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Café com o Sensei

Pensamentos e comentários do Sensei


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30-jan-2013

Hidensho 23 - Desaparecimento do Sensei

"La desaparición de Sensei

Dentro de los recursos del guerrero, la distracción del enemigo puede ser, algunas veces, el más contundente.

Al estar luchando con Sensei, después de una serie de golpes propinados por él, me concentré en el “MEN” donde probablemente existiría una leve posibilidad de acertar un golpe, al menos un golpe. Me enfoqué, respire profundamente, todo mi cuerpo se energizó y descargó un golpe rápido con la Shinai…

-“MEEEEEEEEEEENNNNN”…

Pero al momento que la Shinai tenía que hacer contacto con el equipo de protección, no sucedió nada, Sensei no estaba…

Sensei había desaparecido….

Entonces, aún si lograr comprender que había sucedido, sentí un golpe ascendente, era Sensei, que al igual que en la kata Dai Ichi Kihon, había modificado su ubicación y lanzó una estocada ascendente.

En mi mente, aún después de varios minutos, no lograba entender que había sucedido. Mi percepción era que Sensei se había esfumado y apareció en otro lugar con una clara oportunidad de asestar un golpe mortal. La mente nos juega muchos trucos, la maestría consiste en saber aprovechar estas tretas para emboscar al adversario.

De la misma manera que un mago, hábilmente, logra distraer la atención del público hacía un punto determinado y con agilidad sorprendente realiza el truco sin que el público lo note; Sensei había logrado desviar mi atención para lograr su objetivo, asestar el golpe final.

Arigato Gozaimashita Sensei"


Aragón - Niten Mexico



Tradução

"O desaparecimento do Sensei

De acordo com os recursos do guerreiro a distração do inimigo pode ser, algumas vezes, determinante.

Ao estar lutando com o Sensei, depois de uma série de golpes dados por ele, me concentrei no “MEN” onde provavelmente existia uma pequena possibilidade de acertar um golpe, ao menos um golpe. Me concentrei, respirei fundo, todo meu corpo se energizou e liberei um golpe rápido com a Shinai...

-“MEEEEEEEEEEENNNNN”…

Mas, no momento em que a Shinai tinha que fazer o contato com o equipamento de proteção, nada aconteceu, o Sensei não estava lá...

O Sensei havia desaparecido...

Então, ainda sem conseguir entender o que havia acontecido, senti um golpe ascendente, era o Sensei, com um dos kata igual ao Dai Ichi Kihon, havia mudado sua localização e lançou um golpe ascendente.

Na minha mente, depois de vários minutos, não conseguia ainda entender o que havia acontecido, minha percepção era de que o Sensei havia evaporado e aparecido em outro lugar com uma clara oportunidade de me acertar um golpe mortal. A mente nos revela muitos truques. A maestria consiste em saber aproveitar esses truques para emboscar o adversário.

Da mesma maneira que um mágico, habilmente, consegue distrair a atenção do público, fazendo um ponto determinado e com uma agilidade surpreendente realiza o truque sem que o público perceba, o Sensei havia tirado minha atenção para realizar seu objeitvo, acertar o golpe final.

Arigato Gozaimashita Sensei"


Aragón – Niten México
 


Taoru Hi Ryu Jo Un "o dragão que ultrapassa as nuvens"
 

O Hidensho , por ser um estudo aprofundado sobre Estratégia (Heiho) traz situações inusitadas e inesperadas ao oponente.
Ver o que não pode ser visto é a base para não ser derrotado. Mas o Hidensho vai além: desaparecer.
Mas, por favor, isto nada tem a ver com os filmes de ninja...


 


 

24-jan-2013

Matéria no Jornal Brasil Econômico

Esta semana fomos convidados à redação do Jornal Brasil Econômico.
Segue abaixo a matéria publicada hoje.




Brasil Econômico - Priscilla Arroyo |

Filosofia de guerreiros pode ajudar na carreira executiva


Mestre ensina antigos valores dos guerreiros japoneses, em que cada momento é vivido como se fosse uma batalha.

