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Café com o Sensei

Pensamentos e comentários do Sensei Jorge Kishikawa


Últimas postagens:

13-nov-2013

20Anos - Demonstração 9


Está aqui uma das modalidades que se pratica no Niten e que se aplica indiretamente "e até direta" o que popularmente chamamos de "defesa pessoal": o Jitte.
Comparada a espada, é de tamanho significativamente menor, como se estivéssemos quase que de "mãos vazias", ou o "Karate".
Na realidade, apesar de ser pequeno, o Jitte, nas mãos habeis de um Samurai, pode fazer muito mais estrago do que se imagina, não sendo a toa a sua tradução de Ju (dez) e Te (mãos), ou seja, uma arma que vale por "dez mãos".
Muitas das técnicas que fiz em Volta Redonda (2009), para o quadro de seguranças da CSN (Companhia Siderurgica Nacional) foram de Jitte, para você ter idéia do que estou falando.
E ai de você, se for golpeado com um Jitte...




Apresentação de Jitte Alessandro e Drawin unidade BH


12-nov-2013

O Globo e o Gashuku

Oportuna a matéria que fala sobre os benefícios de estar em contato com a natureza e que está no final deste Café.
Tarde para divulgar, apesar de meus avisos (bem antes de 2004, no lançamento do meu livro Shin Hagakure) de que estas "tecnologias" não trazem benefício algum, bem como ficarmos só debruçados o dia todo para "estudarmos" para passar no vestibular.
São poucos os que acreditam e só depois de surgirem os primeiros sintomas, acordam para a verdade (alguns nunca acordam).
Já vamos para a nossa enésima edição fazer o nosso habitual Gashuku no meio da mata e ao ar livre para exercitarmos e fortalecermos a nossa energia vital.
Se você preza pela sua vida, não espere mais nem um minuto, pois a cada minuto mal aproveitado o dano é fatal.

















O Globo - Ciência
Publicado: 12/11/13 - 6h20

Menos computadores, mais brincadeiras ao ar livre

Preocupada com o sedentarismo das novas gerações, Inglaterra lança campanha nacional para convencer as crianças a passarem mais tempo em contato com a natureza


Pausa selvagem: ‘The Wild Network’ quer pelo menos meia hora por dia de brincadeiras na natureza Latinstock

RIO - A maior iniciativa já realizada na Inglaterra para reaproximar as crianças da natureza. Assim pode ser definido o ambicioso projeto da “The Wild Network”, uma colaboração que reúne 400 organizações, entre escolas, grupos de escoteiros, empresas, ativistas e ambientalistas. Todos em torno do mesmo objetivo: convidar as crianças a trocar as telas do computador e da TV por brincadeiras ao ar livre.

Lançada no mês passado, a campanha estimula a adoção de atividades tradicionais, mas cada vez menos praticadas pelas novas gerações, como acampamentos.

- A trágica verdade é que bastou apenas uma geração para que as crianças perdessem o contato com a natureza e o ar livre - disse à “BBC” Andy Simpson, presidente da associação. - O tempo que se gasta ao ar livre está diminuindo cada vez mais, as brincadeiras estão em declínio e a habilidade de identificar as espécies foi perdida.

Pais também contribuem

Para as autoridades inglesas, sobram evidências sobre os efeitos negativos de uma infância sedentária. Um relatório do National Trust (organização dedicada a preservar as riquezas culturais e ambientais do país) indica que o “déficit de natureza” é “dramático” para a saúde e a educação delas. Segundo a associação, o tráfego cada vez mais intenso e a atração por telas digitais são fatores decisivos. Mas o nível de estresse e ansiedade dos próprios pais também contribuem. Há indícios de que este déficit seria pior no Reino Unido do que em outros países europeus, explicando assim os baixíssimos índices das crianças britânicas em pesquisas de satisfação.

“Isso está mudando a maneira como as crianças crescem e veem o mundo”, escreveu o naturalista Stephen Moss, um dos autores do relatório do National Trust.

A distância percorrida pelas crianças em brincadeiras fora de casa diminuiu 90% em 30 anos, e o tempo gasto teve uma queda de 50% em apenas uma geração. Por outro lado, estudos nos últimos anos mostram que o tempo na natureza aumenta a felicidade, saúde e qualidade de vida dos seres humanos. Nesse caso, as gerações futuras têm tudo para se tornarem adultos ainda mais sedentários - e insatisfeitos - que os de hoje.

