na luta.

Adepto da modalidade há dois anos, Tiago Miyamoto Morizono, 10, conta, cheio de orgulho, que tem no sobrenome o nome do famoso samurai Miyamoto Musashi (1584-1645). Para o garoto, o kenjutsu trouxe "felicidade e novos amigos".

http://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2014/04/1435927-criancas-treinam-kenjutsu-a-arte-dos-guerreiros-samurais.shtml






03-abr-2014

Ouro “Escondido”

Que todas as artes nipônicas têm o segredo é de conhecimento geral. Samurais, artistas ou artesãos. Todos eles, em seus ofícios ao longo dos séculos, aprenderam que para sobreviverem, era imperativo se aprimorarem. Se aperfeiçoarem. E daí nasceram os segredos.
Estes segredos, no caso dos samurais, ficaram "escondidos" ao longo do tempo, dentro de sequencias pré-combinadas ou estabelecidas: nos katas.
Ao exercitarmos estes katas, detalhes e segredos "escondidos" são revelados a cada movimento e a cada passo e como que transportados a um museu, não podemos deixar de admirar ao apreciar cada peça, mesmo que a distância. Uma espada de Date Massamune, uma xícara da rainha Elizabeth I ou o manto de Napoleão. A não ser que sejamos realmente medíocres e insensatos, tudo, mas tudo, nos impressiona.
E, se quisermos nos aprofundar mais, neste mundo tão repleto de detalhes, de segredos, devemos ter a mão de um guia, um orientador ou mestre para compreendermos todo o processo histórico em que se desenrolou cada peça.
De qualquer maneira, a visita ao museu são momentos sempre proveitosos. Nunca será desperdício de tempo.
Aumenta nossos conhecimentos.
E é um destes momentos que como uma "tacada certeira" transformará a sua vida.
São indubitavelmente, segredos "escondidos" em momentos de "Ouro".




Date Masamune



Monumento em homenagem a Date Massamune em Sendai


"De fato, até agora sorrio quando lembro dos golpes que o Sensei me aplicou, ainda mais os golpes ´escondidos`, que o Sensei faz parecer que estavam lá o tempo todo dentro do kata.
Fiquei pensando comigo mesmo se não é essa uma das grandes virtudes do Sensei como estudioso de tantos estilos: saber onde estão todos os golpes, mesmo aqueles que não vemos ´a olho nu`.
E queria saber do Sensei se esta minha reflexão feita depois deste último treino estaria correta: os ´segredos` que estão nos katas dos estilos antigos provavelmente estão lá, apenas esperando ser ´enxergados`, pois devem ser coisas fantásticas, porém extremamente simples e óbvias.
Mas só com muito tempo trilhando o caminho é que os segredos se tornam ´visíveis`."
- Zambon (Unidade Sumaré) 

02-abr-2014

Em busca de novos sentimentos

Já entramos em abril e aposto que há uma grande maioria que ainda não começou a correr atrás do que havia prometido a si em 2013.
Mudanças ou transformações que estão ainda no papel e que ainda não ganharam corpo.
Planos e empolgações que ficaram como ¨fogo de palha¨.
Infelizmente é quase sempre assim.
Os quilinhos aumentam, o raciocínio declina e o poder de transformação desaparece: você acaba sendo levado pela inércia e nada em você muda.
E aí, novamente, chega no final do ano, na correria que todos nós conhecemos e você confiante que um futuro novo se inicia, proclama: ¨No ano que vem eu vou mudar!¨
Palavras, palavras, palavras...
É para isto que trago hoje, o depoimento de um colega que transformou em ação a palavra.
Entenda-se que novos pensamentos e novos sentimentos trarão novos horizontes. Mudanças.


"Este ano comecei com um espírito de mudanças e, quando o Sensei abriu a turma de Katori para quem estivesse interessado, logo vi uma oportunidade.
Passada a empolgação de simplesmente experimentar algo diferente, fui percebendo que o Katori poderia ser parte importante no caminho que estava buscando para minha vida e que ainda faltava para meu equilíbrio. Sei que é um longo caminho, no entanto, sem mudanças e esforço nada alcançarei.
Refletindo sobre o momento em que estou passando e de acordo com o Hagakure "Nada é impossível para uma mente disposta", (do Livro da Dinastia Han, passagem "Abrir uma nova trilha" do Hagakure), penso que já faz muito tempo que procuro mudanças em meu comportamento, meu modo de pensar, meu espírito. Ao longo do tempo, encontrei pessoas e atividades que me ajudaram no convívio social, no meu eu sentimental, mas faltava algo; foi quando encontrei o Niten em 2010, que complementou meu caminho e me ajudou a implementar as mudanças que queria fazer. Intercorrências aconteceram em minha vida e em 2011, infelizmente, tive que me afastar, retornando apenas em outubro de 2013, com toda a determinação para mudanças, praticando o IaiJutsu e iniciando o JoJutsu.
Agora em 2014, o Ano do Cavalo, tenho novamente a oportunidade de ouvir os Momentos de Ouro do Sensei, que ou trazem novos pensamentos e sentimentos ou recordam antigas lembranças.¨
- Hideo (Unidade Ana Rosa)