Olhar aguçado que beira o stress, atenção plena e disponibilidade para emitir uma opinião a qualquer momento. Essas são as características mais comuns entre os executivos que iniciam o treinamento com o Sensei Jorge Kishikawa, no Instituto Niten.

As aulas transmitem a filosofia dos guerreiros através do treino da esgrima japonesa e propõe além do exercício físico, uma nova visão de vida, na qual cada momento deve ser tratado como se fosse uma batalha, cenário em que falhas ou imperfeições são inconcebíveis. “O maior desafio a princípio é ensina-los a ouvir. Os executivos são muito articulados e querem dar opiniões mesmo quando não peço”, conta o Sensei.

O acúmulo de informações formais provenientes principalmente da posse de diplomas, infla o ego dos homens de negócios e os fazem esquecer valores básicos, como a compaixão, honra e disciplina, diz. Por isso, a primeira exigência do mestre é ouvir em alto e bom som dos novos alunos sobre a vontade de aprender. “É um truque para de quebrar a auto confiança exacerbada”, conta Kishikawa.

Após essa etapa, a espada entra em cena. Observando como os discípulos empunham a arma, o Sensei faz uma avaliação sobre a personalidade dos alunos e logo parte para a primeira lição. “Bato com a espada de bambu para ensiná-los como lidar com uma derrota”, diz.

No entanto, a dor maior não é proveniente do contato que o bambu trava com a pele, e sim do convívio com o mestre, que traz à tona muitas situações nas quais se destacam as falhas de conduta. Nesses casos, a tradição oriental dita que os erros devem ser trabalhados no momento em que acontecem, e por isso o aprendizado em tempo integral pode ser cansativo, e em algum casos, até doloroso.

Esse trabalho espiritual é baseado na filosofia Bushido, que significa “caminho do guerreiro”. Esse é um código de ética e conduta, um modo de vida para os samurais, que fornecia parâmetros para os guerreiros viverem e morrerem com honra. “É possível que o homem fique livre da ganância seguindo os mesmos princípios que balizavam a vida dos samurais”, diz.

Com objetivo de traduzir todo esse ensinamento para o mundo corporativo, o Sensei Kishikawa criou há 20 anos um método próprio denominado KIR empresarial (mais detalhes no quadro abaixo), no qual é proposto um encontro semanal exclusivo- somente entre o mestre e o executivo.

Durante as aulas, a lida com a espada através do Kendo (caminho da espada, uma das disciplinas japonesas mais tradicionais) serve de ferramenta para o ensinamento de lições de vida, que refletidas na atividade empresarial torna os profissionais mais competentes.
Discípulo há cerca de seis meses, o consultor de investimentos Alexandre Wolwacz, conta que é possível perceber uma significativa melhorar da sua performance no trabalho. Para ele, premissas ensinadas pelo mestre como a disciplina, o foco na tomada de decisão, e a busca pela perfeição, são lições imprescindíveis para quem atua no mercado de capitais.

Wolwacz, que atua principalmente realizando negociações de curto prazo no mercado financeiro, mensura que o nível de acerto das operações subiu de 65% para 85% desde o início dos treinos.
“Embora esse tenha sido um nível significativo de melhora, o mais importante é que tenho avançado no acerto do ponto preciso do início de cada operação (de compra e venda de ações)”, conta o executivo.

Através de um olhar mais subjetivo das aulas, Wolwacz destaca a energia que “passeia” pelo ambiente durante o treino. “Me sinto literalmente energizado para executar o que for necessário a fim de realizar minhas atividades de trabalho”, conclui.

De acordo com Guilherme Sanches, executivo de um dos maiores grupos empresariais do Brasil e discípulo há cerca de seis anos do mestre Kishikawa, as aulas ajudaram no trato com as pessoas. “A partir do processo de autoconhecimento, consigo interpretar a verdadeira intenção escondida atrás da fala do meu chefe ou dos subordinados. No treino, somos induzidos a sentir o estado de espírito do oponente, o que alimenta minha sensibilidade”, avalia.