Para a “The Wild Network” bastariam 30 minutos diários de brincadeiras para os menores de 12 anos aumentarem seus níveis de aptidão física e melhorarem seu bem-estar. É o que eles chamam de “pausa selvagem”. A campanha foi lançada junto com um documentário, que conta a história de um pai preocupado que as horas de vigília de seus filhos estão sendo “dominadas por uma cacofonia de marketing, e uma dependência por computadores que ameaça transformá-los em zumbis”.


http://oglobo.globo.com/ciencia/revista-amanha/menos-computadores-mais-brincadeiras-ao-ar-livre-10747916

11-nov-2013

20Anos - Feras 8

Neste combate, temos bem nítida a leveza e o quase evidente "bem a vontade" de Danilo.
Percebe-se que ele está confiante em utilizar qualquer arma e qualquer postura, embasado na estratégia, mais diretamente ligado a versatilidade.
Em estratégia, a estatística nos mostra que, quanto mais adotarmos uma forma rígida, mais damos oportunidades ao oponente que for versátil.
Uma das maiores derrotas que um general pode sofrer advém principalmente de sua forma rígida de agir... A batalha de Stalingrado nos mostrou isto.



Danilo (Campinas) X Drawin (BH)

06-nov-2013

Gashuku em Brasília

A proposta de injetar conhecimento e sugar o suor dos alunos no Centro Oeste concretizou-se neste ultimo fim de semana.
Cada um deles teve o seu ¨aperto¨ para dar mais um passo a frente ao conhecimento, além de, segundo meus cálculos, terem perdido pelo menos 5000 calorias.
Brasília, Goiânia, Campinas, São Paulo, Santos e até a Argentina marcaram a sua presença.
Centro Oeste está crescendo e futuramente terá grandes ¨Feras¨ se seguir neste ritmo:


¨Esse Gashuku foi realmente uma grande surpresa, não esperava o retorno do Sensei tão cedo, pois tivemos o Gashuku de 10 anos da Unidade Brasília apenas 4 meses atrás.
...
O domingo não só começou cedo, mas também começou muito forte! Foram 3 horas de Kenjutsu Combate, onde o Sensei observou um por um. E fez correções individuais!




"Sensei observou um por um"



¨E fez correções individuais¨

... em seguida tivemos uma pequena pausa para o almoço, e depois começamos o Niten Ichi Ryu, e novamente muitas correções, 1 hora de treino para "apenas" 1 kata. Tive tempo de perceber a quantidade de informação que existe dentro de só um kata...



¨muita informação em um único kata¨


No Hiden Tameshigiri (treino do corte), é interessante perceber como as coisas se completam, Kenjutsu, Iaijutsu (técnica de desembainhar espada) e Tameshigiri, é como se fossem etapas de uma única sequência, primeiro a movimentação do corpo, percepção do momento certo durante o combate, em seguida a movimentação perfeita da lâmina, e por fim o objetivo da lâmina, o corte, uma coisa não existe sem a outra, e um guerreiro não é eficiente sem a completa execução de cada etapa.



"fantástico¨


O treino de Iaijutsu foi fantástico! Novamente muitos detalhes para trabalhar, e uma outra grande novidade o "shiai (duelo) com o Sensei", a experiência de combate mais real que já senti. Sensei parado tranquilamente na minha frente, sem demonstrar qualquer sentimento, serenidade... E em um piscar de olhos, só dá pra escutar o barulho, e sentir o contato da sua espada na nossa pele.


¨shiai¨com o Sensei


Naquele microsegundo a única coisa que passou pela minha cabeça foi: "o que aconteceu? Acho que morri". Fiquei me perguntando o que deveria passar na cabeça de um samurai 700 anos atrás... Talvez se tivesse tempo de entender o ocorrido, pensaria "Não fui bom o suficiente..." Sorte que hoje em dia não pagamos com a nossa vida, e temos a oportunidade de melhorar.

Das 3 sequências do shiai com o Sensei, consegui defender a primeira, onde o corte vem de cima, porém em questão de segundos o Sensei virou a espada e fez um segundo corte na direção da barriga: adaptação. E refletindo mais tarde cheguei à conclusão que para se adaptar tão rápido, além é claro dos anos de treinamento duro, precisamos também ter calma e serenidade no combate, tentar harmonizar com o ambiente, perceber todas as coisas em volta, ou seja, entender que "tudo é da sua conta".


