Ir para o Conteúdo
imgcentral

Café com o Sensei

Pensamentos e comentários do Sensei


Últimas postagens:

11-out-2011

Naginata - Uchikote

05-out-2011

O Resgate 9 - O primeiro pilar

Os três pilares do Resgate da Espada.

"Na Europa, mais especificamente na Alemanha, um trabalho similar está sendo feito, em relação à espada ocidental medieval. Mas os europeus têm uma desvantagem importante para a boa reprodução das técnicas antigas: diferentemente do Japão, onde as técnicas foram conservadas intactas pelos katas dos estilos antigos, na Europa isso não ocorreu. Para os europeus, então, o caminho para esse resgate é o do estudo de gravuras, descrições textuais, obras de arte, além de deduções a partir das próprias características das armas utilizadas na Idade Média européia.}
A preservação das técnicas antigas nos katas representa uma dívida que temos com os grandes mestres que nos deixaram o legado da essência do combate com a espada samurai. Mestres importantes no cenário cultural japonês presentearam, ao longo das últimas décadas, o Sensei Jorge Kishikawa com ensinamentos preciosos sobre como os samurais lutavam séculos atrás. Esses mestres, por sua vez, receberam esses ensinamentos de outros que, como eles, colocaram suas vidas a serviço da preservação das antigas escolas marciais do Japão, permitindo que o resgate histórico hoje desenvolvido no Instituto Niten possa ser feito com fidelidade e compromisso. Os treinos dos katas no Instituto Niten constituem o primeiro Pilar do Resgate da Espada empreendido pelo Sensei Jorge Kishikawa e seus alunos."

 

imagens sugestivas do combate com espada medieval


Falando com franqueza, acho louvável e descomunal o trabalho pretendido para resgatar as técnicas da espada medieval. Reconstituir os combates baseados em gravuras ou livros não será nada fácil, ou até impossível.
Digo isto porque, no Japão, os pergaminhos antigos ou os certificados (makimono) , muitas vezes apresentam gravuras para ilustrar determinada técnica, mas, sinceridade a parte, fogem muito da realidade observada ao se fazer os katas.
Inevitável é que ao tentarmos decifrar a posição ou técnica a partir de uma determinada gravura, acontece o seguinte: cada um observa e interpreta conforme a sua imaginação.  Ou seja, cada um executa a sua maneira e interpretação, fará um postura diferente, e logicamente, longe de ser a preterida pelos fundadores . Cada um vê o que quer ver...

A sorte é que no Japão, temos os katas, que foram guardados a sete chaves, ou seja, intactos da forma como deixada pelos fundadores, de forma que cada um NÃO poderá fazer do jeito que acha ser, ou do jeito que quer ver.
Treinar exaustivamente estes katas permite a aqueles que utilizam o equipamento de protecao (bogu), a ter um vislumbre, um achado que certamente os antigos descobriram ao uitilizarem em seus combates reais. Aproximar -se deles , na minha opinião, é o caminho para a iluminação, o Satori da Espada.

E há somente UMA única maneira de se golpear para cada kata. Aquele que descobrir esta conexão, terá descoberto o Satori deste kata.

É o que estou buscando.


Gosho Sensei, o mestre guardião das técnicas de Miyamoto Musashi

30-set-2011

O Resgate 8 - Diferenças do Kenjutsu e do Kendo 5

 


Esta última imagem (Cs 26/set - O Resgate 4 - Diferenças doKenjutsu e do Kendo)  fala sobre a posição (kamae) a ser adotada pelos combatentes. Os dois combatentes estão com a ponta de suas espadas voltadas para trás, conhecida como a posição de waki, sha, in ou outras denominações, dependendo da escola.
Apesar de ser uma posição um tanto inimaginável aos olhos de quem não está habituado a ver combates samurais,  diz-se  que foi com essa que  Miyamoto Musashi derrotou seu adversário Sasaki Kojiro. Desta posição, emergem golpes ascendentes, muitas vezes sobre os flancos do oponente.


