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Café com o Sensei

Pensamentos e comentários do Sensei Jorge Kishikawa


Últimas postagens:

02-ago-2012

Shugyo com Sensei 11 - Momento ímpar

"Participamos aqui em Usa (município de Oita) da festa de confraternização para comemorar o primeiro ano de inauguração do novo Dojo do Niten Ichi Ryu em parceria com um templo Zen Budista.

A festa reuniu cerca de quarenta pessoas e fomos, o Sensei e eu, gentilmente convidados a participar da celebração.

Tudo impecavelmente organizado pelos participantes, que se dividiram nas tarefas (providenciar comidas, bebidas, pratos, talheres, mesas e tudo o mais necessário à comemoração) com muita naturalidade, pois nitidamente, já estão habituados a trabalhar coletivamente.

A comemoração começou com alguns discursos, proferidos, aparentemente, pelos participantes mais sêniores do Dojo. Após algumas falas nitidamente de agradecimentos e comemoração, chegou a vez do Sensei falar. Acompanhei o Sensei à frente dos participantes (cada palestrante ficava em pé, à frente, para discursar a respeito do evento). Dado que o Sensei fez o discurso em Japonês, eu estava limitado a prestar atenção à reação dos presentes.

Durante o discurso do Sensei, notei que houve um momento ímpar, daqueles em que algo acontece com capacidade para mudar o "tom" do ambiente. A partir daquele momento particular, várias pessoas mudaram seus rostos e posturas corporais. Havia uma coisa em comum nas mudanças, todos estavam com um semblante de "puxa vida, isto que está sendo falado é importante e nenhum dos "locais" lembrou-se de dizer!". Eis que havia sido o Sensei, alguém "de fora" estava ali para lembra-los de algo caro a todos, mas, que por qualquer motivo, havia passado despercebido pelos demais participantes.

Uma das participantes do evento comentou comigo depois (ela falava Inglês) que a colocação do Sensei no discurso havia sido muito importante para os presentes porque os fez pensar! Na minha percepção, a intervenção bem-vinda do Sensei havia funcionado como um "Men-Ippon" para muitos dos presentes, pois o Sensei trouxe-lhes uma consideração que estava faltando e nitidamente era necessária. Acho que o pensar pode até "doer" de vez em quando, mas é necessário para vivermos a vida de maneira melhor...

Depois a festa transcorreu na direção de uma confraternização com muita alegria e descontração. Atribuo muita contribuição ao sakê, que nos fez relaxar e descontrair para aproveitarmos mais o espírito fraterno da grande maioria que estava lá.

Domo Arigato Gozaimashita ao Sensei e aos colegas do Niten no Japão por mais essa rica vivência!!"




Niten Ichi Ryu Banzai!!!

 


A família Niten Ichi Ryu


 

01-ago-2012

Olimpiadas e Hidensho?

"Konnichiwá Sensei, tudo bem? Aqui tudo em ritmo acelerado de eleições, mas bem!

Sensei, escrevo hoje por conta dos olhos do Tigre. E não falo só daquela música que o Sensei comentou uma vez que escutava antes dos campeonatos mundiais.

Falo do olhar do predador. Aquele capaz de incutir o medo na alma do adversário. Mesmo que o rosto dele se mantenha impassível, o seu espírito já está quebrado.

Costumeiramente nós pensamos que isso existe apenas dentro do bushidô, e que as chamadas artes marciais "modernas" carecem dessa peculiaridade. Ainda mais fora do Japão, onde o caráter esportivo se sobrepõe à marcialidade.

Mas Sensei, que surpresa foi ver a Sarah Menezes lutando naquela final do Judô. Desde o ponto de entrada dela no ginásio até o início da luta com o olhar do Tigre, sem dúvidas, sem hesitações, obstinado e centrado em um único objetivo, vencer e derrotar a Romena.

A judoca simplesmente partiu para cima da adversária, no mais legítimo Ken no Sen, sem medir esforços para conseguir o golpe definitivo, o Ippon, fosse por golpes de projeção ou por finalizações de torção ou estrangulamento. Não fosse isso suficiente, no único momento em que perdeu o domínio da pegada, deixou a adversária iniciar o ataque e aplicou o contra-golpe, produzindo um Yuko, Tai no Sen.