¨pegando os detalhes¨



Em seguida mais 1 hora de Jojutsu (técnicas com o bastão), dessa vez com a supervisão do Senpai Danilo, já que o Sensei ficou com o pessoal que já tem omote 1 (técnicas avançadas), também uma hora muito proveitosa, mantive em mente "pegue os detalhes", apesar do cansaço quase tomar conta do meu corpo.




Naginata



Para finalizar a parte do treinamento ainda teve um treino para arbitragem dos mais graduados.



¨treino de arbitragem¨


Apesar do treinamento físico ter acabado, o Gashuku não estava no fim, ainda tivemos muito o que aprender no jantar pós-Gashuku, trocar experiências, não só com os mais antigos, mas também com os mais novos e pessoas de outros locais de treino.








Agora a missão é continuar com a energia! Colocar tudo em prática! Tirar vícios, arrumar posturas, melhorar o sentimento! Convivência, muitos katas do Bushido. Realmente, é um Caminho sem fim, e quando penso nos meus 4 anos de treino, volto a me sentir como um bebê tentando se levantar e dar os primeiros passos, se apoiando às coisas a sua volta.

Arigatou gozaimashita Sensei, pela disposição de voltar à Unidade, sempre que o Sensei vem, somos brindados com uma chuva de aprendizado."  
- Mauro (Unidade Brasilia)


 
¨Arigatou gozaimashita¨ 

05-nov-2013

20Anos - Demonstração 8

As sequências a seguir fazem parte de um estágio avançado das técnicas com o bastão Jojutsu.
O estilo Shindo Muso Ryu, fundado há 4 séculos pelo nosso mestre Muso Gonnosuke em um Satori, ou seja , iluminação espiritual, após ser derrotado pelo também nosso mestre Miyamoto Musashi.

- Maruki wo motte suigetsu o shire - foi  a sua revelação.

Traduzindo: ¨Tenha um bastão em mãos e saiba da importância da água da lua¨.
Depois de se iluminar, pediu revanche, convencendo Musashi Sensei de sua eficácia.
Passou então a denominar o estilo de Shindo Muso Ryu Jojutsu ou Estilo do Caminho dos Deuses.
Quando se chega ao estágio como veremos a seguir,  nos convencemos que tal arte só pode ter sido obra dos deuses...



Apresentação de Fugita e Hiroshi

04-nov-2013

20Anos - Feras 7

Superação.
Esta é a palavra que pode expressar o que cada um dos alunos aqui conseguiram.
Um por buscar com determinação a perder seus 30kg de excesso de peso se submetendo a cirurgia de redução do estômago e treinamento intenso de Kenjutsu.
O outro por raspar o cabelo como um monge em retiro espiritual, se submetendo ao treinamento austero todas as manhãs comigo durante 365 dias.
A força de vontade de cada um deles em superar seus limites é visível em cada ataque no que vamos ver a seguir.
Histórias de superação fazem de cada aluno uma página especial aqui no Niten.
A próxima tem que ser você.



20 Anos - Feras do Niten - Fugita x Marques

01-nov-2013

20Anos - Demonstração 7

Há alguns anos, estava para acontecer em Brasília uma demonstração interessante: eu com um professor 7º dan do Japão.
Arrumei a minha naginata (alabarda), as luvas e o suneate (protetor de canela), pois com esta arma atinge-se também a canela do oponente.
Do outro lado, o professor tirou a sua espada de bambu do shinai bukuro e vi que não se sentia tão a vontade.
Infelizmente, mesmo estando previamente combinada na programação e já anunciada a todos os alunos presentes, o responsável da comitiva, também professor 7º dan, cancelou a nossa demonstração.
Logo a seguir, fomos para o Rio de Janeiro. Desta vez, estava combinado que seria com o professor responsável da comitiva.
Apesar de eu estar a sua frente aguardando para iniciar o combate, o mesmo não ocorreu.
Para quem não conhece as técnicas que praticamos aqui, ei-las:



29-out-2013

Só Casca

Passo hoje uma matéria feita com capricho pelo fotógrafo e reporter Nilson Soares com um dos nossos Coordenadores da equipe do Niten do Rio de Janeiro.
Fico contente que a mensagem do Niten esteja sendo passada adiante com fidelidade por alunos, monitores e coordenadores dedicados como é o caso do Vaz.
E é verdade, só casca mesmo para chegar lá


http://www.socasca.blogspot.com.br/



" Você tem que chegar no dojo e cumprir o protocolo, essa obrigação torna você uma pessoa mais sociável e respeitosa" prof. de Kenjutsu do Instituto Niten Vaz Alexandre





Amigos,

A arte marcial de hoje é uma modalidade pouco conhecida do grande público, confesso que eu mesmo tinha uma vaga noção do que fosse o Kenjutsu, na verdade eu confundia com o Kendo, como verão não é a mesma coisa. O Kenjutsu, a "arte da espada", talvez seja uma das mais antigas artes marciais orientais e onde a disciplina e o auto-controle são visivelmente considerados e praticados. O Kenjutsu é ensinado por professores do Instituto Niten, possuem sedes em diversos estados brasileiros e no exterior, e em todas elas pelo que pude ouvir é mantido o padrão de ensino estabelecido pelo sensei Jorge Kishikawa. Mestre Kishikawa resgatou do esquecimento o estilo do famoso Miyamoto Musashi, samurai que viveu no Japão do século XVI. Essas e outras informações obtive conversando com o professor Vaz e assistindo a um dos treinos que a galera da Niten realiza no Clube Monte Sinai na Tijuca. Fiquei bastante impressionado com a disciplina e como fazem do dojo um verdadeiro altar e acho que nesse aspecto muitas outras artes marciais têm a aprender. Sou grato aos professores Wenzel, Vaz, ao sensei Kishikawa, a secretária Patrícia e a todos os disciplinadíssimos e educados alunos do Instituo Niten que permitiram que esta edição do Só Casca! fosse realizada.





1. Só Casca ! – Professor, queria antes de tudo agradecer a senhor e ao mestre Wenzel que prontamente aceitaram o convite de conversar com o Só Casca !. Bom eu queria que o senhor me dissesse como chegou ao Kenjutsu.
2. Vaz Alexandre – Bem, pratico Kenjutsu no Instituto Niten já há 9 anos.




3. Só Casca ! – e por que justamente o Kenjutsu?
4. Vaz Alexandre –  Olha, eu lia muito quadrinhos... assistia filmes, é uma arte marcial de origem japonesa, então era nos quadrinhos japoneses, os mangás...





5. Só Casca ! – Tinha quantos anos?
6. Vaz Alexandre –  Dezoito anos.





7. Só Casca ! – Antes disso já havia tentado outra arte marcial? 
8. Vaz Alexandre –  Não, antes disso nunca fiz nada de arte marcial. Como eu dizia, acompanhava os quadrinhos japoneses até que um dia li uma edição da revista Super Interessante contando a história do famoso samurai Miamoto Musashi e coincidiu com a época do filme o Último Samurai, e pronto, aí a coisa se fortaleceu na minha mente. Fiquei impressionado com fato dele ser imbatível em todos os seus combates.. Com uma espada em cada mão enfrentar vários oponentes de uma vez só. Pensei comigo, putz! eu tenho que aprender isso... na época tomei conhecimento que a arte marcial dos samurais só era ensinada em São Paulo, não sabia que havia aqui no Rio de Janeiro. Até que um dia descobri que havia uma unidade do Instituto Niten aqui no Rio, e dias depois já havia me matriculado.





9. Só Casca ! –
Por favor, explique para nós, qual da diferença do Kenjutsu que você pratica para o Kendo?
10. Vaz Alexandre – O Kenjutsu é a "arte da espada", desenvolvida e  praticada pelos samurais antigos. Cada região, cada feudo tinha seus próprios segredos na manejo da espada. Dá pra imaginar então que exitiam várias técnicas, posturas de combate, inclusive espadas diferentes. Grande parte se perdeu no tempo...
            O Kendo é o esporte que surgiu desta arte. Mas muito limitada, com apenas golpes básicos e uma postura padronizada, limitando o praticante do Kendo.
            O Kenjustu não é esporte.

11. Só Casca ! – O senhor fez 9 anos ininterruptos, nunca parou?
12. Vaz Alexandre – Não, nunca parei, inclusive não me imagino longe do  Kenjutsu nunca.