Saquê com o mestre

Ele destaca ainda a força que adquiriu durante o tempo de treinamento. “Na rotina diária, somos constantemente tentados para escolher entre o certo e o fácil. No treino, o instinto do guerreiro é incorporado e temos força para agir sempre do modo correto”, afirma.

Não é somente dentro do Instituto Niten que os ensinamentos acontecem, pelo contrário, de acordo com o Sensei, a convivência fora do local formal de aprendizado é essencial para que a evolução ganhe força no íntimo dos discípulos. Em seu livro “Shin Hagakure - pensamentos de um samurai moderno”, Kishikawa reuniu as principais premissas para ajudar os alunos a enfrentarem a travessia da vida. Em um trecho, ele destaca a importância da convivência informal com o mestre. “Bebe-se saquê para tirar a máscara, acabar com a formalidade existente na rotina do trabalho ou mundo corporativo”.


 

23-jan-2013

Palavras de um Shugyosha 2

Konnichiwa Mina San,
Shitsurei shimassu

Neste meu segundo relato como shugyosha gostaria de comentar algo, que penso ser de curiosidade de vários alunos do Niten e confesso que minha também, sobre como funciona a chamada ADM.

ADM para quem não sabe, é o centro administrativo do Instituto Niten, que fica em São Paulo capital, é a central que coordena todas as unidades no Brasil, Argentina, Chile, Uruguay e México.
Mas eu prefiro chamar a ADM de QG (Quartel General) pois se aproxima mais do que vi por aqui, todos seus membros que vão dos vários Sempais que puxam os principais treinos no Brasil e exterior aos funcionários com funções burocráticas todos eles sem exceção trabalham com ordem e disciplina, em um verdadeiro espírito de combate.
Repetindo, estou falando do Senpai mais graduado ao officeboy todos tem em comum um espírito de eficiência samuraica. Como em um quartel, onde não há “funcionários”, mas soldados com suas patentes e respectivas responsabilidades, até a comunicação que se usa aqui dentro é a mesma que usamos dentro do dojo.
Confesso que essa questão me impressionou muito aqui na ADM, o Niten vive em sua prática diária, administrativa e gerencial o que ensina a todos seus alunos e apesar de treinar há quase 6 anos me senti um pouco como o Capitão Algren do filme “Último Samurai” que se espanta quando em sua captura (shugyo?) é forçado a viver em uma vila samurai ficando impressionado com seus valores e pela constante busca pela perfeição em tudo.

Portanto lembre-se quando forem treinar nas suas unidades os Senpai que puxam o treino e exigem o melhor de você, o mesmo é feito com eles.

Gambate!
Krysamon - Unidade Rio de Janeiro
 

 


 

 

Como em todo "QG", ou feudos como o de "O Último Samurai", falhas ou tropeços acontecem.
Assim também é a "ADM".
O importante é que aqui não é lugar para aqueles que tem o "olhar de peixe morto".
Leia o Shinhagakure, na página 163.

22-jan-2013

Palavras de um Shugyosha

"Kombawa
Shitsurei Shimasu,

Hoje estou no meu 6º dia de Shugyo (treino intensivo) aqui no Instituto Niten na cidade de São Paulo, sob a supervisão do Sensei Jorge Kishikawa e demais veteranos do caminho da espada.
Gostaria de deixar aqui registrado algumas reflexões da minha vivência desta experiência profunda e ao mesmo tempo de provação.
Começando pelo inicio, você nunca está preparado para um shugyo, pois o mesmo também é uma experiência espiritual, isso quer dizer que ele vai além das palavras que aqui tento escrever.
Você é levado ao seu extremo, onde a única saída para sobreviver é ficar mais forte. A exaustão retira todas máscaras do nosso ego, assim é precisamos antes se reconstruir para poder se fortalecer se superar.
Entendi que todos nós desejamos nos superar, crescer como indivíduos, mas na exata "medida do esforço" que escolhemos. No shugyo não há essa escolha de quanto esforço você "investirá" para se superar, isso é escolhido por veteranos no caminho do guerreiro, que estão muito mais carimbados com todas desculpas esfarrapadas e medos que criamos para nos sabotar.
Objetivamente o Shugyo é uma prova de coragem. Mas como saber o que é coragem sem conhecer o medo? No shugyo é preciso reconhecer este medo e superá-lo.
Talvez esse esforço de se superar seja o que os antigos chamavam de "Espírito do Guerreiro". Em meu entendimento essa seria a tradição guerreira dos antigos samurais que conhecemos como Bushido.
Tentar superar-se através de um shugyo é o que ora tento apreender, mas essa jornada ainda não terminou...
Finalizando, gostaria de deixar registrado que com essas palavras não atingi nenhum conhecimento profundo do caminho, ainda tenho muito a aprender.. Esses pensamentos não passam de uma tentativa deste tolo shugyosha em tentar contruir alguma reflexão, ainda que imperfeita.