Hideo em Maki uchi

01-abr-2014

Hidensho 45 - O Vislumbre

Após um treino exaustivo de katas, um aluno me enviou estas palavras:

¨Em muitos momentos tive a oportunidade de fazer trechos dos katas com o Sensei, que me mostrava a "luta" real que está embutida nos movimentos.
 Em alguns momentos o Sensei mostrava um golpe do próprio kata sendo executado de forma "real", com muito mais velocidade e precisão do que eu estava esperando, encaixando os golpes e fazendo com que eu fosse pego de surpresa. O que posso dizer é que em cada momento desses a única reação que eu conseguia ter era sorrir, por uma profunda alegria de poder estar recebendo cada demonstração feita pelo Sensei.
 Esse tipo de oportunidade é tão intensa, que até agora me pego pensando se um dia conseguirei ter esse mesmo espirito do Sensei.
Só me resta continuar treinando e acompanhando seus passos.¨
- Zambon (Unidade Sumaré)

Ao exercitarmos um kata que foi elaborado há 500 anos, não só estamos voltando no túnel do tempo, mas também nos aproximando da dinâmica do combate que ocorria na época.
Assim que se chega a dominar os movimentos, o próximo passo é o de como aplicá-los em combate real, o que é muito divertido.
Neste relato, o aluno pode vislumbrar o quanto estas técnicas podem ser eficazes usando ou não o equipamento de proteção (bogu), de maneira que quando eu os demonstrava, acontecia que em um piscar de olhos, ele percebia o quanto eram indefensáveis.
Ele era “pego” de uma surpresa tal que, no máximo, o que poderia fazer era sorrir, visto que a espada já está em alguma parte do seu corpo. Nem respirar, nem piscar. De tão surpreso que ficava.
Neste fim de semana, no Torneio Individual de Kobudo, vou lhe demonstrar como é isto...



“O vislumbre do kata” 

27-mar-2014

Aqueles que Roubam a Alma

Acredito que você já deve saber, mas cabe neste Café uma atenção para aquele que está nascendo hoje.
Prática comum a aqueles que não tem a capacidade de oferecer um bom ensino, uma boa aula,
um bom produto ou serviço, é dizer que os seus são mais baratos ou que o do concorrente é mais caro.
No caso de escolas, ¨Aqui não se cobra mensalidade. Só água e luz¨, ou ¨Damos aula por amor à arte¨ são alguns de seus argumentos (acredite).
Sim, talvez seja isto mesmo. Não estão mentindo, pois deve ser o que valem suas aulas e os seus produtos.
De modo que acho oportuno trazer este pequeno texto para a nossa reflexão:



¨Yusuf Ibn Jafar costumava cobrar em dinheiro, e as vezes muito, de quem vinha estudar com ele.
Um distinto estudioso das leis, visitando-o certo dia, lhe disse:
-Estou encantado e impressionado com suas aulas, e tenho certeza de que esta orientando adequadamente os seus discípulos. Mas não esta de acordo com a tradição cobrar por um conhecimento. Além do mais, agindo assim poderá ser mal interpretado.
El-Amudi respondeu:
-Jamais vendi qualquer conhecimento. Não há dinheiro no mundo que pague.
Quanto a ser mal interpretado, deixando de cobrar não impedirei que isso aconteça, pois encontrarão um outro motivo.
Já deveria saber que quem cobra pode ser ou não ganancioso.
Mas aquele que não cobra nada é forte suspeito de estar roubando a alma do seu discípulo. Quem diz “Não quero nada em troca”, pode estar roubando da sua vitima o exercício da vontade.¨
- The Dermis Probe (Idries Shah)