Enquanto que no Kendo, a posição é uma só, com a ponta apontada sobre a garganta do oponente, no Kenjutsu há dezenas de posições a serem aprendidas. Há dois motivos que explicam o por quê de se utilizar apenas a posição com a ponta na garganta no Kendo:

A primeira remonta no período pós-guerra (1945), quando o HQ americano proíbe qualquer prática marcial por considerar subversiva. Esta proibição dura quase uma década, quando então encaminhou-se uma proposta de se criar uma modalidade de esgrima (semelhante a europeia, mas com as duas mãos sobre o cabo), obviamente com a conotação puramente esportiva.

A segunda por que escolas como Onoha Ito ryu , cujos katas se originam desta posição , influenciaram (e influenciam) em muito seus dirigentes.

O Kenjutsu, por outro lado, tem como objetivo , no tocante as posições, buscar as respostas para as vantagens e desvantagens de cada uma delas.

Em termos estratégicos, podemos dizer que se adota uma posição (kamae) tendo em vista uma determinada intenção. O prazer em se treinar o Kenjutsu reside aí: conhecer as intenções de cada posição e adequar se a ela conforme os preceitos lógicos da estratégia. Enquanto se vai conhecendo e experimentando as táticas e estratégias a serem adotadas, vamos de encontro as conclusões que pouco a pouco vão desmistificando as lendas , suposições ou "achismos" sobre os combates com a espada samurai.

É conhecer a história com o próprio corpo.

29-set-2011

O Resgate 7 - Diferenças do Kenjutsu e do Kendo 4

"Padronização do comprimento da espada para cada categoria.": Este termo se aplica ao regulamento no Kendo.
Mas, não ao Kenjutsu.
Os samurais podiam escolher o tipo, o peso  e comprimento da katana que preferiam utilizar (imagine se não pudessem!)
Alguns preferiam as mais longas (como Sasaki Kojiro, um dos adversários de Miyamoto Musashi) outros as mais curtas, dependendo da escola (estilo) que pertenciam. Alem de que, padronizar o comprimento de qualquer arma , seja ela o que for, não esta dentro dos escopos do estudo da estratégia.
Por esta razão, no Kenjutsu, você poderá escolher a espada que melhor lhe cair.  Alias, não só "pode", mas "deve" escolher o comprimento de acordo com a estratégia a ser adotada . Foi assim que Miyamoto Musashi derrotou Sasaki Kojiro: escolhendo uma espada mais longa que o seu oponente.
 



Outra diferença fundamental entre o Kenjutsu e o Kendo é a escolha de armas como ocorre nesta foto.
Aqui, vemos a espada menor (wakizashi) do lado esquerdo entrando sobre o direito para golpear. A razão do combatente do lado direito soltar a mão do cabo visa impedir que o da esquerda imobilize (com a outra mão vazia) o seu antebraço, pois caso ocorra, estará em desvantagem.
A imobilização de um dos membros faz parte da estratégia do combate com espadas menores e aqueles que souberem desta lei, nunca deixarão os seus oponentes se aproximarem.
O combate contra um expert em arma curta é dificílimo e somente aquele que conhecer o uso dela poderá vencê-la.
Para se ter ideia de como é lutar com um praticante com a espada menor, sugiro que assista o filme Tasogare Seibei, que traduzido ao português está sendo comercializado como O Samurai do Entardecer.
Digo aos alunos que o uso da espada menor é imprescindível para alimentar a coragem no combate.
Aquele que dominar o uso da espada curta, alem de alimentar a sua coragem no combate começará a enxergar detalhes que não veria, caso estivesse com a espada longa.
Coisas da lei da Estratégia. Coisas do Heiho

28-set-2011

O Resgate 6 - Diferenças do Kenjutsu e do Kendo 3

Uma diferença marcante do Kendo para o Kenjutsu está bem ilustrada nesta foto:

 

