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Café com o Sensei

Pensamentos e comentários do Sensei Jorge Kishikawa


Últimas postagens:

22-fev-2013

Hidensho 25 - Serpente

"Nessa terça-feira de manhã, o Sensei cedeu um pouco do seu valioso tempo para treinar a mim e o Sempai Madeira, com ajuda do Sempai Wenzel. Um treino que apenas o Sensei e o Sempai poderiam ministrar. Aquele treino que lhe deixa exausto só de imaginar mas ainda assim você sai de lá uma nova pessoa por saber o quanto pode aguentar.
 
Em meio ao treino Sensei nos fez keiko de vários kamaes contra os kamaes que sabíamos. Em meio a eles Sensei ficou de Hasso Gedan Nito e eu de Hasso Ito. Esse kamae que o Sensei desenvolveu com sua experiência é que nem uma serpente, faz você ficar olhando preocupado para um lugar, normalmente para a tachi em Hasso, e esquece da outra parte baixa.
 
Com o Sensei a luta já é praticamente perdida mas ainda assim não se pode desistir. Contra esse kamae levei 10 kotes diretos, sem chance de reação e por mais que se saiba de onde vai vir o golpe, não há reflexo suficiente que lhe faça esquivar ou defender e mesmo avançando ele ainda é rápido o suficiente para pegar no espaço certo.
 
Troquei de kamae, fiquei em Hidari Naname shudan e o Sensei em Wakigamae Nito. Outra batalha perdida mas com grande aprendizado, dessa vez foram 7 uchi kotes esquerdos que levei seguido, mesmo a distância sendo maior e podendo ver mais nitidamente o golpe, ainda assim quase impossível de ter alguma reação, mais uma vez o Sensei mostrando porquê ele é diferente.
 
Agradeço a Deus por essa chance de ver e aprender como o Bushido é vasto. Apenas comecei a engatinha-lo."
 
Pinheiro - Unidade Manaus
 




Sensei no Japão 2012



o Bushido é vasto

20-fev-2013

Sensei no Paraná 4

"Toda vez que tenho a oportunidade de estar próximo ao Sensei, tento, da mesma maneira que observamos atentamente detalhes técnicos que o Sensei nos passa, observar também a sua conduta.
Logo quando busquei o Sensei no hotel, já me peguei surpreso quando o Sensei apareceu só com a roupa do corpo. Sem kimono, bukuros, nem mesmo a consagrada mochila do Sensei. Pensei: “Bem, o Sensei já veio planejando algo diferente...”.

 

"A consagrada mochila do Sensei"


 
Nossa conversa no carro foi sobre como o Sensei passou a enxergar Curitiba e Ponta Grossa como uma só grande Unidade, com novas possibilidades e um grande potencial latente. Isso foi como a “visão do general que vem conhecer o campo de batalha”.
Me surpreendeu pois o Sensei estava aproveitando uma semana de descanso com a família aqui no Paraná, e ainda sim, o olhar estava ali, varrendo o campo de batalha, e encontrou algo!
Essa deve ser a evolução do “Shingan”, como o Sensei nos ensina.
O treino técnico foi excelente, com correções objetivas, e aprendendo com o corpo, não com palavras, me reavivou a vontade de buscar os detalhes de katas que, quase acreditamos que sabemos o suficiente. Ainda estou pensando na “lição de casa” que o Sensei me deixou. 
Em suma, pude conhecer dessa vez mais de perto mais um lado do Sensei, o do General. E que, para quem tem olhos para ver, sempre existe alguma coisa para ser vista. Deve ser por isso que é tão difícil retribuir o mestre. 
Ele nos ensina e nem percebemos!
Domo arigato gozaimashita ao Sensei por disponibilizar a nós estas horas preciosas no meio do momento com sua família, e pelas lições que ainda não aprendemos."