A luta terminou com o apito, mas até esse momento, a Judoca buscava estrangular a adversária, como se ganhar de Waza-ari não fosse suficiente para a vitória. Ou era o Ippon ou nada.

E esse tempo todo, com o Olhar do Tigre, sedento pela vitória a qualquer custo, como se a própria vida dependesse disso.

A judoca Romena não tinha o mesmo olhar. Estava séria e compenetrada, mas não tinha nos olhos a gana de vencer, o espírito indobrável de conquistar a vitória, e numa luta onde as duas pessoas tem uma mesma categoria técnica, não houve dúvidas, a vitória veio do espírito guerreiro.

Mais importante do que a conquista esportiva da Sarah Menezes, Sensei, foi a imorredoura lição sem palavras que surgiu na luta.

Essas Olimpíadas começaram bem Sensei!

Domo arigatô gozaimashitá pelo tempo."
- Simoes (Unidade Curitiba)

 

- E o que as Olimpiadas têm a ver com o Kenjutsu? - você deve se perguntar.
- Não sei. - vou te responder.
Mas de qualquer forma acho interessante este depoimento e acho que tem algo em comum: os olhos do tigre.


"Durante el entrenamiento de hoy en la mañana, Sensei uso el kamae hasso migi, tuve la vision de ver a Sensei siento atacado por un tigre, mas Sensei estando en kamae hasso, se veia tranquilo, como esperando el ataque, sin miedo, sin prisa... mirando a los ojos del animal.

Es paradojico como el cazador se combierte en ´presa.
Y como la presa puede intimidar al cazador... y vivir.
Detras de aquello hay una estrategia..."-
Jaime (Unidade Chile)

 

 

30-jul-2012

Shugyo com o Sensei 10 - Silêncio

"Terça-feira chuvosa aqui no Japão. Saímos cedo do hotel, Shigematsu Sensei, sempre disponível e atencioso foi nos buscar de carro. Passamos na transportadora de cargas para despachar as malas que não iríamos usar (estar em Shugyo com o Sensei inclui matérias inesperadas, Logística eficiente é uma delas) e seguimos para a estação ferroviária.

Yoshimoti Sensei também foi até a estação para se despedir de nós. Posso dizer que foi uma honra e um privilégio conhecê-los. Havia um sentimento de serenidade, de tarefa cumprida e de muita gratidão ali, entre todos nós, pelo menos foi a forma como percebi... Uma experiência simples, mas daquele tipo que fica nos nossos registros pessoais e que levamos conosco pela vida à frente.

Enquanto eu estava no trem com o Sensei, muita coisa passou pela minha cabeça. Cada dia que passa aprecio mais o silêncio. Para a minha sorte, o Sensei é um mestre silencioso grande parte do tempo.

É claro que ele também brinca e descontrai, não me entendam mal. Mas fico na dúvida se algumas vezes ele brinca porque está com vontade de brincar e descontrair ou se o faz por nossa causa, abrindo mão de si, de sua vontade pessoal, para NOS deixar mais à vontade!
Vale pensar...

De qualquer modo, o convívio acaba sendo feito de ciclos, períodos alternados de silêncio e conversa. Acho que os de silêncio nos dão a chance de refletir e elaborar diversos sentimentos, pensamentos, percepções, ensinamentos do Sensei, lições aprendidas, enfim, momentos importantes no nosso caminho... Nós ocidentais, particularmente os latinos, somos provavelmente barulhentos demais, para além da conta, o que nos prejudica individual e coletivamente.

Aqui no Niten temos mais essa possibilidade, a partir dos exemplos do Sensei, podemos em convívio, todos nós, treinar o uso do silêncio para nosso benefício e o daqueles à nossa volta.
Posso dizer-lhes que está me fazendo muito bem e faço a vocês o sincero convite para treinarmos juntos mais isso: convívio mais silencioso, com menos barulho, menos ruído, menos distração para mantermos o foco no que é realmente importante. Pronto(a) para experimentar? Onegaishimassu!!

Domo Arigatou Gozaimashita novamente Sensei!!"