Domo Arigato Gozaimashita pelo meu Sensei ainda ligar para mim. Pois sem a orientação de um verdadeiro Mestre, eu estaria duplamente perdido na vida e no shugyo.

Portando procure um MESTRE com letra maiúscula..

Sayonara."
Krysamon - Unidade Rio de Janeiro.







No dia em que escreveu estas palavras, "pagou pelo menos 10 sapinhos".
Motivos?
Vários.
Mas posso dizer que esta correlacionado com a quantidade do quanto deseja aprender.

11-jan-2013

Hidensho 22 - Vários Sensei

"É fascinante treinar com o Sensei, em especial os treinos matinais compartilhados com os alunos em Shugyo (retiro e treinamento intensivo) em São Paulo.)
Em cada rodada ficamos pelo 10 minutos direto enfrentando o Sensei, e isto por várias vezes em rodízio.
Cada vez enfrentamos um Sensei diferente, seja com outra combinação de armas, longa, duas, curta, naginata(alabarda). E  também quando a arma se repete, o adversário está sempre a ser um novo, um camaleão o Sensei, alternando o jeito do espírito que o move por dentro.

Enfrentar esse espírito, na pele, ao vivo, à sua frente, ter de se defender contra ele, melhor ainda, enfrentá-lo e criar, inventar uma energia capaz de ir contra, é sempre um aprendizado especial, além das palavras.
Nos livros e na teoria podemos aprender muita coisa, mas para viver, é preciso no final das contas de um espírito que nos guie através da experiência em si. Para nós , guerreiros, as experiências são guerras, e ensinar o espírito a lutar é tão importante como aprender a forma dos golpes ou a teoria da estratégia. Não tem preço.

Os tantos Senseis diferentes que surgem nesses treinos matinais, convidamos a todos a virem vivenciar pessoalmente, em shugyo aqui conosco, e conhecer alguns deles! Há o clássico, irado Sensei que nos acerta dez vezes seguidas com o mesmo golpe. Arghh! o Hidensho em ação nessa hora deve tirar vantagem da desconcertação que nos dá!

Entre esses tantos há também o Sensei aplicando os katás do Niten Ichi Ryu na prática, na luta.
Imaginamos que quando Musashi Sensei criou as sequências do Hyoho Niten Ichi Ryu, teve a intensão de compilar ali nas 12 sequências os segredos acumulados nas décadas de Musha Shugyo pelo Japão e seus mais de 60 duelos vencidos.
Como todos que os praticam sabem, são sequencias extremamente curtas, muitas vezes apenas um ataque com um único movimento de contra ataque. Parecem ser quase simplórias. Nós as treinamos, e de forma muito única no universo do Budo de hoje em dia, estamos estudando aplicar elas novamente no combate com espadas, agora com o proteção e as possbilidades do BOGU(equipamento de proteçao).

O que me impressiona em especial no estilo de Musashi Sensei, é como ele exige e treina a coragem do praticante. Todas as posturas necessitam de um enorme sangue frio e coragem para serem aplicadas em combate.  A começar pela primeira sequencia, Sassen, hoje em dia muito conhecida pelo chute de Anderson Silva contra Victor Belfort que teve o mesmo princípio: de guarda aberta, uma entrada vinda de baixo pelo meio.
O módulo Sassen é um dos programas que o Sensei às vezes engata! Desses que nos rendem 10 golpes consecutivos vindos do mesmo jeito.
Sensei, com uma espada longa, vem em Gedan, postura da terra, com a guarda aparentemente aberta, a ponta abaixada, seguranda a espada com apenas uma mão, e... entra!