Acervo do Sensei - Tsuba do Período Muromachi com detalhes em ouro 

26-mar-2014

Portal do Faixa Preta

Comparei no Café de ontem (Graduação - 25 - Mar- 2014  ), o ritual de passagem do ¨portal¨ ao da conquista da faixa preta no Kenjutsu.
O ¨portal¨ vem de um passado distante, quando eu ainda tinha 10 anos e assistia a um seriado de David Carradine intitulado Kung Fu. Na abertura do filme, o aprendiz de um templo consegue ser um ¨faixa preta¨ e sair do portal do templo quando, após se submeter a exaustivos treinamentos e longo amadurecimento, consegue queimar seus braços para carregar um caldeirão de água fervendo. Só de assistir dava um arrepio.
Somente ao carregar o caldeirão fervendo é que ele consegue marcar com o ferro quente o dragão em seus antebraços, conferindo lhe a originalidade de ser um guerreiro.
O dragão é marcado, o portal se abre e agora ele está pronto para enfrentar o mundo afora.
Aqui no Niten, obviamente que para se chegar a tal estágio (o de suportar a dor e se queimar com o caldeirão fervendo) ele deve passar por pelo menos as 10.000 horas de treinamento, os infinitos fracassos e os inúmeros puxões de orelha,  vulgos ¨sapinhos¨ para conseguir ser um faixa preta.
Aqueles que não passam por este tipo de treinamento, nunca passam pelo ¨portal¨.
Explico: desmaiam antes ao ver o caldeirão.


25-mar-2014

Graduação

¨Como vocês já sabem, antes do Kenjutsu, pratiquei, ainda que por períodos reduzidos, outras artes marciais e afins. Embora houvesse graduações em algumas delas, a sensação de ter sido graduado para o 7º kyu (faixa azul, a segunda faixa) no Kenjutsu foi incomparável.

Nas outras técnicas, muitas vezes eu via com certo ceticismo os testes de faixa. Mais de uma vez, senti que ainda não estava à altura do novo grau, mas que o meu "tempo de treino" havia sido o responsável por quererem que eu fizesse o teste. Ao mesmo tempo, parecia-me um tanto desnecessário fazer eventos com o único objetivo de testar aqueles que tinham sido indicados para a troca de faixa.

No dia em que recebi a graduação, lembro que havia sido uma semana particularmente difícil para mim, e os sinais de esgotamento físico e emocional se mostravam claramente. Tanto que nem o Taoru eu consegui vestir num tempo normal, o que me fez prejudicar o reinício do treino do Link-san, que me aguardava para o ¨piloto¨ (fundamentos básicos de ataque). A despeito disso, lutei para não me deixar superar por mim mesmo, para não permitir que a fadiga me impedisse de persistir. E acho que encontrei uma força que há tempos em não sabia onde encontrar. Acabei ficando um pouco menos afoito e pude explorar possibilidades que até então haviam me passado despercebidas.

Quando, no fim do treino, fui surpreendido pela graduação ao 7º kyu, pela primeira vez em minha experiência em artes marciais e afins não me opus mental e emocionalmente à "nova faixa". Pela primeira vez, confiei na opinião dos "instrutores" (para usar um termo genérico) de que estou pronto para, aprendendo novas técnicas, compreender melhor as previamente passadas e seguir trilhando o Caminho.

Agradeço profundamente ao Sensei e aos Senpai pela oportunidade de estar vivenciando tudo isso.

Arigatou gozaimashita"  -
Kiyoshi (Unidade Porto Alegre)


O assunto de hoje: Graduação.
Em uma conversa com um professor de kendo há alguns meses, este me informou que um ¨aluno do Niten¨ foi procurá-lo por esta razão: ¨que no Niten, demora-se muito para subir de graduação¨.
Em relação a esta comparação, tenho que concordar com este ex-aluno. Tomemos como exemplo o Kenjutsu. No Kenjutsu, o aluno, até chegar a faixa laranja, pratica em média de 2 a 3 anos. Para se chegar a preta, talvez de 6 a 10 anos, dependendo da sua intensidade, frequência e qualidade no treinamento. Não há como se tornar um faixa preta, Shodan (1º dan), em uma arte tradicional em menos de 6 anos. Aqui é Impossível passar o ¨portal¨ em menos tempo que isso, bem como em qualquer outra manifestação artística ou não, eu suponho.
A razão é simples: para se chegar a faixa preta, Shodan (1º dan), é necessário que o aluno passe por vários estágios e técnicas que vão certificá-lo de sua competência no manuseio da espada samurai no combate. É preciso pelo menos treinar, treinar e treinar. Não pode ser apenas o treinar (uma vez).
Estudos científicos revelam que são necessários pelo menos 10.000 horas de treinamento para você se dizer ¨formado¨ em determinada área. E isto equivale, ao meu entender, o grau de um iniciante de faixa preta: um Sho (inicio) Dan (graduado).
O depoimento acima representa o sentimento de todo o praticante que busca a Verdade (em contraposição a aquele que busca o título): o sentimento de que a graduação deve ser proporcional ao suor dispendido (e não algo tão fácil de se ganhar ou comprar)
Se existe alguma academia em que se gradua em menos tempo ou que se consegue ser um faixa preta em menos de 6 anos, das duas uma: ou não falamos a mesma língua, ou algo está errado...
Aqui no Niten, a graduação não se ¨ganha¨: Se conquista.
 





Se conquista!




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