13. Só Casca !  – Como pessoa e fisicamente o que mudou na sua vida a prática do Kenjutsu?
14. Vaz Alexandre –  Como atividade física é muito bom, nós suamos bastante, tem um aeróbico muito bom. Lutamos com uma armadura e espada na mão, que já é um exercício. Num treino bom conseguimos  queimar até 1000Kcal! Mas, o principal benefício para mim foi lidar com pessoas, que a cultura marcial acaba trazendo essa questão para a gente, eu era uma pessoa muito tímida. Depois que entrei no Niten, pratiquei alguns anos e isso mudou. Porque pela nossa etiqueta no dojo, você tem que falar com todo mundo, especialmente os mais velhos, os mais graduados. Temos que seguir o protocolo em sinal de respeito e isso me deixou mais aberto e hoje posso dizer que mudei pra melhor.







15. Só Casca ! – esses protocolos no Dojo o senhor acha que ajudam?
16. Vaz Alexandre – Claro! O Sensei está sempre viajando e ensinando coisas novas para a gente, sempre nos deixando mais rígidos, nos protocolos, na marcialidade. Isso obriga você a se integrar, a superar diferenças, timidez, ganhar auto-confiança em nome da harmonia do grupo e do respeito. Não existe no dojo a situação de você não cumprimentar ou deixar de falar com alguém porque não gosta dela, você tem que obedecer ao protocolo e superar qualquer tipo diferença pessoal. Você tem que chegar no dojo e cumprir o protocolo, e essa obrigação torna você uma pessoa mais sociável e respeitosa.











17. Só Casca ! – Competições como são no Kenjutsu?
18. Vaz Alexandre – Elas são Inter América, antes eram nacionais, nós temos dois torneios, um individual e outro por equipes. Abrangemos o Brasil todo, Argentina, Chile, México e até Portugal. São torneiros internos, apenas para os alunos do Instituto, mas nem por isso o evento é pequeno. Os torneios movem centenas! Temos sim a competição, para testar a coragem e o auto-controle, mas acima das medalhas está a confraternização, reencontrar com nossos camaradas e ainda conhecer gente de outros lugares. Fazer amigos através da espada.





19. Só Casca !  – Você já  competiu?
20. Vaz Alexandre – Sim, vem do Sensei que temos que nos testar na coragem de entrar na arena ao menos uma vez por ano








21. Só Casca ! – E o Sensei da casa, quem é, qual sua opinião sobre ele?
22. Vaz Alexandre – Ah, o Sensei Jorge Kishikawa é o tesouro nosso! E um monstro! O Sensei treina desde criança, e treinou bastante o Kendo, até o 7º Dan Kyoshi. Mas o próprio Sensei diz que chegou um tempo em que sentia que algo estava faltando. Foi esse sentimento que o levou a procurar o Kenjustu antigo e estudar as aplicações técnicas. Daí há 20 anos atrás nasceu o Instituto Cultural Niten. Fazemos uma coisa que ninguém no mundo faz atualmente. Com o respaldo dos grandes mestres do Japão estudamos técnicas de mais de 500 anos que estão nos Katas, e aplicamos em combates reais com armadura.





23. Só Casca !  – Então o seu Sensei treina o estilo do Miyamoto Musashi?
24. Vaz Alexandre – Sim, o Sensei tem a graduação máxima do estilo de Musashi Sensei. O nome do estilo é o Hyoho Niten Ichi Ryu, que dá nome ao Instituto. Além deste, o Sensei tem grau em vários outros estilos, como o Suiyo Ryu, do famoso Lobo Solitário, Shindo Muso Ryu, que tem como arma o bastão (Jô). São muitos... Por isso digo que o Sensei é incrível, porque tem a confiança dos grandes mestres para passar à frente essas artes antigas. Volta e meia o Sensei nos trás alguma novidade. Estamos sempre em movimento.











