Café com o Sensei Ir para o Conteúdo
imgcentral

Café com o Sensei

Pensamentos e comentários do Sensei Jorge Kishikawa




Últimas postagens:

29-out-2008

Estratégia a todo momento

Acabei de receber este email de meu aluno:

"Ohayo gozaimasu, sensei,

Confesso que pensei muito antes de escrever este e-mail, acabo de ser jogado contra um canteiro perto da antiga rodoviária. Após o acidente, fui cercado por um monte de trombadinhas, que acabaram levando meu bogu e minha guitarra. Menos de um mês atrás, meu estúdio foi invadido enquanto eu tocava, e me levaram boa parte do equipamento, parte disso ainda não pude recuperar.
Queria saber o que os mestres, o caminho, o Sensei, enfim, tudo isso à que estamos ligados indica fazer quando não há mais esperança.
Peço desculpas por incomodar com este assunto,
mas... não sei, não tenho muito a que recorrer.

domo arigato gozaimashita pela atenção.
Sayonara "


Ao que respondi:
Também já fui assaltado. Estava com o Yoshi quando este ainda tinha 2 anos.
Era num domingo à tarde. Tranqüilo com aquele por do sol digno daquele cartão postal... lá na Av. Paulista em frente ao Shopping Paulista. Estava com ele no colo e fui surpreendido pelo bandido que sacou de uma peixeira de 30 cm e encostou nas costas do Yoshi. Imediatamente barrei com a minha mão.
Nos tempos de outrora botei para correr, lá na Liberdade, dois marginais que tentavam abrir a porta da minha antiga Blazer.
Mas desta vez, não reagi. Ele imediatamente arrancou o meu celular preso à cintura e saiu com a maior tranqüilidade. Todos viram e ninguém fez nada.
Isto é Brasil.
Naquele momento, senti indignação.
Depois, refleti.
O erro foi meu. Como um estrategista deixaria o celular (quase de última geração), e ainda com uma criança ao colo, em sua cintura? Em plena Av. Paulista?
Sim, estava distraído. Estava feliz. Mas estava distraido.
Na guerra, uma distração pode ser fatal.
Foi o que aconteceu com você.
Felizmente nem eu, nem Yoshi saímos feridos.
Felizmente você não saiu ferido.
Os deuses nos deram um aviso:

"Não reaja e não dê bandeira."

Estratégia a todo momento
Sensei
Lobo Solitário

29-out-2008

Velocidade, sim!



Se brutalidade, citada no Café de ontem, não tem a ver com a espada, o que tem a ver?
- A velocidade. - eu te digo.
Não tem jeito.
E não adianta se acomodar.

Digo isso, porque há muitos praticantes que, ao se aproximarem da velhice, se apóiam no estético, dizendo frases como:
- O importante é a postura. O importante é o espírito.
Sem dúvida que sim. Mas a partir daí, dizer que não precisam da velocidade é como que fugir do propósito inicial: que, uma vez desembainhada, a espada está la para vencer.
Com o tempo, as pessoas ficam caducas...

28-out-2008

Brutalidade

Tudo bem, não precisa derrubar (ou arremessar) o adversário no combate, se ele é idoso, se é uma mulher, ou uma criança.
O ideal é que você já tenha superado tecnicamente a ponto de não precisar fazer esta estratégia, caso entre em combate com um desses adversários. Isto nos tempos atuais, porque antigamente, caso
vacilasse, pagaria com a vida, como o caso do samurai Arima Kihei, vencido por Musashi sensei, quando este tinha os seus 13 anos.

Lembro-me nos tempos de kendo, quando o público feminino ainda inexistia. As poucas mulheres saíam machucadas de todos os treinos. Num
torneio então, nem se fala. Alguns lutadores, que eram inclusive brutamontes do judô, quando ficavam em desvantagem, partiam com tudo para cima deixando-as com hematomas e contusões.

Os juízes devem identificar imediatamente este tipo de atitude e anunciar;
- Falta por excesso de força! - e pôr fim à brutalidade.
Que nada tem a ver com a espada.

27-out-2008

Instinto na Arbitragem

Aquele dia o sol estava de rachar...


E justo nos meus olhos. Tive que fazer a arbitragem com a mão na testa.
Fiquei imaginando como era difícil para os juízes nos tempos samurais.
Se duelavam a céu aberto com o bokuto (espada de madeira) ou shinai (espada de bambu), a menos que um dos dois saísse ferido, teriam eles passado por momentos difíceis, suponho.
Nos combates de kenjutsu e kobudô, os juízes precisam ter olhos de águia e instinto de tigre.