Rocco (Unidade Curitiba)




Tropa em férias? Não. General Rommel no deserto

14-fev-2013

Sensei no Paraná 3

"Sensei esteve de passagem por Curitiba e nos fez uma visita na quarta passada.
Muita atenção a detalhes e correções de erros invisíveis aos meus inexperientes olhos de kohai (não veterano).
O mais impressionante é que ele via e corrigia mesmo quando ele aparentemente não estava olhando na direção dos que executavam os detalhados katas de iaijutsu e jojutsu.
Acho que o Sensei não precisa olhar para enxergar o que acontece em volta."-
Bianca (Unidade Curitiba)


"Quando Senpai (cordenador) Guimarães me perguntou se eu gostaria de acompanhar o Sensei em sua visita à Vila Velha não pensei duas vezes. Seria uma oportunidade raríssima e eu não poderia perder.
Passar o dia com o Sensei e sua família, foi um dos grandes momentos que eu tive como aluno do Instituto Niten.

Quando as pessoas pensam em "Samurai" logo vem imagens de batalhas, armaduras, espadas, duelos, guerreiros ferozes e corajosos. Tudo isso está intimamente ligado à figura do Samurai. Mas existem também outras facetas do guerreiro por trás desses itens.
Como alunos do Niten, na maioria das vezes, vemos o Sensei Mestre nos guiando pelo Caminho, mas nesse dia pude ver outras faces do Sensei, o Sensei Pai, o Sensei em família. E mesmo com a "espada no saya (bainha)" o Sensei Samurai estava presente todo o momento e é sempre interessante poder ver o Bushido tão bem aplicado nos mais simples detalhes, mesmo em um momento de lazer.

Me preparei para receber o Sensei, mas fui surpreendido. Foi o Sensei que me recebeu em sua família e de modo muito acolhedor com direto a muitos Hiddens (segredos) e exemplos que certamente vou me lembrar para sempre.
Domo arigatou gozaimashitá Sensei e família por esses momentos tão significativos que pude conviver."
Ricardo - Unidade Ponta Grossa


13-fev-2013

Sensei no Paraná 2

"Muitas coisas me chamaram atenção durante a visita do Sensei, dentre elas foram sua objetividade, foco e tranquilidade na condução do treino. Tudo feito de forma simples e sem rodeios.
Uma das minhas frases preferidas é a do escultor romeno Constantin Brancusi:
"A Simplicidade é o complexo bem resolvido".
E é exatamente isso que eu vejo no Sensei. Fico imaginando a complexidade que foi o longo caminho percorrido por ele, treinos exaustivos, renuncias, disciplina e tenacidade.
E o resultado de tudo isso é o que sempre nos perguntamos quando presenciamos ele nos treinos: "Como é que ele faz isso?" "É tão simples, por que eu não consigo?" "Como eu não conseguia ver esse detalhe antes?"
Acredito que uma das facetas do caminho no Niten seja transformar toda essa complexidade à nossa volta em simplicidade."

Rodrigo Dangelo - Unidade Paraná


"Iniciados os treinos do ano e logo a notícia de que o sensei iria fazer uma visita a Curitiba me deixou entusiasmada. Foi feita toda uma programação dos alunos da unidade de Ponta Grossa para irmos ao treino.
Durante todo o treino foram passados detalhes e ensinamentos específicos para cada um, num treino diferente de todos que já vi e muito dinâmico. Cada detalhe ensinado, cada palavra dita, cada gesto feito, tudo sendo aproveitado ao máximo por todos.
Domo arigatou gozaimashitá Sensei por ter passado esses ensinamentos e dividido conosco uma parte da história do porquê de suas férias em Curitiba, por nos fazer sorrir e por tantas outras lições."

Luciana (Unidade Ponta Grossa)

 

 

Foi incrível ver como o Sensei se atenta a cada detalhe durante o treino. São tantos alunos, todos fazendo em um ritmo e/ou jeito diferente. E mesmo assim, o Sensei acompanha perfeitamente, fazendo as correções necessárias para o desenvolvimento de cada um
Gostaria também de encerrar com a frase dita pelo Sensei neste dia. Eu tenho certeza que me fortalecerá sempre caso apareça dificuldades e pedras no caminho. Afinal de contas, todos nós sabemos que não é fácil:
-Persistência é algo que todos conseguem ter independente do caminho que estejam seguindo. O difícil mesmo é ter garra, é ter gana... Diferente de outros caminhos, nós pagamos com dor e sangue nossos erros, nossas falhas e imperfeições, porém, não são todos que conseguem continuar e seguir em frente.”