25. Só Casca !  – Para a prática, enfim, o treino do Kenjutsu é necessária toda uma indumentária, isso é bem caro, não é?
26. Vaz Alexandre – Olha, no início é um investimento considerável. Todo nosso material é importado e tem qualidade superior, apesar de existir algumas peças fabricadas no Brasil e EUA que são mais baratas, podem não ter a qualidade adequada. A preocupação maior no equipamento é a segurança. Pois, ele pode quebrar, sair farpa, machucar alguém... e coisa do tipo. Mas nesses últimos tempos, nossa tendência é deixar o mais acessível possível para todos aqueles que queiram treinar. Por exemplo, temos equipamentos coletivos para os alunos, espadas, armaduras. Com o tempo os próprios alunos vão querendo seus próprios equipamentos. Temos também o sistema de bolsas para quem precisa.








27. Só Casca !  – Além da armadura usam mais de uma espada?
28. Vaz Alexandre – Sim, temos várias! Com a luta de Bogu (armadura), só utilizamos espadas de bambu. Mesmo as espadas de bambu têm vários tamanhos, que abrem um leque de possibilidades e estratégias. Mas usamos também a madeira, espada de aço... mas em outras modalidades.















29. Só Casca ! – Uma vez conversando com um professor de Takendow, ele me explicou que o kiai tem por finalidade motivar o lutador e intimidar o adversário.
30. Vaz Alexandre – bem é isso mesmo, ali no treino você põe as suas feras para fora, faz o sangue ferver, não sei qual é a justificativa médica, mas a psicológica é para colocar as feras para fora e mostrar para o seu adversário superioridade.













31. Só Casca! – Atletas, especialmente, em artes marciais sempre convivem com lesões em razão dos treinos, no jiu-jitsu e no judô, é muito difícil encontrar algum atleta que não tenha ou já teve um histórico de lesões no ombro ou joelho, quais são as lesões mais comuns para os praticantes de Kenjutsu?
32. Vaz Alexandre – Aqui a gente sempre prima por evitar as lesões, porém conforme o aluno vai ficando mais habilidoso, o treino fica mais sério. O aluno descobre a força e as vezes ele pode desenvolver uma lesão, pode ser no pulso, no joelho. Sempre temos o esforço de evitar lesões.











33. Só Casca ! – No Kenjutsu há contato físico direto? Cinturar o adversário e quedá-lo?
34. Vaz Alexandre – Olha, contao físico no início não temos. O que existe é que quando o aluno chega na faixa vermelha, o 4ºKyu, ele começa a treinar, a aprender as técnicas de espada curta, uma espada utilizada só em uma mão, deixando a outra livre. Então usando todas as possiblidades, com a espada curta e uma mão livre, você pode dominar o adversário e golpear com a espada curta. Acaba assim havendo um contato, golpe com o corpo, que chamados de Irimi. Não temos quedas, mas às vezes acontece entre os mais antigos. Eles sabem até onde podem chegar, e a luta pode ser mais feroz, e acontecer de alguém cair. Já aconteceu comigo, claro.





35. Só Casca ! – Aproveitando sua menção agora, quais são os graus existentes em sua arte, desde o básico?
36. Vaz Alexandre – A faixa branca, sem graduação, a primeira é a azul, que é o 7ºKyu, e aí vai diminuindo até chegar à faixa marrom. Ao invés de marcar a graduação na faixa, que no nosso caso fica oculta sob o hakama, usamos uma targeta colorida no braço direito. As graduações sobem até o 1ºKyu, e depois o 1ºDan, que é a faixa preta. Tem o Senpai Wenzel que é nosso coordenador geral do Rio de Janeiro, que é segundo Dan. Dentro do Kenjutsu, da arte da espada, vai de uns 10 anos para se chegar à preta. Tem critério, precisa treinar bastante. Não há como pular etapas, há técnicas que precisa saber e também comprovar desenvolvimento espiritual.











37. Só Casca ! – Como se avalia isso? O Desenvolvimento espiritual de um praticante de Kenjutsu?
38. Vaz Alexandre – Pelas ações. Pelo convívio dentro do dojo.











39. Só Casca ! – são os colegas ou os professores que avaliam?
40. Vaz Alexandre – são os professores, todos estão observando o comportamento.





41. Só Casca ! – Cite, por favor, uma virtude que um professor vê em um aluno?
42. Vaz Alexandre – Eu costumo chamar de proativo, nas primeiras faixas aquela pessoa que está sempre disposta a ajudar, nos assuntos do Dojo, mas dentro de suas capacidades... estar sempre atento aos mais antigos e aos mais novatos, e por aí vai.