 


"Sensei  Na caverna de Reigando, onde Miyamoto Musashi escreveu o Livro dos Cinco Aneis" 


 

26-jul-2012

Gashuku no Templo Nikkyoji 3 - Fantástico!



participantes de domingo

 

"Tenho pensado muito sobre tudo o que vi e vivi naqueles dias, refletindo sobre minha inexperiência e minha vontade de continuar fazendo meu melhor, mesmo que às vezes isto não pareça ser o suficiente. Fico pensando em quanta informação nos foi passada pelo Sensei e quanto disso eu consegui colocar em prática ou quanto conseguirei em um futuro breve e a resposta que sempre me vem a cabeça é que é muito pouco o que consigo fazer. Tenho consciência que o caminho para melhorar é treinar, treinar e treinar, mas admito que as vezes fico receoso, agora em especial por causa de minha atual posição. Espero poder transmitir adequadamente os ensinamentos recebidos sem distorções, sem erros."
Araujo (Unidade São José dos Campos)






"...quanta informação nos foi passada..."

 

"Foram momentos marcantes de convívio com os companheiros da espada.
Em especial para mim, pois pude dividir esta experiência com outros 4 companheiros da minha terra. Contabilizamos 5 capixabas no Gashuku!
Na demonstração do Hidensho, fiquei de “queixo caído”. Ver as técnicas imortalizadas nos katas ganharem vida na luta do Sensei foi Fantástico.
Lutando com a espada longa, com a espada curta com duas espadas e em vários Kamaes possíveis. Mostrando como ficamos vulneráveis quando “fazemos somente o básico”. É para mudar nossos conceitos e nos fazer pensar.
Ficava revisando em minha mente trechos do Gorin No Sho enquanto assistia:













“A finalidade de todas as posturas é golpear o inimigo”
 



" Apesar de nem todos concordarem, eu particularmente não me incomodei em ficar sem banho durante o Gashuku. Com certeza os Momentos de Ouro sobre o shugyo no japão valem muito mais que um banho."
Uehara (Unidade Ana Rosa)




"nao me incomodei em ficar sem banho..."




"...as lutas com o Sensei sem palavras pra descrever... o Sensei é muito rápido e me surpreendeu utilizando a kusarigama e a naginata contra mim... uma lição de estar pronto para qualquer adversidade!"
Tengan (Unidade Santos)










"estar pronto para qualquer adversidade!"




"Não sei por que ainda me surpreendo como as coisas acontecem desde quando decidi entrar no Niten.
Sempre que tenho duvidas, questionamentos e mesmo medo de como as coisas vão evoluindo no Caminho, vem o Sensei, e no momento exato e precisão de mestre vai retirando pedra a pedra, não deixando o Caminho totalmente limpo, pois há pedras que tenho que tropeçar, para ajudar na minha longa caminhada e assim realmente aprender.
A impressão que tenho é que o Sensei consegue “ler os meus pensamentos” e com palavras certeiras responde-las, mesmo que eu não as pergunte..."

Bolivar (Unidade Belo Horizonte)




"No momento exato e precisão de mestre..."


 

"Entretanto as lições que realmente me chamaram a atenção foram vários pequenos "Momentos de Ouro" que não vou esquecer.
Desde conversas muito bacanas no biru-dô do sabado com alguns sempais do RJ e do ES, passando por dicas de sempais já conhecidos que são exemplo de mugá, satisfação de kohais por cruzar espadas conosco, deslumbramento e a gratidão do sempai Sanches sobre as experiências no nihon e a imagem que não sai da minha cabeça do menino de Nagasaki,
De coração Gokurossamá !"

Takeshi (Unidade Vila Mariana-Templo Nikkyoji)






"Pequenos Momentos de Ouro"


 

"Ver de perto os katas do Niten Ichi Ryu, Sekiguchi Ryu e Shindo Muso Ryu, executados pelo Sensei."
Pinheiro (Unidade Rio de Janeiro)





"Ver de perto os katas "



“O movimento dos pés deve sempre seguir o ritmo do caminhar. Eles não devem ficar saltitando, flutuando, nem podem estar presos ao chão”.
Nem consigo imaginar todas as horas árduas de treinamento que o Sensei teve que enfrentar para atingir este nível. E mais ainda, admiro sua generosidade em registrar suas descobertas para as futuras gerações."