Machado (Unidade Curitiba)

 

06-fev-2013

Entrevista Brasil-Econômico / Tv-IG

Passamos hoje a entrevista feita na redação do Jornal Brasil Econômico com a repórter Priscilla Arroyo e publicada hoje no site do Jornal e na home do portal Ig.
A entrevista aconteceu logo após a conversa que originou a matéria escrita ( CS - 24 jan - Matéria no Jornal Brasil Econômico ):


05-fev-2013

Sensei no Paraná 1



"Nesta quarta-feira, dia 30 de janeiro tivemos a visita do Sensei à Unidade Curitiba. Mesmo de férias o Sensei estava lá para guiar nossos passos no caminho. Foi um treino bem incomum e muito instrutivo, com uma atenção especial para os detalhes. Mais do que uma oportunidade de refinamento das técnicas, foi um momento de estar ao lado do mestre, compartilhando da mesma energia (ou seria “pegando carona” na energia?). Depois do treino o jantar foi, como sempre, muito agradável e tivemos a chance de receber notícias muito boas sobre eventos futuros do Niten.
Mas imagino que a maior lição que tivemos não foi dita. O Sensei mostrou, através de sua simples presença no treino, que não existem férias no Caminho. Não se deve “parar um pouquinho pra depois continuar”, assim como não se pode dar uma pausa na vida para depois retomá-la. Não há tempo a perder e se pensamos que podemos recuperá-lo, ai de nós! Pagaremos com lágrimas ou com sangue.
Diante desse ensinamento silencioso só posso dizer: Domo arigatou gozaimashitá Sensei. E perdoe-me por não conseguir corresponder a toda a dedicação que o senhor tem por mim."

Rovere (Unidade Ponta Grossa)



 


 

"Pela primeira vez pude participar de uma charutada com o sensei e pude ver pela primeira vez um "Sensei diferente". Por mais que já tenha lido o Shin Hagakure e treinado com o Sensei algumas vezes em gashukus e em outras visitas, nesta charutada pude perceber muitas coisas em primeira mão, creio que principalmente a parte que está no Shin Hagakure sobre falar o que tem que ser dito sem rodeios e que não há tempo a se perder."

Adriano (Unidade Curitiba)

 

 

01-fev-2013

Hidensho 24 - Quando uno es lo mismo que dos

"Con el movimiento del agua

Sensei es capaz de usar con la máxima habilidad y, sin distinción, una variedad impresionante de armas. En mi ultimo viaje a San Pablo, tuve la suerte de verlo cuando lucho contra mi usando una kusarigama y, despues, dos kusarigamas al mismo tiempo. Es claro que en sus pergaminos, llamados HEIHOHIDENSHO, manuscritos de los secretos de la Técnica y delEspíritu, hay secretos que valen para derrotar a un enemigo usando cualquier arma.

En la primer lucha, aposté a que la cuerda de la kusarigama se enredaria aunque sea una vez, espere tener una oportunidad de acercarme una vez por una demora provocada por las caracteristicas de la reproduccion que usamos para luchar. O sea, siendo practicante de jo sé por experiencia el alcance de la kusarigama es mayor que el de la shinai pero que la reproducción que usamos para luchar - para no provocar lesiones- tiene en su punta un peso de cuero liviano en vez de una bola de acero. Esto provoca que el arma en lucha se mueva a veces mas lento que el arma real y tienda a enredarse. Sin embargo, no hubo oportunidad ninguna. Sensei paso por encima de todo, cortando tanto como golpeando certeramente. Men! gritaba y men era el golpe que entraba, kote! y kote era el golpe que entraba. Fue una demostración de la versatilidad de la kusarigama y de la versatilidad de Sensei. Era increible como el arma y Sensei parecian uno solo, moviendo el filo con naturalidad y determinando la distancia para golpear con bola con precision de aguila.