Vale a shoto (espada menor), vale o círculo (en) (17out - Não é coreografia. É combate.), vale o sune (canela), imobilizar com a mão livre e muitas técnicas que acontecem em centésimos de segundos que um olho normal não conseguiria acompanhar.
Desta vez também não foi diferente. Tive que usar além da visão, e da mão, o instinto.
Já sabendo o que estava para acontecer...

24-out-2008

Tombaram com a shoto

Se você estiver lutando contra um oponente que utiliza a espada curta (shotô), procure ficar bem esperto.
Porque apesar dele utilizar uma arma pequena numa das mãos, ele tem na outra uma que é invisível.
Neste Torneio do Rio (14out - Guerreiros e Cavalheiros), alguns samurais tombaram quando cruzaram com a espada curta.
Um excelente treino para melhorar e conhecer a espada menor é o treinamento com o jitte.
Para não ser pego.

Jitte

21-out-2008

Flexionar com tudo

Não é só com espadas que se flexiona os joelhos.

Outras armas como o Bo (bastão longo) também requerem o preparo físico e coordenação das pernas.

No vídeo que te mostro hoje, você poderá conferir.




Sensei e Senpai Wenzel demonstram Katori Shinto Ryu Bojutsu no Dia do Samurai 2007

20-out-2008

Flexione os joelhos

Escrevi, no Café de sexta (17out - Não é coreografia. É combate.) que:
"Musashi Sensei condenava os estilos que se preocupavam demais com a postura ereta, flexionar os joelhos ou se apegar a detalhes de como fazer uma postura (kamae) 'correta'".
Não fui claro.

O que eu quis dizer é que flexionar os joelhos faz parte de um combate com a espada. Estilos renomados como o Niten Ichi Ryu, Suiyo Ryu ou o Katori Shinto Ryu tem nos seus vários katas a flexão dos joelhos.
Aquele que sabe utilizar esta técnica amplia o seu leque de opções para o ataque ao adversário, como no vídeo em que o Brum acerta o "utigote". 

17-out-2008

Não é coreografia. É combate!

O samurai Miyamoto Musashi (para nós do Instituto Niten, Musashi sensei) já dizia há quinhentos anos que muitos estilos estavam preocupados mais em florear a sua arte que colocar conteúdo. Condenava os estilos que se preocupavam demais com a postura ereta, flexionar os joelhos ou se apegar a detalhes de como fazer uma postura (kamae) "correta". Outros faziam malabarismos rodopiando a espada como esses meninos de rua no farol com pauzinhos.
- Nada disso tem a ver com o Verdadeiro Caminho da Espada.- dizia Musashi sensei.
- Então, se florear não é preciso, o que é preciso, uma vez que se adentra no treinamento com a espada samurai?
Para respondermos a esta questão, temos que nos perguntar, antes de tudo, o que é ser um samurai.
- É aquele que serve - no latu sensu da palavra - é o que você vai me dizer e que alguém com um pouco mais de estudo já sabe.

E então?
A questão é: mas não adianta querer servir, se não tiver força.
E de onde vem a força?

Vem da coragem. Em japonês, "yuu" ou "konjo" e que era a virtude mais importante ao lado da honra para os samurais. Isso desde a infância. Da mesma maneira que os leões lançam seu filhotes ladeira abaixo, faziam também com seus filhos.
Nossos alunos são treinados*, já nos primeiros dias, a lançarem-se sobre os seus adversários como os leões (13out - Ordem Unida).
Não precisa estética.
É preciso conteúdo.
Antes a coragem. Depois a estética.



* no combate de kenjutsu, regido pela CBKO (Confederacao Brasileira de Kobudô), existe o "en", um circulo que se assemelha ao "dohyo", a arena de sumô. Aquele que sair primeiro, ou for arremessado pelo adversário, tal como no sumo, dá ao seu oponente um "yuko", um meio ponto.

16-out-2008

4 Virtudes no Rio

Virtudes a serem cultivadas por um samurai:
Dotoku = moral
Kiritsu = disciplina
Shudan = coletivo
Jukuren = proficiência

virtudes cultivadas neste fim de semana no Rio:

"Através da Ordem Unida (14out - Ordem Unida), a tropa evidencia, claramente, os quatro índices de eficiência:
Moral – pela determinação em atender os comandos, apesar da necessidade de esforço físico.
Disciplina – pela presteza e atenção com que obedece os comandos.
Espírito-de-corpo – pela boa apresentação coletiva e pela uniformidade na prática de exercícios que exigem execução coletiva.
Proficiência – pela exatidão nas execuções.
"
Manual de Campanha – Ordem Unida, do Exército Brasileiro, capítulo 1, artigo I. EGGCF, 2ª Edição, 1980"

Ordem Unida




topo

+55 11 94294-8956
contato@niten.org.br