Mas além do Sassen, cada vez mais as demais sequências do Niten Ichi Ryu vão tomando espaço no repertório de combate do Sensei: Ukenagashi (O Bloqueio da Agua Corrente), Toraburi ( O Bote do Tigre) , Haritsuke (O Toque Revidante), Hasso  (As Oito Direçoes)... o próprio kiai(grito) dos golpes tem muitas vezes se transformado no nome da sequência aplicada, em jubílio pelo resgate. Não resta senão sorrir. Está dando certo!

O aprendizado para mim está, entre outras coisas, na coragem, tão necessária nessas sequências.
O Niten Ichi Ryu me parece ser essa escola de coragem. E quando isso se torna palpável, treinar as sequências da forma tradicional, com bokuto, dupla e tudo combinado, as sequências mesmo sendo curtas e sintéticas se tornam emocionantes em cada milímetro.

Nessa quarta, foi a vez de mais um avanço nessa conquista do Niten Ichi Ryu pelo Sensei: o Ukenagashi de espada curta, terceira sequencia da série de Shoto(adaga) estava ali, na luta: a sequência saiu naturalmente no combate pelo Sensei. A esquiva, a defesa, o golpe e a mão livre no Tsuka (guarda da espada). Da forma como está registrado no Niten Ichi Ryu, há 400 anos. Sensei ainda me arrancou a shinai e fiquei de mãos abanando. Finalizando o kiai: Ukenagashi!!!

Arghh!, mas é uma alegria!
Arigato Gozaimashitá"


Coordenador Wenzel


 


Bokuto do Sensei


 

05-jan-2013

Hidensho 21 - Ouvir dizer não é tudo

"No treino de hoje eu pude sentir o quão dificil é lutar com uma arma de longa distância, no caso, a Naginata (alabarda). Para mim, não havia Kamae (postura de combate), nem forma com que eu pudesse entrar e atacar o Sensei e por mais que eu tentasse ir para frente, e não recuar, eu sabia que era exatamente isso que eu estava fazendo.

Sempre ouvi que você tem que "encurtar" o Maai (distancia) entre a espada e a naginata.  Infelizmente, percebi que contra o Sensei isso não funciona. Por mais que eu tentasse ir para frente eu sabia que a naginata estava ali e não consegui ver formas de arrancar a Naginata de meu caminho e atacar o Sensei.
Arigatou Gozaimashita Sensei por me mostrar que ainda tenho muito a conhecer, e treinar, dentro do caminho do Kobudo (tradiçao guerreira dos samurais)."


Favaron (Unidade Ana Rosa)


Esta experiência , a de experimentar ( e testar ) as estratégias pré-concebidas são enriquecedoras para todo aquele que deseja fazer algo além do treinamento fisico.
Ir além do que apenas queimar calorias ou executar sequencias combinadas, mas aguçar o "eu desafiador" no combate fortalece o espírito. A garra. Se temos apenas 2 horas para "malhar", que sejam 2 horas de "malhação" e descobertas, penso eu, que priorizo muito o meu tempo.
Além de que Estratégia de verdade não se aprende com leituras. Mas com o corpo. "Apanhando".
Coincidência ou não, eu também "sempre ouvi que temos de encurtar a distância entre a espada e a alabarda". Mas isto não é totalmente verdade.
Assim tenho concluído nas minhas descobertas que tenho transcrito no Hidensho ( CS - 2-fev-2012 - Hidensho )



bandeira do Japão - acervo do Sensei
bandeira de Japão confeccionada em seda na cidade de Bastos há 80 anos, presenteada ao Sensei pela aluna Renata , Unidade Vila Mariana

02-jan-2013

Palavras Iniciais


Shin nen Akemashite Omedeto Gozaimasu
(Parabenizo-o pela sua boa entrada no ano novo que se inicia)

Antes de qualquer palavra, externo meus agradecimentos a todos os que me enviaram os orei (votos de Boas Festas e Feliz Ano Novo).
Tenho-os anotados um a um no meu coração.