En la segunda lucha Sensei usó dos kusarigamas, ni soñe llegar a golpear aunque lo intente con todo. Es dificil de describir el poder que tienen las dos kusarigamas combinadas en la mano de Sensei, dos filos, una cuerda, una bola. Un movimiento fluido como el agua. Los golpes y cortes fueron tan rapidos y viniendo de varios lados opuestos que casi no podia verlos. Enfrentar a Sensei fue como intentar cortar el agua. HIDENSHO, que secreto es capaz de volver a un hombre en una fuerza natural? Vale la pena intentar descubrirlo."


Saieva - Unidad Buenos Aires/AR


Tradução

"Com o movimento da água

Sensei é capaz de usar com a habilidade extrema, e sem distinção, uma impressionante variedade de armas. Na minha última viagem a São Paulo, quando tive a sorte de ver o Sensei, ele lutou contra mim usando uma kusarigama e, em seguida, dois kusarigamas ao mesmo tempo. É claro que em seus pergaminhos, chamados de SHINGIHIDENSHO, Manuscrito dos Segredos da Técnica e do Espírito, há segredos para derrotar um inimigo com qualquer arma.

Na primeira luta, eu apostei que a corda da kusarigama ficaria emaranhada ao menos uma vez, esperei ter uma chance de chegar perto pelo atraso causado pelas características da reprodução da arma que usamos para lutar. Isto é, sendo um praticante de jo, sei da experiência que a extensão e alcance da kusarigama é maior do que o shinai, mas a reprodução que usamos para combater - para não causar ferimentos- tem na sua extremidade um peso de couro fino, ao invés de uma bola do aço. Isso faz com que a arma usada para lutar, às vezes se mova mais devagar do que a arma real e tenda a emaranhar-se. No entanto, não houve oportunidade nenhuma. Sensei passou por cima de tudo, o corte e a batida com equivalente precisão. Men! gritou e Men chegava, kote! e kote era o golpe que entrava. Foi uma demonstração da versatilidade do kusarigama e versatilidade do Sensei. Era incrível como a arma e o Sensei pareciam um, passando a lâmina de forma natural e determinando a distância para atacar com a bola com precisão de águia.

Na segunda luta Sensei usou dois kusarigamas, eu nem sonhei em chegar a golpear mesmo que tenha tentado com tudo. É difícil descrever o poder que têm as dois kusarigamas nas mãos do Sensei, duas cortantes, uma corda, uma bola. Um movimento fluido tal como a água. Os golpes e cortes eram tão rápidos e vindo de vários lados opostos que mal podia vê-los. Enfrentar a Sensei era como tentar cortar a água. HIDENSHO, que segredo é capaz de tornar a um homem em uma força da natureza? Vale a pena tentar descobrir."


Saieva - Unidade Buenos Aires/AR

 


Furoshiki de uma das kusarigamas utilizadas pelo Sensei

Em minha experiência e a dos meus mestres, o uso da Kusarigama (ou das Kusarigama) tem alcançado maior resultado nos oponentes que adotam a postura do Chudan (quando a ponta da espada aponta para a frente na altura do pescoco ).



 


30-jan-2013

Hidensho 23 - Desaparecimento do Sensei

"La desaparición de Sensei

Dentro de los recursos del guerrero, la distracción del enemigo puede ser, algunas veces, el más contundente.

Al estar luchando con Sensei, después de una serie de golpes propinados por él, me concentré en el “MEN” donde probablemente existiría una leve posibilidad de acertar un golpe, al menos un golpe. Me enfoqué, respire profundamente, todo mi cuerpo se energizó y descargó un golpe rápido con la Shinai…

-“MEEEEEEEEEEENNNNN”…

Pero al momento que la Shinai tenía que hacer contacto con el equipo de protección, no sucedió nada, Sensei no estaba…

Sensei había desaparecido….