O praticante da direita avança por baixo da espada do oponente e corta o seu antebraço em golpe ascendente (de baixo para cima), aplicando o Utigote (parte interna do antebraço).
O Kenjutsu utiliza amplamente os golpes de baixo para cima . O Kendo, não.
O Kenjutsu surgiu há 700 anos, após a invasão (fracassada) de Kublai Khan, neto de Gengis Khan. Até então, os combates com a espada eram definidos pelo uso da força e agilidade. Aquele que tinha a maior força muscular, ou aquele que era ágil e esperto tinha a vantagem. Com a invasão dos mongóis, os samurais viram-se obrigados a aprimorar a técnica no manuseio da espada para se fortalecer diante de um outro possível ataque, surgindo então o termo Ken (espada) e Jutsu (técnica). A partir dessa época, passa a prevalecer a técnica sobre a força. A técnica sobre a velocidade. A técnica, o Kenjutsu , passa a ser a soberana para o sucesso tanto para a conquista bem como para defender as suas terras. É nesta época que confecção de espadas ganha respeito. A confecção das katanas tem de acompanhar a evolução técnica.
Em termos práticos, a espada samurai, para ser totalmente bem aproveitada enquanto arma, deve ser golpeada de cima para baixo (como ocorre no Kenjutsu e no Kendo), bem como de baixo para cima ( Kenjutsu).
Os cortes de baixo para cima são desferidos, como nesta foto, no antebraço, nas pernas, no abdomen. Quando aplicado no abdome, pode ser aplicado com uma mão ou ambas as mãos, geralmente da posição waki (espada na cintura). É denominda de gyaku kesa.
O praticante de karate, kung fu ou qualquer outra modalidade que utiliza as pernas para o chute sabe que sem este o combate perde sentido. Combater esperando que o oponente venha só com as mãos de cima para baixo impede que a arte evolua por completo, enquanto combate. Quantas vezes já não vimos grandes "feras" indo a nocaute ao levar um chute de baixo para cima como aquele do Anderson Silva sobre o Belfort?

Bem, em termos de combate com a espada, para aplicar o utigote , é necessário , principalmente, que o seu oponente esteja com a mão esticada para a frente (como a posição tchudan, ilustrada nesta foto). Isto nos leva a concluir que, diante de um exímio praticante, especialista em utigote, adotar a posição tchudan era demasiadamente arriscado. Quando falo "exímio praticante", quero dizer aquele que vem com a espada, de baixo para cima, com a velocidade de um projetil...você quase não vê, pois a sua própria espada impede de ver o que se move abaixo dela.

Tal fato demonstra que era mais do que necessário dominar todas as outras posições do combate, o que, nos dias de hoje, vai de encontro a proposta do Instituto Niten : adotar todas as posições e técnicas com a espada samurai.
E isto tem nome: Kenjutsu.

27-set-2011

O Resgate 5 - Diferenças do Kenjutsu e do Kendo 2

Para concluirmos o assunto do Café anterior (Cs 26/set - O Resgate 4 - Diferenças do Kenjutsu e do Kendo)  deixo a partir de hoje, algumas imagens de técnicas existentes no kenjutsu, e não existentes no kendo:


Aqui vemos um golpe com a mão esquerda apoiada sobre o dorso da espada(mune) estocando o seu oponente. É o "soete tsuki", amplamente utilizado não só em varias escolas, bem como na escola mais antiga, o Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu há 700 anos.
Este golpe, aplicado a curta distancia, como num clinche de boxe, poderia ter sido também um corte sobre os antebraços, sobre o crânio (antigamente diagonalmente sobre o pescoço) ou sobre o abdome de seu oponente.
De maneira pratica, podemos dizer que no Kenjutsu, como ocorria antigamente e ao contrario do clinche no Kendo, os combates não permitem que os dois oponentes fiquem se estudando na distancia de um clinche. Isto não só exige mais conhecimento técnico a partir da curta distancia (clinche), mas também demanda um condicionamento físico maior do praticante, despendendo uma quantidade maior de calorias, obviamente, por não se tratar de uma situação tão estática.
Não há nem um décimo de segundo para se olhar (e nem respirar), quando um dos guerreiros domina o uso da mão sobre o dorso da lâmina, o soete.
Ao utilizarmos o soete, mudamos a configuração de nossas armas. Como num passe de mágica, a espada longa se transforma em curta, o que exige uma mudança imediata nos planos de quem o enfrenta.
Aquele que "descansar" no clinche, levará, inevitavelmente, o "gancho" da derrota.




topo

(+55 11) 5539-3587 seg-sex 9h-18h
(+55 11) 99734-6497 seg-dom 9h-22h