Bem, fechamos o ano de 2012 com êxito, paz interior e a alma lavada.
Alguem comparou ao Shangri-la ( CS - 21 dez - Gashuku 2 - Shangri-la ) .
"Shangri-la".
Palavra pouco conhecida entre os jovens e por esta razao, tomo a liberdade de lhe explicar.

Shangri-la, na realidade, foi o cenário de um dos primeiros filmes que vi em minha vida: "Lost Horizon", ou "Horizonte Perdido", em 1973.

Um avião cai nas proximidades do Himalaia em meio à neve e os tripulantes acabam encontrando um lugar onde a juventude é eterna e a felicidade plena.


Nos primeiros dias, tudo é fascinante. Tudo é maravilhoso em Shangri-La. Aqueles que ali residem já descobriram que as coisas mundanas não levam a lugar nenhum e entendem que procurar o lado espiritual e contemplativo é o que os levará à "juventude eterna e felicidade plena".

Depois de algum tempo, porém, alguns dos tripulantes começam a ficar enfastiados com a calmaria e "monotonia" e procuram, por todos os meios, voltar à "civilização". Saudades do agito, da correria da "sociedade".

Tem de correr atrás do dinheiro, do diploma, fama e todas as outras coisas mundanas para preencher o vazio dos seus corações...


Eis que conseguem sair de Shangri-La. E aí entra a parte que mais ficou marcada em minha memória, e que você há de concordar.

Os fugitivos, aliviados em estar no mundo além de Shangri-La, se deparam, é obvio, com a neve e o frio: em questão de segundos, seus rostos ficam desfigurados, rugas e cabelos brancos invadem suas fisionomias como resultado de todos os anos que se passaram e que eles não perceberam enquanto estiveram em Shangri-La, mas que agora cobravam pela peripécia.

Por fim, claro, só cadáveres em meio à neve. Pó...

E aos que ficaram em Shangri-La, 108 anos de vida...

Para quem não ainda não assistiu, vale a pena ver e talvez sirva de sinal para não sucumbir no Caminho do Samurai.

O certo é que está ao alcance de todos a "juventude eterna e a felicidade plena"... basta ter olhos para ver. E vontade para conseguir. E é com esse sentimento que espero em 2013 poder continuar a levar o saber e o conhecimento a aqueles que não querem perder o seu tempo e, por assim dizer, querem ser jovens e felizes para sempre. (mesmo criando antipatia daqueles que fazem suas “peripécias”).

Em 2013, o Niten, esse “Shangri-la” , completa 20 anos de história. Convoco a todos, nesse ano importante para todos nós, a solidificar o Caminho do Samurai.

Banzai (10.000 anos de vida) a todos!



Link do nosso EGAN
a Newsletter do Instituto Niten
de 28 de dezembro 2012

Clique para abrir o EGAN





21-dez-2012

Gashuku 2 - Shangri-la


"Um refúgio no caminho (uma reflexão sobre o Gashuku de fim de ano)

As montanhas em volta com sua natureza exuberante cercavam o local em que homens e mulheres de idades variadas esgrimiam longas espadas e em alguns momentos bastões e espadas curtas.
Uma chuva fina caia emoldurando olhares incisivos trocados antes de cada ataque,
seguidos de movimentos de defesa e contra ataque,
em movimentos entremeados por tons azuis e brancos predominantes contrastando com o verde da mata nativa e o cinza do concreto do piso.
Não havia violência; havia, sim, energia.
Embora o suor, observando mais de perto, evidencia-se o cansaço, e às vezes alguém parasse momentaneamente para pegar um pouco mais de fôlego no ar úmido, esta energia parecia fluir, quase perceptível, quase sendo cortada pelas espadas em atividade frenética.

Às vezes uma nuvem mais baixa contribuía para deixar o ambiente ainda mais isolado de um mundo conturbado que parecia mais e mais distante. Uma muralha protetora transformando a Serra em uma Shangrilá particular, um refúgio para cada alma ali presente.