Entonces, aún si lograr comprender que había sucedido, sentí un golpe ascendente, era Sensei, que al igual que en la kata Dai Ichi Kihon, había modificado su ubicación y lanzó una estocada ascendente.

En mi mente, aún después de varios minutos, no lograba entender que había sucedido. Mi percepción era que Sensei se había esfumado y apareció en otro lugar con una clara oportunidad de asestar un golpe mortal. La mente nos juega muchos trucos, la maestría consiste en saber aprovechar estas tretas para emboscar al adversario.

De la misma manera que un mago, hábilmente, logra distraer la atención del público hacía un punto determinado y con agilidad sorprendente realiza el truco sin que el público lo note; Sensei había logrado desviar mi atención para lograr su objetivo, asestar el golpe final.

Arigato Gozaimashita Sensei"


Aragón - Niten Mexico



Tradução

"O desaparecimento do Sensei

De acordo com os recursos do guerreiro a distração do inimigo pode ser, algumas vezes, determinante.

Ao estar lutando com o Sensei, depois de uma série de golpes dados por ele, me concentrei no “MEN” onde provavelmente existia uma pequena possibilidade de acertar um golpe, ao menos um golpe. Me concentrei, respirei fundo, todo meu corpo se energizou e liberei um golpe rápido com a Shinai...

-“MEEEEEEEEEEENNNNN”…

Mas, no momento em que a Shinai tinha que fazer o contato com o equipamento de proteção, nada aconteceu, o Sensei não estava lá...

O Sensei havia desaparecido...

Então, ainda sem conseguir entender o que havia acontecido, senti um golpe ascendente, era o Sensei, com um dos kata igual ao Dai Ichi Kihon, havia mudado sua localização e lançou um golpe ascendente.

Na minha mente, depois de vários minutos, não conseguia ainda entender o que havia acontecido, minha percepção era de que o Sensei havia evaporado e aparecido em outro lugar com uma clara oportunidade de me acertar um golpe mortal. A mente nos revela muitos truques. A maestria consiste em saber aproveitar esses truques para emboscar o adversário.

Da mesma maneira que um mágico, habilmente, consegue distrair a atenção do público, fazendo um ponto determinado e com uma agilidade surpreendente realiza o truque sem que o público perceba, o Sensei havia tirado minha atenção para realizar seu objeitvo, acertar o golpe final.

Arigato Gozaimashita Sensei"


Aragón – Niten México
 


Taoru Hi Ryu Jo Un "o dragão que ultrapassa as nuvens"
 

O Hidensho , por ser um estudo aprofundado sobre Estratégia (Heiho) traz situações inusitadas e inesperadas ao oponente.
Ver o que não pode ser visto é a base para não ser derrotado. Mas o Hidensho vai além: desaparecer.
Mas, por favor, isto nada tem a ver com os filmes de ninja...


 


 

24-jan-2013

Matéria no Jornal Brasil Econômico

Esta semana fomos convidados à redação do Jornal Brasil Econômico.
Segue abaixo a matéria publicada hoje.




Brasil Econômico - Priscilla Arroyo |

Filosofia de guerreiros pode ajudar na carreira executiva


Mestre ensina antigos valores dos guerreiros japoneses, em que cada momento é vivido como se fosse uma batalha.

Olhar aguçado que beira o stress, atenção plena e disponibilidade para emitir uma opinião a qualquer momento. Essas são as características mais comuns entre os executivos que iniciam o treinamento com o Sensei Jorge Kishikawa, no Instituto Niten.

As aulas transmitem a filosofia dos guerreiros através do treino da esgrima japonesa e propõe além do exercício físico, uma nova visão de vida, na qual cada momento deve ser tratado como se fosse uma batalha, cenário em que falhas ou imperfeições são inconcebíveis. “O maior desafio a princípio é ensina-los a ouvir. Os executivos são muito articulados e querem dar opiniões mesmo quando não peço”, conta o Sensei.

O acúmulo de informações formais provenientes principalmente da posse de diplomas, infla o ego dos homens de negócios e os fazem esquecer valores básicos, como a compaixão, honra e disciplina, diz. Por isso, a primeira exigência do mestre é ouvir em alto e bom som dos novos alunos sobre a vontade de aprender. “É um truque para de quebrar a auto confiança exacerbada”, conta Kishikawa.