43. Só Casca ! – Essas virtudes, são aleatórias, ou vocês já tem uma lista, digamos assim de “virtudes” exigidas por faixas, por exemplo, a pro-atividade para os iniciantes, uma outra virtude para a faixas intermediárias, é isso?
44. Vaz Alexandre – Existe uma listinha, falado de boca para que cada pessoa se cuide, claro que quanto mais alto o degrau, maior é a responsabilidade, seguimos uma lógica clara. Os mais novatos tem por exemplo que cuidar da própria animação, os veteranos tem que se preocupar com os mais novatos... Nós temos os Momento De Ouro que ajudam também no desenvolvimento pessoal.





45. Só Casca ! –
  Por favor, explique o que é esse “Momentos De Ouro”?
46. Vaz Alexandre – No final de cada treino, após toda atividade física, todos suados, após todos terem treinado bastante, fazemos uma rodinha e o mais antigo, o professor ou o próprio Sensei, desperta a reflexão para combatermos nossos demônios do nosso cotidiano, de maneira clara, estimulando a utilizarmos essa cultura samurai em nossas vidas.





47. Só Casca ! – o que quer dizer essa “animação” que o senhor mencionou?
48. Vaz Alexandre – Sempre motivado, disposto a ajudar o grupo e por aí vai conforme a faixa. O faixa laranja, que já é a terceira graduação, e pode usar o kimono azul ele tem que cuidar dos senpais (veteranos), auxiliá-los, por exemplo.





49. Só Casca ! quem é a pessoa que é considerada um expoente nessa arte marcial? E por que? É o casca do Kenjutsu.
50. Vaz Alexandre – Ah eu tenho que dar o braço a torcer é pro Sensei mesmo. Passar 40 anos lutando dentro de uma armadura, aprender vários estilos antigos, vários, e se doar para ensinar o Bushido aos ocidentais é longe de ser fácil, muito longe. Sensei criou algo novo, que nem no Japão se faz. E ainda somos aceitos, bem vistos pelos grandes mestres do Japão. Outra coisa é que temos muito mais praticantes da do estilo do Niten Ichi Ryu por exemplo no Brasil que no Japão. Isso é muito gradioso.
51. Vaz Alexandre – Convido a todos que tiverem ou quiserem despertar um guerreiro dentro de si a treinar conosco. Estamos em praticamente todo o Brasil, e aqui no Rio temos Dojos na Tijuca, Botafogo, Nova Iguaçu, Niterói, Nova Friburgo, Volta Redonda... Temos muitos lugares, horários e notícias em niten.org.br  - Até o treino!





25-out-2013

12º TBEK - Convivência

Depois do Torneio (12º TBEK), sentei-me para descansar e conversar.
Falamos sobre a ultima viagem ao Japão, os bastidores das comemorações dos 20 anos da família Niten e assuntos que só em uma conversa descontraída, solta e franca podemos abrir: "conversas de família".
Todos eles, assuntos que normalmente não se comenta no dojo (local de treino), tiveram a sua vez. Cada qual com a sua importância, foram esclarecidos e iluminaram o Caminho de quem esteve lá. 
 Em boa hora, recebi de uma aluna que voltou recentemente da Europa e que, de certa forma, se aproxima do que espero ao me sentar com todos.  Ei-la : 
 
“Apesar de estar freqüentando o instituto a pouco tempo, já reconheço no Sensei um grande mestre que ensina o foco e a disciplina não apenas para a arte da espada, mas para a vida. Como diriam os gregos: "Conhece- te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses." Ou como diriam os alquimistas: "Viaja ao centro da Terra, retificando-te, encontrarás a Pedra Filosofal." Os que ensinam isto, são os verdadeiros mestres deste mundo. " - Claudia (Unidade Ana Rosa)

Treinar obviamente é muito importante. Por outro lado, ouvir os conselhos dos mais antigos e a sabedoria conquistada ao longo dos tempos enriquece quem procura se elevar.
Sem me alongar ,posso me considerar, sem exagero, um homem feliz. A razão é simples.
primeiro: porque vivo a maior parte imerso em meus treinamentos;
e em segundo: porque quando não treino, no meu descanso estou conversando com a minha familia "Niten" sobre "conhecer o Universo e encontrar a Pedra Filosofal"...