Isto sim é um bom final de semana...

Domo arigato
"

Cadu - Brasília













"Momento para conhecer a ``Família``

Eu nunca havia participado de um evento como o Gashuko antes. Nem visto tantas pessoas dedicadas a um só fim, trabalhando como se fosse o evento mais importante de suas vidas. E mais importante finalmente tive a oportunidade de conhecer o Sensei.

Tive a oportunidade de conhecer pessoas tão diversas, mas unidas de uma forma tão intensa como que fossem todas de uma mesma família.

Não uma família qualquer, mas uma como a idealizamos. Todos preocupados uns com os outros, e mais importante, todos querendo nos educar. Uma boa família não é a que dá apenas carinho e atenção, toda ``criança`` precisa é de orientação, um puxão de orelha. Estar no Gashuko foi mais revelador do que dias no Dojo. Não que o os treinos não sejam necessários, mas não passam de uma série de exercícios vazios se não houver orientação quanto ao caminho.
E o Sensei, bem o Sensei... Devo confessar que ao vê-lo pessoalmente e receber as palavras e orientações diretamente dele, estas tomam um peso totalmente diferente. A sensação de estar ali é difícil de descrever, há muito tempo não sentia uma mistura de sentimentos tão grande ao conhecer alguém. Hoje em dia somos bombardeados com tantos gurus e pseudo-filósofos, que as vezes ficamos cegos para as pessoas realmente importantes.
O sentimento que fica é o de que sem ir aos eventos, e mais importante sem conhecer o Sensei, é impossível ter um sentimeto de giri verdadeiro.

Sayonara,"

Cestênio - Recife















 

20-dez-2012

Gashuku 1 - Reencontro com os Katas

"Sensei,

Mais uma vez estive em SP pra treinar com o Sensei juntamente com os colegas do Niten de todo o Brasil, no tão esperado Gashuku de fim de ano.

Durante o decorrer das atividades do evento, me sentia num misto de expectativa
e
estranhamento.

Como não comparar os eventos, agora que já tenho certa experiência em gashukus?!
Bem, tinha a expectativa da animação, alegria e amizades criadas pelos momentos de descontração, e elas foram superadas!
Todos estavam muitos felizes com ênfase no Senpai Cadú e no Senpai Jeferson!
Também revi amigos como o Jair, e fiz novos como o Marco Aurélio e o Abrantes.

Porém, tenho que revelar porque mencionei o estranhamento.
Reencontrei senpais, Gilberto, Silva, Fugita...
Revi o Sensei, treinei firmemente, e me diverti muito!
Mas só percebi depois de retornar a BH que o que fez meu espirito me alertar que algo estava diferente era um outro fator, que não estava no exterior mas sim, em mim.

Desta vez, eu conhecia e era reconhecido por vários colegas e senpais,
desta vez me senti mais a vontade perto do Sensei e dos colegas de SP,
e pude notar que me sentia diferente porque não só era acolhido por todos
mas fazia naturalmente o mesmo:
agia como meus senpais me ensinaram,
pelo exemplo que me deram,
enfim, os katas do bushido, estavam ali, sem tensão, mais naturais!

Me sinto orgulhoso por fazer parte deste seleto grupo de samurais, e entendo com um pouco mais de clareza meu papel, e o impacto das minhas ações para o instituto.

Continuarei a desvendar e estudar os ensinamentos dos samurais!

Agradeço ao Sensei e aos colegas que organizaram o gashuku pela ótima experiência! Toda a atenção e empenho tiveram resultado positivo!

Arigato Gozaimashita Sensei!
Sayounará!

Ivan - Belo Horizonte



































 

19-dez-2012

Tudo vale a pena se a alma não é pequena

Notícias que recebi do front:

"Konnintiwá Sensei!
(...)
Este sábado tivemos Hapyokai no Rio, foi um sucesso.
Como costumo fazer, fecho com um Momento de Ouro reunindo todos, alunos e convidados com algum tema leve mas que indique um pouco da filosofia que passamos no Niten.
Esse ano não sabia ainda o que trazer, eis que recebi por email esse artigo do Artur, que lemos no final. Fechou bem!