Simonassi (Unidade Vitoria)


"...Fantástico!"



 

23-jul-2012

Shugyo com o Sensei 9 - Conversas com um mestre

"Gostaria de compartilhar uma parte da grande experiência que foi esse Gashuku.

Nos Momentos de Ouro do Sensei, foi comentado sobre a conversa que o Sensei teve com um mestre Menkyo Kaiden de um estilo e 5º Dan de Kendo no Japão, onde o Sensei explicava para ele sobre o uso das técnicas do Kenjutsu no combate com Bogu. Confesso que me tirou boa parte do sono à noite este trecho dos Momentos de Ouro.

É um pouco triste pensar que alguém com tão alta graduação em um estilo, duvide da eficácia do mesmo em um combate real. No dia seguinte, o Sensei confirmou a conclusão que eu cheguei nas minhas reflexões, que ele treina pela tradição. Claro que manter a tradição é importante, mas acredito que Musashi Sensei não tinha a intenção de criar um estilo de Kenjutsu tradicional, antes dessa característica, ele queria um estilo eficaz.

Musashi Sensei inovou muito no seu tempo, com um estilo diferente do que a maioria era acostumado na época. Um estilo eficaz, e que devido à isso se tornou conhecido, atraiu praticantes, e só depois disso e de alguns séculos, podemos dizer que hoje é um estilo tradicional.

No Instituto Niten, assim como Musashi Sensei, também inovamos, trazendo para o combate com Bogu as técnicas antigas do Kobudo, algo que ainda não tinha sido realizado por ninguém, japonês ou gaijin. Imagino que isso pode ser tão inusitado que até o mestre japonês que conversou com o Sensei ficou na dúvida se isso era possivel. Imaginei algum Samurai antigo tendo uma conversa assim com Musashi Sensei: "Mas lutar com uma mão? Como assim? não vai funcionar!", "Lutar com as duas espadas ao mesmo tempo? Que loucura?".

Nos Dojos do Instituto Niten, recebemos um treinamento único, que nem no Japão poderíamos ter acesso. Devemos ter plena consciência disso, valorizar cada segundo dos treinos, e aproveitar ao máximo tudo o que nos é passado. É uma grande responsabilidade para todos os alunos.

Acredito que se Musashi Sensei soubesse que tantos séculos depois, seus discípulos de um mundo diferente e moderno, ainda estariam treinando buscando a eficácia do estilo, e não apenas a tradição, adaptando o combate com armadura de proteção, mantendo realmente vivo o seu estilo, ele ficaria muito satisfeito.

Talvez um dia, algum "sensei" japonês, também queira inovar e acabe levando de volta para o Japão o Kenjutsu com Bogu que treinamos aqui. Será uma ótima maneira de nós brasileiros agradecermos por tudo de bom que do Japão nos foi trazido. Devemos treinar firme, para mostrar aos japoneses que apesar de não estar no DNA do brasileiro, o Bushido está e muito, enraizado em nossos corações, pois aprendemos com o Sensei a lutar com o coração e com o espírito, não apenas com o corpo, não apenas com as armas.

Domo arigatou gozaimashitá Sensei, por ter essa coragem, e eu diria até, a ousadia de inovar utilizando o antigo e tradicional, trazendo para a nós esta "novidade" de mais de 700 anos."

Ricardo (Unidade Ponta Grossa)




Vista da caverna de Reigando, local onde foi escrito o Go Rin no Sho por Musashi sensei

 