 




"Tive saudades do Nihon ao mesmo tempo que me senti lá durante a apresentação das fotos, revivi e recordei muitos, muitos momentos, graças ao evento. Quantas fichas me caem até hoje, quantas possivelmente ainda cairão? Sortudo eu? Hai!! Com certeza!
Confesso que o episódio da pequena lagartixa me provoca sorrisos no coração, bendito quarto voto do Hagakure!! 
Somos Niten, somos guerreiros/agentes por um mundo melhor!!
Muito obrigado por tantos Momentos de Ouro num domingo ensolarado!!" - Sanches (Unidade Vila Mariana/templo Nikkyoji)





"Gostei bastante dos relatos do senpai Uehara e Barreto sobre a  viagem ao Japão, pois pude ter uma visão mais clara de como funcionam as viagens com o Sensei, contendo muitos ensinamentos culturais e de vida do que "apenas" os treinos.
Também foi a 1ª vez que tive oportunidade de participar de uma roda de conversas com o Sensei sobre vários assuntos e fiquei, sem exageros, emocionado com Sensei dizendo que gosta de estar conosco, seus alunos.
São nesses momentos que aprendemos muito sobre a vida e devemos aproveitar ao máximo essas oportunidades, pois são raras de acontecer no dojo." - Cavalcante (Unidade Vila Mariana/templo Nikkyoji)








 
"O dia seguinte fechamos nossa "reunião" de família, com dois "irmãos" nos contando como foram seus dias com o Sensei em Shugyou(treinamento intensivo). Me marcou muito os Dois Leões. Ainda bem que a imagem das estátuas continua em minha mente assim poderei me lembrar.
O aprendizado continuou em uma grande roda em torno do Sensei, fechando nossa conversa, para que fossemos para casa felizes por crescermos um pouco mais com nossa convivência." - Danilo (Unidade Campinas)
 






 
 
"Este torneio foi muito rico porque tivemos a oportunidade de também conviver mais com o Sensei e ouvir os relatos do sempai Uehara e Barreto sobre os katas do bushido juntos aos grandes mestres e também a influência do bushido na cultura do Japão. São oportunidades únicas que não se repetem e eu já entendi que não posso desperdiçá-las. 
Felizes foram aqueles que mesmo não podendo participar do torneio, deram um jeito de conviver com o Sensei no domingo. Afinal de contas, aprender um pouco sobre o Caminho é mais importante para mim hoje do que ganhar muitas medalhas. 
E o Sensei teve a compaixão de dedicar seu tempo e deixar de estar com a família para estar conosco. Então devemos dar muito valor."  - Ana Lucia (Unidade Ana Rosa)


23-out-2013

12º TBEK - Torneio

Os alunos aqui de São Paulo já estão cansados de me ouvir dizer que o torneios em excesso fazem mal.
Também ouvem me dizer que a ausência deles leva ao marasmo e a preguiça de um samurai.
O ideal é um no primeiro semestre e outro no segundo.
E nestes, é preciso ir a luta.
Ao termino do Torneio, recebi, com satisfação, as palavras de uma aluna dedicada e que raramente falta aos treinos:


"Sensei sempre comenta que torneio são momentos em que tudo pode acontecer. Só que desta vez aconteceu comigo!
Errei o kata, bati a katana no chão, pisei no hakama (roupa calça), enrosquei o saya (bainha) e devo ter cometido outros deslizes que nem percebi. Pode ser por excesso de ki (garra), nervosismo... O fato é que meu espírito estava abalado e meu desempenho individual deixou muito a desejar.
Ao contrário de mim, meus colegas de equipe foram bem melhores: Sempai Fukuta, Leite, Siqueira e Coutinho. Estes sim conseguiram ter bom desempenho e manter o controle emocional nos shiais. O coletivo superou o individual.
Agora é aproveitar para aprender com os erros e, principalmente, fortalecer o espírito. Haverão outras oportunidades de colocar as técnicas e o espírito a prova e não posso cometer os mesmos erros”
- Ana Lucia Pieri (Unidade Ana Rosa)

Ao contrário dos mestres que vêem no seu aluno uma "galinha de medalhas de ouro", fiquei felicíssimo em ver a minha aluna errar. E bastante.
Ao contrário do que muitos imaginam, estamos eu e a minha aluna, felizes por este grande dia.
Este sou eu. Este é o Niten. 






























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