Ainda na onda do Corinthians, na sexta a Globo nos ligou querendo gravar no sábado de manhã.  Rapidamente organizamos e demos o ok.
E hoje (segunda 17 de Dezembro) o material foi ao ar no Globo Esporte.
Fizeram um Clipe com os jogadores do Corinthians chamados de "Samurais"  entrecortado com cenas de luta do nosso pessoal se degladiando de Bogu.
O Gilberto coreografou. Foi tudo em cima da hora, em meio ao Bonnenkai (confraternização de final de ano) e Osoji (arrumação geral e limpeza de final de ano) que fizemos na quadra do Templo, mas Gilberto e equipe estavam preparados: Samurais!
Daqui do Rio eu ví o jogo.
Me deu a impressão que os corinthianos estavam preparados para jogar e vencer: Samurais.
O clipe ficou justo!
Bom retorno, Sensei,
Arigato Goizaimashitá
Sayounará!
Wenzel"





14/12/2012 - Folha de São Paulo

O melão e o nada

Depois de conhecer o Japão, você começa a achar que o Ocidente é inteirinho nas coxas: direito mesmo, só fazem aqui. A impressão é que cada mínimo detalhe da realidade, do sushi ao arranha-céu, foi estudado e executado de forma a produzir os resultados mais eficientes.

Imagino comissões de especialistas discutindo qual a melhor maneira de aquecer a tampa da privada, a melhor maneira de organizar os pedestres num cruzamento, a melhor maneira de empilhar melões, num mercado. É sério: quando eu vi aquela pilha, entendi que era definitiva. Muitas práticas neste mundo são passíveis de evolução: o empilhamento de melões, não.

O encontro com a perfeição nipônica me leva constantemente do maravilhamento à frustração. Penso no Brasil. Nos fios expostos. Na fila dos hospitais. No Detran. Na CBF. No armário de toalhas, lá de casa. Penso, principalmente, no armário.

Até vir para cá, não sabia que tinha algo de errado com ele, mas agora a falta de racionalidade me incomoda: não há divisão entre toalhas de banho e de rosto. Algumas jazem dobradas, enquanto outras estão em rolinhos, enfiados onde houver espaço. Se arrumasse um armário assim, aqui no Japão, provavelmente seria expulso de casa, acabaria me tornando um desses mendigos bêbados e barbudos que, pelas esquinas japonesas, não há.

A reação ocidental a toda essa organização costuma ser um ataque defensivo, do tipo: "ah, mas eles são muito reprimidos!". É?

Ao ver os pacientes guardas tentando conter os torcedores brasileiros na saída do estádio, que insistiam em ir da calçada para a rua pela única razão de que havia guardas tentando impedi-los --e eles não podiam suportar tamanha afronta às suas masculinidades--, me perguntei: quem é o reprimido?

"Ah, mas essa organização vem de um amor horroroso à hierarquia!", dirão outros. Verdade, eles amam a hierarquia, nós não: mas quem precisa desse amor quando a 12ª pior distribuição de renda cumpre satisfatoriamente a tarefa de manter cada um em seu lugar?

Meu deslumbramento com a onipresente perfeição japonesa não é só em razão da praticidade que ela produz. É uma admiração estética.

Veja: a vida não tem sentido, o universo tá se lixando pra gente, Deus há séculos não dá um alô. Saber, porém, que do outro lado do mundo, num mercado em Nagoya, tem um cara empilhando melões como se disso dependesse o futuro da humanidade não deixa de ser uma pequena e irônica vingança contra o nada.

Vingança do japonês, claro, porque basta ver meu armário de toalhas para perceber que, lá em casa, o nada tá ganhando de goleada...

 

Antonio PrataAntonio Prata é escritor. Publicou livros de contos e crônicas, entre eles "Meio Intelectual, Meio de Esquerda" (editora 34). Escreve às quartas na versão impressa de "Cotidiano".



 






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