Esta conversa aconteceu durante a minha ultima estada no Japão ( CS - 25 de Junho de 2012 - Shugyo com o Sensei 1 - Melhorar o mundo ) em uma conversa bem solta e descontraída.
Pelo fato de o mestre citado em questão ser um grande amigo de duas décadas, tive a oportunidade de mostrar a ele as descobertas que tenho feito ao longo de meu treinamento. Acredito que a amizade que existe entre nós tenha proporcionado este clima de abertura por parte dele, do contrário, não teríamos chegado a trocar as ideias e muito menos teria eu a chance de fazê-lo compreender sobre a eficácia dos katas antigos durante o combate com bogu.
Digo "amizade" por que há o risco do elemento "pré conceito" (Cs - 31 de Janeiro de 2008- Amigos sem preconceitos) impor se a frente por parte do ouvinte de kendo, pois as técnicas são limitadas. E aí a conversa não vai pra frente. Acredito que não seria diferente comigo, se pela primeira vez ouvisse algo semelhante.
A diferença é de termos sido abençoados (ou sermos sortudos) para estar abertos às inúmeras técnicas que seriam possíveis de se desfrutar, experimentar e obviamente, conectarmos ao passado da forma mais realista possível.
Voltando à conversa no Japão, quando expus a variedade de kamaes e sua eficácia no combate de kenjutsu, percebi que o mesmo se mostrou
surpreso.
A seguir, vieram, é claro, dentro de seu conhecimento técnico de 5º dan em kendo, perguntas e dúvidas para testar a eficácia mencionada das técnicas citadas.
Todas foram sendo esclarecidas. Algumas com seu reconhecimento imediato, outras com um certo ar de desconfiança. Estas geravam por parte dele, contra-argumentos que queriam anular a eficácia das técnicas antigas.
Mas não tinha como. Estas outras, ao serem mais detalhadas , eram então concluídas com um leve aceno de sua cabeça e acompanhadas sempre da expressão:
- Naruhodo...
"Naruhodo", queria dizer ele em português: "Realmente..."
No final, para a minha alegria, se mostrou muito admirado e mais do que isto: ficou entusiasmado a experimentá-las em um futuro próximo.
Treinar em busca da tradição é admirável.
Mas treinar em busca da eficácia desta tradição é mais do que isto. É conectar-se com o que nos permeia desde o nosso passado remoto: a vida e a morte.

19-jul-2012

Gashuku 3 - A primavera vem , mas...

"Buenas, dessa vez vou confessar que quase desisti de ir ao Gashuko,  motivos eu teria vários para citar, estava um frio de renguiar custo no RS, chovendo,  tinha chegado na sexta feira de uma viajem de trabalho desgastante, não tive tempo de dar a atenção necessária a minha família pois o tempo foi curto, iria apenas eu e meu colega Bruno de POA, já havia participado do Gashuko em Março, pensei pra que ir em outro, quase desisti, aí vieram em minha mente as palavras do Senpai Alessandro, somos Samurais e não Sofa´murais, devemos sair da zona de conforto e aprender a vencer nosso espírito.
 
Final da história deixei a preguiça de lado encarei o frio e a chuva, e às 5:30hs fui pro Aeroporto: vamos lá encarar mais esse Gashuko, não sou GAÚCHO de me mixar por qualquer frio.
 
Agradeço aos Deuses por ter  tomado a decisão correta, foram momentos únicos, daqueles que lembrarei pelo resto da vida, rever os colegas do caminho e escutar as histórias do Shugyo no Japão foram únicas.
 
Tive momentos nesse Gashuku muito marcantes, pois agora já conheço muitos Samurais de diversos lugares, gostaria de compartilhar com todos o que senti no momento do Kenjutsu combate.
 
Era um sentimento de alegria de orgulho misturado com amizade e aprendizado, a cada combate fazia questão de saber com quem lutei e de onde era e nos abraçávamos como verdadeiros amigos, sem ego, sem arrogância, sem preconceito. São sentimentos muitos difíceis de explicar escrevendo, mas somente os colegas que fizeram parte desses momentos sabem o que estou dizendo, como dizemos aqui no sul (Imagens guardadas nas retinas, jamais serão esquecidas)
 
Aos que não puderam ir por vários motivos, sinto muito vocês não sabem o que perderam, simplificando INESQUECÍVEL......
 
A minha Esposa e Filhos que sempre estão ao meu lado apoiando minhas decisões, meu muito obrigado, amo vcs... tenham certeza que 2 dias de ausência ficando longe, foi para o aprendizado e o entendimento de muitas coisas que não consegui ao longo da vida, isso tudo é para me tornar uma pessoa melhor pra vcs e para a sociedade.
 