Após essa etapa, a espada entra em cena. Observando como os discípulos empunham a arma, o Sensei faz uma avaliação sobre a personalidade dos alunos e logo parte para a primeira lição. “Bato com a espada de bambu para ensiná-los como lidar com uma derrota”, diz.

No entanto, a dor maior não é proveniente do contato que o bambu trava com a pele, e sim do convívio com o mestre, que traz à tona muitas situações nas quais se destacam as falhas de conduta. Nesses casos, a tradição oriental dita que os erros devem ser trabalhados no momento em que acontecem, e por isso o aprendizado em tempo integral pode ser cansativo, e em algum casos, até doloroso.

Esse trabalho espiritual é baseado na filosofia Bushido, que significa “caminho do guerreiro”. Esse é um código de ética e conduta, um modo de vida para os samurais, que fornecia parâmetros para os guerreiros viverem e morrerem com honra. “É possível que o homem fique livre da ganância seguindo os mesmos princípios que balizavam a vida dos samurais”, diz.

Com objetivo de traduzir todo esse ensinamento para o mundo corporativo, o Sensei Kishikawa criou há 20 anos um método próprio denominado KIR empresarial (mais detalhes no quadro abaixo), no qual é proposto um encontro semanal exclusivo- somente entre o mestre e o executivo.

Durante as aulas, a lida com a espada através do Kendo (caminho da espada, uma das disciplinas japonesas mais tradicionais) serve de ferramenta para o ensinamento de lições de vida, que refletidas na atividade empresarial torna os profissionais mais competentes.
Discípulo há cerca de seis meses, o consultor de investimentos Alexandre Wolwacz, conta que é possível perceber uma significativa melhorar da sua performance no trabalho. Para ele, premissas ensinadas pelo mestre como a disciplina, o foco na tomada de decisão, e a busca pela perfeição, são lições imprescindíveis para quem atua no mercado de capitais.

Wolwacz, que atua principalmente realizando negociações de curto prazo no mercado financeiro, mensura que o nível de acerto das operações subiu de 65% para 85% desde o início dos treinos.
“Embora esse tenha sido um nível significativo de melhora, o mais importante é que tenho avançado no acerto do ponto preciso do início de cada operação (de compra e venda de ações)”, conta o executivo.

Através de um olhar mais subjetivo das aulas, Wolwacz destaca a energia que “passeia” pelo ambiente durante o treino. “Me sinto literalmente energizado para executar o que for necessário a fim de realizar minhas atividades de trabalho”, conclui.

De acordo com Guilherme Sanches, executivo de um dos maiores grupos empresariais do Brasil e discípulo há cerca de seis anos do mestre Kishikawa, as aulas ajudaram no trato com as pessoas. “A partir do processo de autoconhecimento, consigo interpretar a verdadeira intenção escondida atrás da fala do meu chefe ou dos subordinados. No treino, somos induzidos a sentir o estado de espírito do oponente, o que alimenta minha sensibilidade”, avalia.

Saquê com o mestre

Ele destaca ainda a força que adquiriu durante o tempo de treinamento. “Na rotina diária, somos constantemente tentados para escolher entre o certo e o fácil. No treino, o instinto do guerreiro é incorporado e temos força para agir sempre do modo correto”, afirma.

Não é somente dentro do Instituto Niten que os ensinamentos acontecem, pelo contrário, de acordo com o Sensei, a convivência fora do local formal de aprendizado é essencial para que a evolução ganhe força no íntimo dos discípulos. Em seu livro “Shin Hagakure - pensamentos de um samurai moderno”, Kishikawa reuniu as principais premissas para ajudar os alunos a enfrentarem a travessia da vida. Em um trecho, ele destaca a importância da convivência informal com o mestre. “Bebe-se saquê para tirar a máscara, acabar com a formalidade existente na rotina do trabalho ou mundo corporativo”.


 




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