Arigato Gozaimashita."
Terres (Unidade Porto Alegre /RS)

 


 




 

Bruno Steyer e Terres de Porto Alegre

 

18-jul-2012

Hidensho 9 - Cristiano Toraburi

"Na pele de Sasaki Kojiro!

Ninguém, em sã consciência, almejaria estar na pele de Sasaki Kojiro em seu duelo contra Musashi Sensei, na ilha de Funajima.
Conta a lenda que Musashi Sensei, com seu longo remo, usou a postura Itto Wakigamae (a espada posicionada no flanco direito) contra Kojiro e, o golpe fatal, fora o Tora Buri (Bote do Tigre), que conhecemos bem: é o 9º kata do Tachi Seiho (sequencias com a espada longa) do estilo Hyoho Niten Ichi Ryu Kenjutsu.

Hoje, treinando com Sensei, tive um vislumbre do que sentiu Kojiro naquele dia histórico: no meio do combate, Sensei adotou a postura Itto Wakigamae; eu lutava em Gedan Ittô (a espada apontada para o chão). Sensei, durante um tempo que parecia eterno, não mexeu um músculo, parecia não respirar. Decidi atacar. Avancei mirando o Tsuki (estocada), mas o Sensei não estava mais ali: senti apenas o golpe, lateral, em minha cabeça, vindo do flanco esquerdo: Tora Buri! Bote do Tigre!

Impossível não pensar: foi esse o golpe que Musashi Sensei usuou ao derrotar Kojiro. Quantos já tiveram a oportunidade de presenciar esse golpe, não em um kata, mas em um combate real? Por certo que mesmo gerações de japoneses jamais tiveram uma oportunidade como essa que tive hoje. É simplesmente incrível poder beber direto da fonte (treinar o Niten Ichi Ryu com Sensei) e, no combate, ver e sentir esses Katas tão importantes fluindo instintivamente. Hoje finalmente entendi o que é o Resgate da Espada Samurai.

Viver com o Sensei é estar ao lado de um  Elo com a história da Espada Japonesa."

Cristiano (unidade - Sumaré/SP)

 


Sensei e Sanches com o remo. Na ilha de Funajima


 

17-jul-2012

Sensei de férias

Recebi estes dois emails aos quais respondi logo abaixo da foto:

"Após a visita do Sensei nesse fim de semana fiquei refletindo sobre alguns aspectos, e gostaria de compartilhar minhas conclusões.
Seguindo a metáfora da espada no Caminho, um Mestre seria como um farol a iluminar a passagem. Mas não basta ver a direção geral, temos que notar as pedras no chão, os olhos tem que interpretar corretamente o que vemos adiante. Existem aqueles que ao notar a silhueta gerada por esse farol, acham que viram tudo, e existem aqueles que sabem que a Verdade é muito mais rica em detalhes. A luz faz seu papel, mas os olhos precisam funcionar de acordo.
Um aprendizado tem que ser emitido com clareza e recebido com sucesso. Hoje eu vejo que me faltam muitos detalhes a serem percebidos, que tenho muitas limitações, mas agora posso melhorar e talvez avançar alguns dias no Caminho.
O Mestre tem luz própria, que é refletida pelos discípulos. Grandes são aqueles que espelham essas pessoas iluminadas, sortudos são aqueles que são lembrados por quem admiram.
Arigato Gozaimashitá por ter se desviado de suas férias para nos conceder esse tempo, Sensei. "-
Bernardo ( Unidade Belo Horizonte)

"Este sábado foi muito interessante pois até o momento nunca tinha tido a possibilidade de estar mais próximo do Sensei.
Durante a manhã quando fazia minha caminhada até o dojo estava tenso pensando em como seria, refleti nos meus erros e no que já me fora corrigido para tentar fazer meu melhor em sua presença, mas ao mesmo tempo pensei que este seria o momento de não ser perfeito, pois, suas correções que nos engrandeceriam para alcançarmos um estado melhor.
No almoço não tive como ficar mais próximo, mas tive a honra de ficar próximo ao seu filho. Os momentos que tive com ele foram de muito prazer, em conhecer um pouco sobre ele, o que gosta de fazer, sobre os treinos e também por ele ter gostado de estar conosco.
Fiquei muito grato por este final de semana, por saber da procura da invencibilidade. Isto até aumentou minha chama interna pelos treinos e a vontade de querer me aperfeiçoar cada vez mais.

No mais só tenho a agradecer o momento que tivemos junto e que sempre vou me recordar."- Saulo (Unidade Belo Horizonte)
 


"Sensei de férias"

 


"Conversas sobre invencibilidade"

 

Bernardo,
Gokurosama
Cuidado com os piratas e mantenha a atenção e fé na luz que o guia
Não deixe a serração ofuscar a Verdade
A travessia tem que ser concretizada.

E, Saulo
A procura pela invencibilidade já faz parte do meu ser
não precisa de férias.

Sensei

16-jul-2012

Shugyo com o Sensei 8 - Superação

"Aqui em Oita (pronuncia-se oíta), depois de dois dias treinando Sekiguchi ryu (estilo de Iai), a perna do Sensei quase travou!

Mas shugyo é shugyo! A questão é administrar os limites Estrategicamente!

O segundo dia de Sekiguchi foi forte e, de acordo com o relato do Sensei, a perna chegou no ponto em que vai ficando mais rígido na hora de dobrar, o que já parece ser sinal de fadiga relevante, no meu leigo entendimento.

Apesar disso, o Sensei levou o treino até o final, com o semblante de neutralidade à dor e de garra e raça, características próprias de um verdadeiro samurai. De fato, foi uma superação física, mas daquelas que acompanham quem já treina e usa a estratégia há tempos.

Mais uma lição presenciada: faça o que tem que ser feito, mas procure fazê-lo usando a estratégia. Como e onde aprender estratégia? A resposta você já sabe!

Domo Arigato Gozaimashita ao Sensei por mais este exemplo!"



"Sensei a direita executando o Sekiguchi ryu com wakizashi (espada menor)"

13-jul-2012

Gashuku 2 - 5 anos lá atrás

Findo o Gashuku deste fim de semana ( CS - Gashuku 1 - O Gaijin com olhar de tigre), recebi o email deste aluno, que por sinal, levou o troféu de campeão no Rio de Janeiro:

"Como da última vez o Gashuku deste meio do ano aconteceu no templo Nikyojji, lugar com uma energia diferente, ao meu ver mais pura e mais zen. E era essa energia mais zen que precisava para poder escutar e observar melhor o que aconteceu neste Gashuku.




Ao contrário do que se passou no anterior senti que este era muito para se observar e aprender do que se praticar. A exemplo, pude ver rapidamente pela primeira vez, pois tinha de colocar o bogu para a última etapa dos treinos, o Sensei praticar o tameshigiri e antes mesmo dele falar sobre o porque do Jodan nito ficar inicialmente pouco acima da altura dos olhos já tinha percebido, a diferença no resultado dos cortes.





Quanto ao Hidensho ( CS - Hidensho - Palavras Iniciais ) combate, foi verdadeira luz para orientar a prática de todos que o assistiram: o que fazer para ser mais efetivo no combate usando todos os recursos dos kamaes. Posturas dificeis como o katategedan (katate= uma mão, gedan= ponta apontada para o solo), ao meu ver, tiveram algumas posturas e golpes básicos desvendados.

 

Mas acho que o que mais gostei neste Gashuku foram os Momentos de Ouro sobre o shugyo ( CS- Shugyo com o Sensei 1 - Melhorar o mundo ) do Sensei e do senpai Sanches, contado de uma forma diferente: como que uma conversa de dupla que acabou de voltar de viagem para seus amigos. Todos nós reunidos para escutar os acontecimentos e surpresas desta viagem de aprimoramento.

 


Dos Gashukus que participei, este foi ao meu ver um pouco mais diferente, aprendi mais escutando e observando.






Arigato Gozaimashitá Sensei . "

Kalawatis (Unidade Rio de Janeiro)

 

Ao que respondi:
"Kalawatis,
gokurosama pelos dias de Gashuku
quem não viu e nem escutou ficou 5 anos lá atrás do Caminho..."




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